quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Aloha 2010

Galera, vamos encerrar mais um ano. Esse lance de ficar desejando feliz ano novo e todos os clichês enfileirados segundo a ordem que melhor convir enche o saco. Desejo a todo mundo apenas muitas alegrias e que leve para 2010 apenas os acertos de 2009 e que os erros sejam convertidos em lições, experiência e, sobretudo, sabedoria. Como diria aquele meu amigo cobra de laboratório, o mundo dá muitas vodcas. Bebê-las e aproveitar delas o sabor e o prazer sem se deixar vencer pelo outro lado da moeda cabe a cada um que sabe que uma bela bebida tem seu lado bom, mas um contrapeso por demais negativo. Sendo assim, pessoal, que 2010 seja um ano com o melhor que o mundo possa oferecer. 2010 é ano de Copa do Mundo e de eleição. Assim, não coloquemos no congresso (com c minúsculo mesmo. Letra maiúscula significa deferência e respeito, o que essas casas não andam merecendo) nenhum peladeiro, nenhum mercenário daqueles que jura amor pelo time, beija a camisa mas faz corpo mole dentro de campo aparecendo só pra ganhar salário e bichos e sobretudo nenhum cartola. Futebol e política, não se discute. E, aprendam de uma vez por todas, não se misturam.


Foi uma breve mensagem, feia pra cacete, sem sentido e rasteira. Mas nos dias de hoje em que efeitos especiais escondem a pobreza da substância, uma volta ao simples se faz necessária. É preciso falar aos simples de forma simples. E jamais confundir simplicidade com burrice. Se Jesus, o maior orador de todos os tempos, falava em parábolas simples aos humildes e nosso presidente, homem simples como seu povo, usa e abusa de metáforas para chegar a eles e tem mais de 80% de aprovação, por que eu teria de ser pomposo?


Um 2010 com tudo de bom que sua vida possa querer.



Ninguém segura


Os quenianos fizeram mais uma dobradinha na São Silvestre. E de forma inconteste tanto no feminino quanto no masculino. Entre as mulheres, Pasalia Chepkorir deixou pra trás a sérvia Olivera Jevtic e fez uma prova só sua sobrando contra as adversárias. Entre os homens, a superioridade de James Kipsang, bem como do Quênia, foi definida a partir dos sete quilômetros. O pódio entre os homens contou com três quenianos e dois colombianos, a surpresa da prova. Entre as mulheres, além de Chepkorir e Jevtic, outras três brasileiras completaram o pódio. Na prova masculina, os brasileiros não foram tão bem. Clodoaldo Santos, nosso melhor colocado ficou apenas em oitavo lugar. Definitivamente, nessas provas de média e longa distância, os quenianos são imbatíveis.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Foto do dia

Essa foto da estátua do Lênin não é nova, mas desde que eu a vi na Net, e faz tempo, achei ela genial. A pessoa que teve a idéia de batê-la foi de uma criatividade sem igual. E, supondo que a foto tenha sido casual, o fotógrafo foi muito feliz.



And so it's Christmas

Eu não gosto de Natal nem de réveillon. Acho um tempo meio chato e um tanto hipócrita. Mas é legal ver como a data é festejada mundo afora, inclusive em países onde o cristianismo não é religião dominante. E também adoro as fotos que o Boston Globe faz. Suas séries temáticas são excelentes. Pra ver mais, clique na foto abaixo e curta a beleza que correu pelos quatro cantos desse nosso louco planeta onde ainda algumas pessoas levam à risca o tal espírito natalino de forma diferente de grandes empresas.


Que belo exemplo de pai...

Acompanhando meio de longe essa história toda do menino Sean e seu pai estadunidense, chego a conclusão que o homem é um grande larápio. A família brasileira, que eu acho que devia ter lutado mais pelo menino, entregou o menino sem crises. Quer viver com seu pai que estava lá na puta que pariu (que, no fim das contas, é o que os Estados Unidos são) e resolveu brigar pelo filho só recentemente? Vai. O pai levou o menino pra lá (num vôo patrocinado pela NBC, vale lembrar). Pronto acabou. Apesar de relapso, ausente e estadunidense, é inalienável o direito do pai viver com o seu filho. Mesmo que seja nos EUA, no Brasil, na Somália ou no inferno. Ótimo, o filho foi viver com o pai, a família do pai num país supostamente desenvolvido (que é como vê a nossa classe mérdia). A coisa deveria ter acabado por aí. Sem mais notícia, sem entrevista chorosa no Fantástico ou no David Letterman. Acabou.


Mas, não satisfeito em vender toda essa história, que deveria ser de foro estritamente íntimo entre as famílias e as justiças dos dois países, para a NBC fazer dela um episódio desses dignos das márcias da vida. Depois de um Natal ao lado do filho que viveu o sonho de toda criança precocemente cooptada pelo capitalismo: um Natal com neve, meinha na parede e sapatinho na janela, o pai ressurge querendo cobrar 500 mil dólares da família brasileira. Ou seja, amor paternal passou longe. Não satisfeito em ganhar uma bolada da emissora que cobriu essa patuscada armada por ela mesma e da qual o pai quis participar como pobre coitado, o sujeito ainda quer deixar a família da ex-esposa devedora dele. Pergunta-se: Onde estava o pai exemplar que não lutou pela guarda da criança antes? O menino, como nascido em solo ianque, é reconhecido tanto pela constituição de lá como a de cá como cidadão dos EUA. Onde estava o instinto de pai desse camarada antes? Agora, a coisa é mais fácil. A família passa o filho de mão beijada a ele (que, mais uma vez, apesar de ser pilantra, dinheirista e estadunidense é o pai do menino e tem o direito legal da guarda do filho) e ainda tem que pagar? Cuida do menino, oferece educação, dignidade e condições de vida de uma família classe média do Rio de Janeiro, que se esforça ao máximo para macaquear o american way of life e ainda deve sair dessa palhaçada toda desembolsando uma pequena fortuna? Eu não tinha falado nada sobre esse caso antes porque é assunto de família, deveria ser tratado sob o mais rigoroso segredo de justiça e não é da alçada de ninguém ficar dando palpite. Mas desde a hora que esse sujeito chutou pra longe a intimidade da família desfeita comercializando seu papel muito mal interpretado de pai (que logo será bem interpretado, isso tem tudo pra virar um filme, podem escrever) tornando pública a questão entre ambos os lados da família, abriu-se o direito da opinião pública. E tudo termina sendo uma grande palhaçada. Algo tipicamente de pessoa de muito mau caráter independente da nacionalidade.



terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Som na Caixa


O Sleepytime Gorilla Museum é um grupo que eu não conhecia e meu amigo Elton, do Heavy Metal com Cérebro, me mostrou hoje. Eu pirei nessa conjunção de metal pesado com instrumentos pouco afeitos ao rock. O resultado é esse som alucinante que está aí. E além de diversificar os instrumentos, o grupo conta com outra coisa que eu adoro e que penso fazer falta no rock: Mulher no vocal. Vale a pena ouvir.


Tira do dia

Depois ninguém entende porque muitos casamentos não sobrevivem até o ano novo? Talvez essa seja uma explicação.

Conhece o Fruta que Caiu?

Momento VA



Definitivamente, a Net, primeiro, e o You Tube depois, com sua permissividade aos vídeos caseiros mais esdrúxulos, são os maiores criadores e alimentadores de vergonhas alheias de todos os tempos. Eu não consigo pensar o que leva um cidadão com 23 pares de cromossomos a fazer uma coisa dessas.


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Som na Caixa


Interregno entre Natal e ano novo. Como se percebe, o blogue está em marcha lenta, afinal, o blogueiro merece uns dias a menos no CPU. Por isso, algumas sessões andam mio abandonadas. Mas nesse interstício entre o nascimento de Jesus e o nascimento do ano novo, o som é o excelente Bobby McFerrin conduzindo uma multidão cantando Ave Maria. Um dos vídeos mais emocionantes que eu já assisti.


domingo, 27 de dezembro de 2009

Um abraço pra minha mãe....


Hoje, nas tampas da madrugada, em meio a um jogo de futebol americano universitário, os bons narrador Everaldo Marques e comentarista Paulo Antunes, da ESPN, numa de suas divagações durante as jogadas da partida, citaram em passant o CD de pagode gravado pelo ex-lutador Maguila. Maguila sempre foi conhecido pelo seu jeito ingênuo e pelas frases espontâneas, algumas impróprias. Maldosamente falando, tornou-se um anti-ícone, um sujeito cujo curto raciocínio dava margem às piores gozações que se podia fazer. Como lutador foi mediano, mas incensado por gente como Luciano do Valle nos anos 80 e pelo seu jeitão xucro e inocente, angariou a simpatia de muita gente que torcia por ele. E o rapaz foi razoavelmente longe. Se tivesse batido Evander Hollyfield em 1989, enfrentaria o campeão Mike Tyson. Maguila não venceu e de lá pra frente, sua carreira foi decaindo. Penduradas, as luvas, Maguila participou de algumas entrevistas, envolveu-se em algumas confusões, mas seu jeitão de nordestino do interior teve o escárnio e a simpatia de mãos dadas.


Voltando ao tema do jogo de ontem, nem mesmo toda a simpatia que tem o velho Maguila faz pensar que um CD de pagode gravado pelo moço seja um sucesso como nos vende a propaganda. Muito pelo contrário. Quem em são consciência daria de presente um CD desses? Será que depois do lançamento do dróide Roberto Justus, alguém pensou que se poderia chegar mais ao fundo? Pois se a idéia era essa, meus parabéns. Como diz uma amigo meu, a tentativa restou frutífera. Maguila cantando pagode é pradoer os ouvidos de qualquer cidadão.

Mini-genocídio


Coisa estranha esse ataque contra brasileiros no Suriname. De repente, um país que fica no mesmo continente que o nosso, mas quase ninguém conhece aparece em nossos noticiários com uma notícia trágica dessa. A coisa toda teria sido motivada por um crime supostamente cometido por um brasileiro na cidade de Albina (o A no mapa à direita), na divisa com a Guiana Francesa e o ataque é uma represália. Pela descrição de algumas testemunhas, o negócio não deve em nada aos ataques genocidas em Ruanda. Com uma diferença, o número de brasileiros na pequena cidade do Suriname é muito menor. Albina, como foi dito, é uma pequena cidade de cinco mil habitantes e os brasileiros que vivem lá tiram sua renda do garimpo. Ou seja, a questão não me parece nada diferente dos paus que rolavam nas comunidades garimpeiras do norte do Brasil nos anos 70 e 80 em que se dava tiro por dez gramas de ouro. Se juntar a isso o fato da cidade ser pequena e o povo de lá ser de pavio curto, o caldeirão tá pronto. Ampliando um pouco mais, é preciso saber que o Suriname é um balaião com chineses, indianos, ameríndios, holandeses (que colonizaram o país) e negros que não tem lá uma coexistência muito pacífica. Agora com brasileiros que tentam vida nova lá, a coisa não deve ser muito fácil. Mas maiores e melhores informações virão. Basta esperar e procurar mídias certas que não apelem pro coitadismo contra os brasileiros.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Grande Prêmio de Ruanda


Pra quem acha que África é só miséria e Ruanda é só guerra, um vídeo 100% africano e genuinamente ruandense. Os efeitos especiais são tosquinhos, mas esse Grande Prêmio produzido pela escola Órfãos de Ruanda é sensacional e muito bem sacado.


Tem japonês no Galo

Saiu essa notícia no interessante blogue Futebol Caipira


O atacante japonês Kazu, de 42 anos, pode defender o XV de Jaú na Terceira Divisão do Paulista


Quem não se lembra do atacante japonês Kazu, que no início da década de 80, mas precisamente no ano de 1985, sob o comando do saudoso técnico Zé Duarte, defendeu a camisa do XV de Jaú no Campeonato Paulista? E fez o maior sucesso no interior de São Paulo!


Kazu fez tanto sucesso com a camisa do XV de Jaú que em 88 foi negociado com o Santos e defendeu a seleção japonesa. Mas quem pensa que o atacante japonês encerrou a carreira está enganado. Ele está jogando e pode retornar ao futebol paulista.


Aos 42 anos, Kazu, que atua no Yokohama Flugels, do futebol japonês, foi convidado pela diretoria o XV de Jaú para encerrar a carreira no clube. Ele ficou de dar uma resposta em janeiro e, se aceitar o convite, disputará o Campeonato Paulista da Terceira Divisão (Série A-3) e depois encerrará a carreira no futebol japonês, que começará somente em abril.


Comentário – Num tempo em que se fez uma celeuma sem tamanho em torno da vinda do italiano Vieri ao Botafogo de Ribeirão Preto, não vejo por que essa notícia da vinda do Kazu ao glorioso Galo da Comarca não possa ser saudada de forma positiva. Entre o italiano e o japonês, a vinda do segundo parece ser mais interessante. Uma por ser uma forma de trazer à mídia de novo um dos times mais tradicionais do nosso interior. Outra porque o próprio Kazu tem uma simpatia declarada pelo time jauense. Ele foi um dos primeiros futebolistas japoneses a atuar fora do País. Uma pena que em 1998, no auge de sua forma e quando o Japão disputou sua primeira Copa do Mundo, Kazu, que não é um mau jogador, tenha ficado de fora. Torço pra dar certo essa vinda.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Ele está de volta

Está certo! Schumacher vai voltar à Fórmula Um ano que vem pela Mercedes com 41 anos. Como candidatíssimo a título como outrora? Não, mas, certamente, não é alguém a ser desprezado. Primeiro porque a Mercedes é um bom carro e tem bons motores, tanto que era ela quem fornecia os motores para o campeão de 2007, Lewis Hamilton. Segundo porque o piloto no cockpit não é um Luca Badoer ou um Andrea de Cesaris, mas um heptacampeão recordista de tudo que se tem. E isso, para uma modalidade com muitos garotos, boa parte deles calouros, causa um certo rebuliço. Afinal, por melhor que seja, é muito mais fácil correr contra um Jenson Button do que contra um Schumacher. Assim, mesmo afastado da F1 há tento tempo, o alemão tem um dedo de favoritismo. Uma prévia disso, ele deu Florianópolis, numa corrida exibição de kart. Não serve como parâmetro, claro, mas dá pra se ter uma idéia de que o homem ainda pilota de forma competitiva.


Outra coisa a ser louvada é o fato de que, agora, a Fórmula Um volta a ter um cara que realmente chame a atenção. Ano passado, a temporada contava com três campeões: Alonso, Raikonen e Hamilton além do próprio Button, campeão mais tarde. Ainda que tivessem títulos, todos esses padecem de um mal que não é exclusivo de pilotos de automobilismo ou mesmo esportistas: A falta de um cara que tenha carisma, personalidade, do sujeito que conquiste mesmo sem ser o melhor, mas que todos querem que seja. Schumacher é esse cara. Se ano que vem, com ele nas pistas, haverá mais mil interessados em acompanhá-lo porque torcem por ele, querem ver ele ganhar corridas e um oitavo título, haverá, também, outros mil, mil e quinhentos que vão fazer figa pra ele enfiar o carro no muro porque o acham arrogante, trapaceiro e protegido. Para os organizadores e, principalmente, os patrocinadores do evento, serão, dois mil, dois mil e quinhentos assistentes e possíveis clientes a mais. Para uma modalidade que vive de dinheiro como a Fórmula Um, a volta de um herói tanto amado quanto odiado é um marketing e tanto.


Por parte deste que vos bloga, a volta do alemão é algo competitivamente bom (esportivamente, não porque automobilismo algum é esporte). Como torcedor que me tornei do Schumacher, estarei entre os mil que querem vê-lo campeão. E não só uma vez. O contrato com a Mercedes prevê três temporadas. Será cumprido até o fim? Não se sabe. A torcida dos fãs é que sim e que ele tire esse contrato pra ser decacampeão? Já pensou o melhor piloto de todos os tempos ser campeão com o dobro de títulos do segundo colocado? Por enquanto, a diferença entre eles é de dois.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Foto do dia

Juro que nem nos meus piores dias de escola, eu era tão criativo pra fazer algo assim. Um ótimo artista conceitual, mas que não sabe nem o teorema de Pitágoras nem as capitais da América do Sul....



Crime na livraria


Eu estou assustado. Houve uma verdadeira tentativa de homicídio na Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Um maluco, do nada, deu uma paulada na cabeça de outro sujeito. Quando vou pra Sampa, é um dos primeiros lugares aos quais quero ir. Os ares da Cultura – bem como os da Paulista – me fazem bem e eu me divirto lá como as piriguetes se divertem nos bailes funks. Sem querer me alongar mais sobre meus prazeres lítero-culturais na referida livraria, já que não ganho pra fazer merchan, o que me assusta é o fato desse tipo de coisa acontecer. Violência gratuita. Pelo que se andou vendo, o agressor era maluco mesmo. Transtornado que, caso a vítima faleça, terá o estado mental como atenuante e pode pegar um tratamento. Menos mal. O que deixa indignado é como a família de um sujeito desses, que parece ter antecedentes na mesma Livraria Cultura. Só sei que da próxima vez que eu for praqueles lados gastar meus caraminguás com livros, vou de capacete, colete a prova de bala e gás de pimenta. Só pra prevenir.

Três observações sobre o prêmio da FIFA

Ontem, Lionel Messi foi escolhido o melhor jogador do mundo segundo a FIFA, o que confirma o já sabido. O argentino foi eleito o melhor do mundo pela revista France Football e raramente ela e a FIFA deixam de falar a mesma língua. A fórmula da eleição é interessante e, se não toma pulsa de todo o mundo do futebol profissional, ouve sua parte mais representativa. Nela, técnicos e capitães de todas as seleções que compõem a entidade votam em três nomes, que não podem ser dos seus países. Dessa forma nem Maradona poderia votar em Messi nem Dunga em Kaká. Aliás... Nem Dunga nem Lúcio, o capitão da nossa seleção, votaram em Messi. Para nosso técnico, o melhor jogador do mundo é o espanhol Fernando Torres. Para Lúcio, Didier Drogba, marfinense a quem lhe caberá a marcação na Copa. A pergunta que fica é: Será que dói tanto aos brasileiros admitir que um argentino é melhor? Há algum tempo, quando perguntado, o presidente Lula disse que Messi era o melhor do mundo. Em resposta a isso, o goleiro Júlio César respondeu que era melhor, então, que o presidente se mudasse pra Argentina. Nacionalidade influi em qualidade? Esse tipo de comportamento infantil é pior que o dos argentinos que puxam a brasa pra sardinha do Maradona ao afirmar que ele é melhor que Pelé. E é sempre bom frisar... Não é a opinião da maioria dos hermanos. Só dos ufanistas idiotas como Lúcio e Dunga.


Messi foi o melhor do mundo porque fez uma temporada muito boa com a camisa do Barcelona. Se fosse contado apenas o que fez pela seleção argentina, não ganharia nem do melhor jogador de Guiné Bissau. De qualquer forma, seu ano foi muito feliz, o Barça ganhou tudo o que disputou e Messi teve participação decisiva com o Grand Finale na final do Mundial de Clubes sábado quando bateu o Estudiantes e Messi foi eleito o melhor jogador do torneio e da final. No entanto, penso que o melhor jogador do Barcelona no torneio não foi o Messi, mas sim o espanhol Pedro, que fez um belo gol na semifinal contra os mexicanos do Atlante e o gol de empate que culminou na reação do Barça rumo ao título. Pessoalmente, tenho uma grande simpatia pelo time catalão por vários motivos. Um pelo fato de se assumir um time mais catalão que espanhol e ser o orgulho de uma nação dentro de outra. Também por ser um time de torcida apaixonada que viveu mais de cem anos sem precisar de patrocínios em sua camisa. De certa forma, não precisa. E como se não bastasse, o clube, cujos associados, produtos licenciados, direito de imagem e outras fontes geram um receita violenta, além de contratações vultosas como Ronaldinho Gaúcho, Romário, Henry, Ibrahimovic, conta com uma inesgotável fábrica de craques. Nas canteras do Barcelona surgiu gente muito boa como os ídolos Iniesta, Xavi, o já citado Pedro (em quem é bom guardar atenção, esse menino ainda vai mais longe), o premiado Messi (que joga na base do Barça desde os treze anos) e o técnico e eterno ídolo da torcida Guardiola. Um time assim tem tudo pra dar certo. E dá.


Marta foi eleita pela quarta vez a melhor jogadora do mundo. Apesar do despeito infundado e da falta de reconhecimento do brasileiro às suas jogadoras, a alagoana conseguiu algo inédito desde que a FIFA instituiu a premiação. Nenhum atleta, desimportante o sexo, conseguiu ser eleita quatro vezes. Pode ser vir de alento às meninas para que se vença o machismo dominante e outras martas apareçam. Orgulho para o Brasil, que tem uma estrela reconhecida e para nós santistas, que tivemos por alguns meses esse talento a nosso serviço.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Foto do dia

Depois da loja onde se acha tudo, eu mostro por que eu fui até lá. Tinha jogado um aplicativo, dois programas e alguns documentos fora sem querer e a prefeitura deu um “Esvaziar Lixeira” sem eu saber. E ainda pediram caixinha. Ah, a criatividade desse povo...



Crônica da Semana

Hoje, mais um texto do Fernando Sabino. Crônica boa que eu fiquei feliz em ter reencontrado. Eu a li na oitava série e achá-la foi uma luta.


Televisão a dois


Ao chegar, ele via uma luz azul que se coava por baixo da porta para o corredor às escuras. Era enfiar a chave na fechadura e a luz se apagava. Na sala, punha a mão na televisão, só para se certificar: quente como desconfiava. Às vezes, ainda pressentia movimento na cozinha:

- Etelvina, é você?

A preta aparecia esfregando os olhos:

- Ouvi o senhor chegar... Quer um cafezinho?

Um dia ele abriu o jogo:

- Se você quiser ver televisão quando eu não estou em casa, pode ficar à vontade.

- Precisa não, doutor. Não gosto de televisão. Não gosto de televisão.

- E eu muito menos.

Solteirão, morando sozinho, pouco parava em casa. A pobre da cozinheira metida lá no seu quarto o dia inteiro, sozinha também, sem ter muito o que fazer...

Mas a verdade é que ele curtia o seu futebolzinho em vídeo-tape aos domingos, o noticiário todas as noites e mesmo um ou outro capítulo da novela, “só pra fazer sono”, como costumava dizer:

- Tenho horror de televisão.

Um dia Etelvina acabou concordando:

- Já que o senhor não se incomoda...

Não sabia que ia se arrepender tão cedo: ao chegar da rua, a luz azulada sob a porta já não se apagava quando introduzia a chave na fechadura. A princípio, ela ainda se erguia da ponta do sofá onde ousava se sentar muito erecta:

- Quer um cafezinho, doutor?

Com o tempo, ela foi deixando de se incomodar quando o patrão entrava, mal percebia sua presença. E ele ia se refugiar no quarto, a que se reduzira seu espaço útil dentro da casa. Se precisava ir até a sala para apanhar um livro, AL ousava acender a luz:

- Com licença...

Nem ao menos tinha mais liberdade de circular pelo apartamento em trajes menores, que era o que lhe restava de comodidade na solidão em que vivia: a preta lá na sala a noite toda, olhos pregados na televisão. Pouco a pouco, ela se punha cada vez mais à vontade já derreada no sofá, e se dando mesmo ao direito de só servir o jornal depois da novela das oito. E às vezes ele vinha para casa cada vez mais cedo, especialmente para ver determinado programa que lhe haviam recomendado, ficava sem jeito de estar ali olhando ao lado dela, sentados os dois como amiguinhos. Muito menos ousava perturbá-la, mudando o canal, se o que lhe interessava estava sendo mostrado em outra estação.

A solução do problema lhe surgiu um dia quando alguém muito espantado que ele não tivesse televisão em cores, sugeriu-lhe que comprasse uma:

- Etelvina, pode levar essa televisão lá para o seu quarto que hoje vai chegar outra para mim.

- Não precisava, doutor – disse ela mostrando os dentes, toda feliz.

Ele passou a ver tranquilamente o que quisesse na sua sala, em cores, e o que era melhor, de cuecas – quando não inteiramente nu, se bem o desejasse.

Até que uma noite teve a surpresa de ver a luz por debaixo da porta, ao chegar. Nem bem entrara e já não havia ninguém na sala, como antes – a televisão ainda quente. Foi à cozinha a pretexto de beber um copo d’água, esticou o olho lá para o quarto na área: a luz azulada, a preta entretida com a televisão certamente recém ligada.

Aquilo se repetiu algumas vezes, antes que resolvesse acabar com o abuso, afinal, ela já tinha a dela, que diabo. Entrou uma noite de supetão e flagrou a preta às gargalhadas com uma piada do Chico Anísio.

- Qual é, Etelvina? A sua quebrou?

Ela não teve jeito senão confessar, com sorriso encabulado:

- Colorido é tão mais bonito...

Desde então, a dúvida se instalou no seu espírito: não sabe se despede a empregada, se lhe confia o novo aparelho e traz de volta para a sala o antigo, se deixa que ela assista a seu lado os programas em cores. O que significa praticamente casar-se com ela, pois, segundo a mais moderna concepção de casamento, a verdadeira felicidade conjugal, consiste em ver televisão a dois.


Fernando Sabino

Isso, isso, isso




Ontem, no Pânico, eu fiquei de cara com essa matéria que a Sabrina, o Alfinete e o Zina fizeram sobre o protesto dos fãs do Chaves cobrando do SBT que a emissora transmita episódios mais “novos”, se é que um seriado dos anos 60 pode ter algo de novo. De qualquer forma, é mais uma das tantas constatações de como a criação do mexicano Roberto Gomes Bolaños é a mais cult da história da TV brasileira. Pra quem não sabe, Chaves é a versão brasileira para o mexicano El Chavo Del Ocho e veio para o Brasil em meados dos anos 80 pra compor a programação do programa do palhaço Bozo. Desde então, o personagem ganhou fãs e mais fãs de várias gerações com seu humor pastelão, inocente e agradável. A causa pela qual protestaram os fãs é justa. Quem vos fala é um fã assumido do seriado, o primeiro da família (e criticado por isso) e que terminou contagiando vários deles e eu digo; Assisto o Chaves desde que o SBT chegou aqui no Rincão, em 1991. Já vão quase vinte anos e os seriados que passam são rigorosamente os mesmos. É sabido que o repertório do SBT é maior do que o apresentado. “Renovar” não seria uma má idéia.


domingo, 20 de dezembro de 2009

Foto do dia

Aqui você acha de um tudo. Difícil é pesquisar e dar um clique.



Sessão Colírio

A adestradora, realmente, merece todos os aplausos. Até os leões marinhos se reuniram pra homenagear sua mestra. Mas tem um mais animadinho já querendo algo mais. Calma, my boy... Não é assim que as coisas funcionam.



Do fundo do baú

Foto sensacional essa trazida pelo ótimo blogue do Flavio Gomes, que conhece tudo e mais um pouco de automobilismo e automóveis. Eu sou fã de fotos antigas. E sempre que vejo documentários sobre corridas, quais que sejam, dos tempos do Bigode, eu me demoro a assistir. Aqueles caras, sim é que eram machos de correr sem nenhuma segurança, uma toquinha no lugar da capacete e a própria testa como pára-choque.



Sensatez israelense


Via de regra, não gosto do estado de Israel. Não por ser anti-semita, o que não sou de forma alguma. Não tenho nada contra os judeus, mas contra a atual política israelense tão segregacionista, preconceituosa e racista contra os vizinhos árabes quanto foram os nazistas contra os judeus. Mas concordo com a decisão dos israelenses, que querem impedir a canonização de Eugenio Paccelli, o Papa Pio XII. Pra quem não sabe, Pio XII esteve no Trono de Pedro durante os anos da II Guerra Mundial e, enquanto exerceu o Papado foi condescendente, pra não dizer cúmplice dos nazistas em sua perseguição aos judeus. Além de não ajudá-los, Paccelli entregou vários grupos de judeus fugidos à Itália de Mussolini. O principal motivo de sua ira anti-semita era o medo que o papa tinha do crescente comunismo soprado dos lados da URSS. Que não simpatizasse com o lado vermelho do mundo, compreende-se, afinal é comum da Igreja se posicionar ao lado da burguesia e das elites ao invés dos desvalidos que ela tanto diz defender, mas por conta de uma antipatia ideológica ser omisso e entregar inocentes para uma facção muito mais odienta, preconceituosa e despótica é algo mais que criminoso. Paccelli não seria o primeiro Papa de mãos sujas a ser santo visto que na antiguidade, o simples fato de ser Papa já garantia a canonização, mas o que este homem fez é condenável. Que o diabo o tenha ao lado de Hitler, Mussolini e de tantos outros crápulas que a história produziu.


Mais sobre esse interessante tema, fica a dica do livro O Papa de Hitler, de John Cornwell, em que o autor conta a história de Eugenio Paccelli, como ele subiu ao papado e como se tornou amigo dos católicos nazistas. Leitura obrigatória e consistente pra quem se interessa em saber o real papel da Igreja durante tão negros anos.