segunda-feira, 27 de abril de 2009

Mico da Semana



Essa semana aconteceu algo que boa parte das pessoas conscientes desse país queria ver. Sua Excrecência, o Supremo Juiz dos Ricos e Opressores Gilmar Mendes tomou, em plena sede do STF e diante das câmeras, uma enquadrada federal (com toda a pompa que o termo merece) do seu colega de toga Joaquim Barbosa.

A cena, a princípio vexosa uma vez que é estranho e bastante vulgar presenciar uma discussão acalorada entre juízes federais, guardiões da carta legal maior de nosso país, foi uma lavada na alma daqueles que, como eu, vêem Gilmar Mendes como um empecilho à construção de uma justiça realmente justa. O homem que desfez todo um trabalho primoroso da Polícia Federal ao libertar Daniel Dantas se viu afrontado pelo seu colega ao ser desafiado a sair às ruas e não tratá-lo como os capangas.

Gilmar Mendes, sim, destrói a credibilidade da casa máxima da Justiça brasileira. Ainda bem que alguém ousou confrontá-lo. Melhor ainda que foi aquele ministro eivado de credibilidade, que enquadrou seriamente os mensaleiros colocando partidários do presidente Lula, o presidente que o indicou ao posto e que agora causou um bom cisma. Luta de classes? Interesses políticos? Ideologias? Seja o que for, Joaquim Barbosa foi no STF a voz dos indignados com a justiça para os ricos. Resultado disso a popularidade conferida a Joaquim Barbosa e o mico da semana a Gilmar Mendes contra quem pesa acusações de violência e desmandos. A Justiça, ministro Gilmar, é pra todos. Ser juiz não lhe confere nada além do que o poder de provê-la aos que necessitam dela e não a quem pode pagar pelos melhores advogados. Acate o conselho de seu colega e saia à rua. Confronte sua popularidade junto aqueles que, mesmo sem entender de direito, se envergonham da sua atuação parcial junto aos ricos e aos poderosos. Como se vê, o poder também é questionado em sua aura máxima.


domingo, 26 de abril de 2009

Vídeo pro domingão

Um dos vídeos mais visto na Net nos últimos tempos tem sido o da caloura Susan Boyle, uma simpática senhora que não se encaixaria nos padrões convencionados de beleza, nunca beijou nem nunca foi casada e mora com seu gato. É uma típica moça do interior. Mora num vilarejo da Escócia e foi tentar a sorte no Britain’s Got Talent, o que vale ai Ídolos daqui. Para a surpresa da platéia e dos jurados, que esperavam ver mais uma daquelas peças caricatas, esta mulher simplesmente arrasou cantando I Dreamed a Dream dos Os Miseráveis. A confiança em si mesma de Susan nos bastidores é impressionante. O resultado foi vários queixos caídos e muitos aplausos. Dificilmente, a moça sobreviverá à rápida extinção de ídolos provindos de shows de calouro, mas ela conseguiu aproveitar bem os quinze minutos de fama e encantar quem pode desfrutar deles.



Comentário da final

E o Santos, contrariando a história, perdeu na Vila por 3-1 para o Corinthians. Um jogão de bola e uma participação efetiva do Ronaldo. Dois ataques e dois gols.

Chances o Santos ainda tem, mas são mínimas.

Como disse no post anterior, o Santos definiria sua vida jogando na Vila. O seu destino se selaria ali. Uma vitória ou, até mesmo, o 2-1 daria uma lufada de esperança na equipe. O terceiro gol do Ronaldo praticamente sepultou as possibilidades.

Não que o Santos tivesse jogado mal. Chances a equipe criou em profusão. Pode-se dizer que o time foi muito mais ofensivo que o Corinthians. Esbarrou, porém na boa tarde que o goleiro Felipe teve em operar milagres e na incompetência de seus atacantes, bons criadores, mas sofríveis finalizadores. Kleber Pereira, o homem a quem se atribui os gols do Santos cansou de ficar impedido. Na chance mais cristalina que teve cometeu o pior dos pecados de um atacante: Quis ser virtuoso. Deveria ter sido prático. Um chute ao invés de um toque e o Santos empataria a partida e o ânimo seria outro.

Fábio Costa, sem desmerecer o mérito dos atacantes do Corinthians, foi responsável por dois gols. Não entende que ao armar uma barreira para proteger um lado da baliza deve ele cuidar do outro. Fez companhia à barreira e deixou o espaço oposto aberto. Foi lá que Chicão abriu o placar. No outro estava adiantado. Goleiro adiantado para um Ronaldo, mesmo gordo, meia bomba ou num mau dia é presa fácil.

A segunda perna, em São Paulo, dificilmente verá algo diferente que não a homologação do resultado da ida e mais um título paulista para o Corinthians. O Santos terá algumas peças retornando ao time, mas a diferença é grande e mais do que a superação, será preciso talento e maturidade pra reverter tamanho estrago.

Mas... Clássicos são clássicos.

Palpitinhos

Depois da corrida de hoje no Bahrein, quatro provas fechadas, já dá pra fazer algumas conclusões, algumas precipitadas e outras passíveis de serem revertidas.

==> Rubinho Barrichello nasceu pra ser segundo piloto. Reclamava da preferência aberta da Ferrai para o Schumacher. Saiu de lá e, com carros parelhos, tem desempenho inferior ao de Jenson Button. Definitivamente, ele ocupa o mesmo papel que foi de Patrese e Berger em tempos idos, o do bom escudeiro que consegue resultados satisfatórios, nunca espetaculares.

==> A Ferrari, eterna abençoada pela sorte trazida pela competência, amarga um ano de vacas muito magras. Três pontos na quarta corrida para uma equipe que há anos vem disputando título é nada. Espera-se um “pacotão” de reformulações pra Espanha. Que venha com um carro novo, ferraduras, sal gorsso e figas. Até aqui o time de Maranello está irreconhecível.

==> Felipe Massa está ao sabor do insucesso da Ferrai. O piloto de quem se esperava um ano primoroso depois de perder o título na última curva de Interlagos brigou por posição com gente da Force Índia e tomou uma volta da Brawn. Pelo menos, ficou na frente dos ônibus indianos, mas ainda não sabe o que é pontuar em 2009.

==> Vettel começa a mostrar a que veio. O bom alemão da Red Bull evolui corrida a corrida junto com sua escuderia e, nesta era de KAS, pode brigar por título. Glock é outro que pode surpreender. Sangue novo na já manjada categoria.

==> Hamilton começa a acordar e hoje esteve sempre na caça do conterrâneo Button. Ele é a salvação da lavoura da McLaren. Kovalainen é fraco e ficou em décimo segundo lugar. Não conseguiu nem pontuar pra sua equipe.

==> Nelsinho Piquet tem sangue azul, mas o que lhe sobra no sobrenome lhe falta em competência e, até, em sorte. Infelizmente não durará muito na Renault. Enquanto isso, Alonso corre por fora na disputa de um possível título.

Choque alvinegro

Hoje é a primeira perna da final entre Santos e Corinthians. Clássico de excelência. Jogo em que o rei do futebol mais gostava de fazer gols e marco de grandes jejuns. O Santos ficou onze anos sem perder para o rival entre os 1957 e 1968, Jogo que já decidiu campeonatos brasileiros (vitória do Santos, show de Robinho) e paulistas (vantagem dos Santos). O clássico alvinegro é sempre muito emocionante pra ambos os lados. Se o Santos tem mais sucessos em finais contra o rival, o Corinthians, em números, absolutos, tem mais vitórias, 116 contra 92.

A história atual é menos gloriosa para o Santos, mas é incerta para o Corinthians, uma vez que ambos tem elencos muito parecidos, sem grandes diferenciais. A diferença, claro, pesa (literalmente) a favor do Corinthians. Ronaldo estará em campo e num lance pode desequilibrar toda a história. Do lado do Santos, Neymar começa a tomar personalidade de craque. Incensado por alguns gols contra equipes menores, no seu primeiro teste de fogo, justamente contra o Corinthians, passou despercebido em campo e o Santos perdeu.

Em jogos mata-mata, enquanto é regra dizer que o time que fecha a série em casa tem vantagem, me parece que maior vantagem está na mão de quem disputa a primeira partida como mandante. É o caso de hoje. O Santos joga na Vila Belmiro com apoio de sua torcida e pode repetir a história da semifinal quando conseguiu reverter contra o Palmeiras. Se sair da Vila com uma vitória toda pressão de vencer passa ao Corinthians e ao Santos cabe apenas administrar o resultado positivo.

Mesmo com times mais fracos face aos históricos, hoje se enfrentam duas camisas que pesam e muita coisa pode acontecer. Mesmo não sendo a final entre os melhores do campeonato, é a final e mesmo sendo de um torneio tão esvaziado tecnicamente como o Paulista, é uma taça. A taça que já opôs os dois rivais em momentos marcantes do futebol.

Mais informações sobre a história destes dois monumentos do futebol paulista aqui neste site (Vou procurar este livro).

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Tira da Semana - EXTRA

Eu não podia deixar passar essa.

Acho que as leoas também devem ter mais esportiva. Mais tira de Deus, Adão e outras figuras no bom Um Sábado Qualquer...

Tira da Semana


Quando o nego chega nesse estágio, melhor procurar um tratamento sério. Ou uma Igreja.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Mico da Semana


Poderia-se dizer que o mico desta semana não foi um mico, mas um frango. O gol que o goleiro do Santos, Fábio Costa, que já esteve nesta coluna, tomou sábado no Palestra só não foi totalmente desastroso porque o time praiano bateu o Palmeiras selando a vaga pra final. Aliás, neste jogo, mais vergonhosa foi a briga envolvendo o jogador Diego Souza do Palmeiras, que ensandecido e ingênuo partiu pra cima do zagueiro Domingos vencendo um bando de gente de verde que o tentou segurar. Já expulso, o atleta voltou a campo e agrediu o oponente. Certamente, não ficará impune.

Quem não ficou impune e recebeu sua resposta por falar mais o que devia foi o diretor de futebol do São Paulo Carlos Augusto de Barros e Silva,o Leco, que semana passada a protestar contra uma falta dura que o craque do Corinthians fizera, chamou Ronaldo de ex-jogador. Muito bem, o “ex-jogador” ontem simplesmente teve dois daqueles lampejos que os craques costumam ter. Nesses dois lampejos, Ronaldo fez os dois gols que eliminaram o São Paulo de Leco. Certo, Ronaldo não foi um gentleman ao se referir ao cartola usando até de palavras pouco recomendadas às transmissões televisivas. Mas releva-se o desabafo.

Não é de hoje que os jogos entre São Paulo e Corinthians provocam os nervos das duas torcidas. Historicamente, a rivalidade entre os clubes e notória e envolve um certo teor social. Do lado tricolor se coloca a endinheirada Zona Sul de Piratininga. Do lado do Corinthians temos a periférica Zona Leste. Luta de classes, torcidas acirradas e muita preocupação. O problema é quando a coisa se instala dentro dos escritórios onde os dirigentes deveriam se preocupar em focar a atenção no jogo e não dar declarações que mexam com os brios dos adversários.

Se é claro que Ronaldo cometeu uma falta grave e saiu ileso das regras, Leco, enquanto diretor de futebol deveria se ater aos seus afazeres que é manter o elenco, dar condições de melhores treinamentos para os atletas, sim, fazer com que a falta não dada fosse motivador pro time retomar a vantagem em casa. Fez o contrário. Ao chamar Ronaldo de ex-atleta, mexeu com os brios de um jogador que, mesmo não sendo o jogador espetáculo de anos atrás, ainda é um fator de desequilíbrio. Um descuido com o “ex-jogador” e o estrago está feito. Agora Ronaldo disputa a final enquanto Leco perdeu dos títulos disputáveis o menos importante, mas teoricamente o mais fácil. Para o torcedor são-paulino o Paulista pode não ter o mesmo significado de uma Libertadores, mas agora ganhar o torneio continental, mais que nunca, virou obrigação. Uma dica é alguém impedir que Leco dê declarações infelizes.

E para quem discordar disso tudo e achar que o Mico da Semana é mesmo o gol que o Fábio Costa tomou contra o Palmeiras, ei-lo para a diversão dos partidários. Boa inspiração pros corintianos e motivo de reza para os santistas. Que tenha sido o último frango do dono da camisa um.



Ainda sobre o tema

Já que falamos da segunda perna das semifinais vamos fazer um pouco de repercussão na final entre Santos e Corinthians.

Fato 1 – Ambos times se equivalem. Fora o Ronaldo, que mesmo gordo, cansado, não tendo mais o pique de outros tempos provou que ainda corre o bastante pra deixar sagüeiro na saudade, não há muita diferença entre os finalistas. Goleiro e zaga tanto de Santos como de Corinthians não são daqueles que se pode confiar de olhos fechados. Os ataques dos times são eficientes. Kleber Pereira é um bom finalizador. Ronaldo é Ronaldo. O Corinthians tem um desfalque importante: Dentinho está suspenso. O Santos tem suspenso o zagueiro Fabiano Eller.

Fato 2 – É uma série imprevisível.

Miniiiiiiiiiiiino

Olha só isso:

LADRÃO TENTA ASSALTAR MOÇA E ACABA SENDO ABUSADO SEXUALMENTE

Tudo começou na noite de 14 de março, quando Viktor, de 32 anos, resolveu invadir o salão de Olga, 28. Segundo o site Life, a moça, que treina artes marciais, fingiu que entregaria seu dinheiro quando surpreendeu Viktor desferindo um soco rápido em seu peito, fazendo-o cair no chão. Em seguida, usando um secador de cabelo, Olga amordaçou o bandido e o arrastou até uma sala reservada.

Curiosamente, segundo a matéria, Olga instruiu as outras funcionárias a continuarem trabalhando, dizendo que a polícia ia chegar em breve. Enfim, a polícia não foi chamada e Olga resolveu combater o crime de uma forma inusitada. A cabeleireira forçou o rapaz a tomar alguns comprimidos de Viagra e depois passou a abusar sexualmente dele por diversas vezes, durante dois dias.



Cada dia que passa o crime anda compensando mais e mais.

Quem mandou eu estudar?


sexta-feira, 17 de abril de 2009

Percebeu?

Uma observação rápida e o leitor vai ver que o blogue está de visual novo. Fiz isso porque depois de postar o vídeo de ontem, vi que ele atravessou o limite destinado a ele invadindo a faixa lateral onde estava foto e outros links. Como não é a primeira vez que acontece, resolvi mudar o layout da página. Agora está tudo mais aceitável. Vamos ver se nada mais atrapalha.

Boa música pra sexta

Aí vai, pra encerrar os serviços da sexta sem muitos assuntos relevantes pra se comentar, palpitar ou divagar, um vídeo com o sitarista Ravi Shankar. Participante do Woodstock, foi influência forte na fase psicodélica dos Beatles chegando a gravar um disco produzido por George Harrison. Como fã do instrumento e de música indiana bem antes da patuscada caricata que a Globo colocou no horário nobre, divido com o leitor este trecho do homem que está com quase noventa anos e ainda se apresenta por todo o mundo.


quinta-feira, 16 de abril de 2009

Momento VA



O que não faz a falta de senso de ridículo não faz, não é mesmo? Bem, pra acordar de manhã e assistir a ISTO não precisa de senso de ridículo. Muito menos de inteligência. Basta não ter absolutamente NADA pra fazer. Nem pra assistir.

Deprimente.


Lula no Fouth Pafk


Ontem, a série South Park, um dos desenhos mais politicamente incorretos de todos os tempos fez uma rápida homenagem ao nosso presidente Lula. Mesmo com uma breve fala (e uma mentira, oh meu pai!), o presidente divide espaço com outros chefes de Estado.

Relevando o fato do South Park ser uma verdadeira metralhadora desgovernada que atira contra minorias (um professor aparentemente homossexual, um cozinheiro negro e cheio dos encantos e do mel que atrai as mulheres, um menino judeu constante alvo de chacotas dentre outros eventos), dá pra levar o desenho na base da graça. Muitos não o fizeram. Isaac Hayes, o grande soulman que dublava o Chef já citado, por exemplo, se desligou da equipe quando houve uma piada com a cientologia, religião que professava. Assim, o que seria arma para os detratores do presidente, para os mais esclarecidos se transforma numa galhofa interessante que vira mais uma opção a quem não se agradar.

Mais informações na UOL


Degrau abaixo (2)



Mais um time tradicional do interior de São Paulo foi rebaixado. Depois do Guarani, de tantas glórias, cair para a segunda divisão e de Ferroviária, Juventus, Comercial e Portuguesa Santista terem caído para a terceira divisão, desta vez a vítima dos descensos foi a Internacional, de Limeira,, time que há 23 anos atrás conseguiu a façanha de ser o primeiro time do interior do Estado a erguer o troféu do Campeonato Paulista. Lá pra cá, a Inter sequer pareceu o time do título, enfrentou diversos rebaixamentos e acessos tanto m nível nacional quanto estadual e em 2009, foi jogada ao piso do futebol paulista.

Que o ano de 2010 seja de recuperação para a equipe que volte a honrar o interior. Que um trabalho sério seja começado e tenha visão a médio prazo. Não se sobre da quarta pra primeira divisão em um ano. Que os degraus sejam pisados com firmeza.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Degrau abaixo




Depois da primeira rodada das semifinais do campeonato paulista, quando os times que deviam reverter a vantagem conseguiram seu intento e agora jogam pelo empate na partida de volta, mais me chamou a atenção a reta final da série A-2 em São Paulo. Afinal, que os quatro grandes do Estado chegariam às semifinais era de se imaginar e a idéia de um deles não conseguir mais cheiraria a incompetência do que um acidente de percurso.

Mas a situação no andar de baixo do futebol paulista trouxe um lado do futebol nacional que junta a tristeza de torcidas locais com a dura realidade que vivem as equipes menores. Assim, neste domingo Juventus, Portuguesa Santista, Ferroviária, e Comercial de Ribeirão Preto, times tradicionais do cenário bandeirante que já andaram pela elite fazendo até bons papéis chegarão em 2010 na série A-3, a terceira divisão.

Pior papel fez o técnico do Comercial Pedro Santili, ex auxiliar técnico de Emerson Leão no Santos e no Corinthians, que agrediu o juiz com um upper digno de boxer na partida de ontem contra o Catanduvense. Agora corre o risco de ser suspenso do futebol. Justa punição para quem leva para o esporte o pior exemplo da violência. Péssimo destino para grandes nomes do futebol do interior, cada vez mais distanciado dos grandes tempos.

Mico da Semana


A notícia que mais chocou essa semana foi o terrível terremoto na região de Abruzzo, na Itália, e que arrasou a cidade de Áquila, cidade com igrejas e construções históricas, todas devastadas pelo tremo de mais de seis pontos na escala Richter.

Uma tragédia, sem dúvida. Como é de costume quando se dão esses cataclismos naturais, há ajuda humanitária de todos os lados do mundo e nessas horas pouco vale se o gesto é voluntário e descompromissado ou cheira a altruísmo de propaganda. Seja como for, a cantora Madonna doou para as vítimas do terremoto uma quantia estimada em 500 milhões de dólares. Algo bastante “substancial” como foi veiculado pela mídia. A popstar alegou que o fez porque o vilarejo de Pacentro, próximo à Áquila, é o local de onde vieram seus avós. Se marketing ou não, é um dinheiro bem vindo e útil.

Inútil foi mais uma declaração do premier italiano Silvio Berlusconi. Este cancro da política européia, que chama Barack Obama de “bronzeado” e se comparou dizendo ser “mais pálido” que o presidente dos Estados Unidos, cometeu mais uma gafe. No auge da tragédia, quando os bombeiros ainda procuravam sobreviventes e os mortos eram contando e enquanto os sobreviventes se alojavam em acampamentos, o rapaz comparou a situação dos desabrigados a um camping de fim de semana. Claro, tudo o que um desabrigado de um terremoto que perdeu tudo e pede aos céus pelas pessoas desaparecidas quer é acampar numa tenda provisória.

Berlusconi está para a Itália, mais ou menos, como Paulo Maluf está para o Brasil. Contra ele correm acusações fundadas de corrupção, politicamente vive de bravatas e frases que beiram o ridículo tocando fundo em preconceitos (como no caso do presidente dos EUA) e faz a alegria dos xenófobos italianos com suas políticas anti-imigração. E como Paulo Maluf, por mais incompetente que seja, Berlusconi tem eleitorado cativo e é eleito rotineiramente. Infelizmente, burrice política não é mesmo um mal exclusivo nosso. E infelizmente, um chefe de governo que fala tamanhas bobagens é querido no país. Fazer o quê?


quinta-feira, 9 de abril de 2009

Tira da Semana


Com a Net num cai-não-cai aqui em Prudente, nem sei como ontem consegui postar tanta coisa no blogue. Quando eu ia postar o fixo de quarta, a tira da semana, PUM, a Net deu pepino de novo. E já que ontem teve o fixo de terça, o site da semana, pra quinta fica o fixo de quarta. Foi melhor, pois a tira escolhida era muito boa, mas a de hoje, no ótimo Dr. Pepper, é melhor e adianta a Páscoa.

Embora brincar com o filho do Homem assim pareça heresia, a tira é boa. E tétrica.


quarta-feira, 8 de abril de 2009

Guerra na Ilha


Hoje tem jogão. Sport e Palmeiras medem forças na Ilha do Retiro pela Libertadores. Este torneio com times tão fracos e datas espaçadas demais (entre o último jogo das duas equipes pra este foi mais de um mês) nos presenteia com bons duelos como o de hoje e numa situação sui-generis. O Sport aparece como aparente favorito por jogar em casa e defende uma invencibilidade de 28 jogos além de ser líder do seu grupo com um pé na segunda fase. Do outro lado, mais tradicional, o Palmeiras está desesperado e joga sua classificação no torneio, uma vez que perdeu duas partidas e está na rosca.

O problema maior tem sido, pra variar, nos bastidores. Dirigentes do Sport bravatearam contra o Palmeiras e foram duramente rechaçados pelo técnico palmeirense. Ou seja, a coisa promete.

Na verdade, desde o ano passado, anda tendo um estranhamento muito grande entre equipes pernambucanas e as do eixo Rio – São Paulo. Primeiro com o lamentável incidente entra jogadores do Botafogo e a polícia pernambucana no jogo dos cariocas contra o Náutico. Depois as provocações de ambos lados na final da Copa do Brasil ente Sport e Corinthians. Agora isso. A torcida pernambucana, assim como a gaúcha, coloca no Sport, mais do que um time em campo, mas um sentimento quase patriótico, algo muito acima do futebol. Isso frente ao preconceito que muitos paulistas têm contra os nordestinos e temos um elemento inflamável pra um grande embate que transcenda o esporte.

Que não seja o caso hoje. A partida promete ser emocionante e tem fatores que farão do jogo uma grande disputa. Uma classificação provável contra uma desclassificação iminente, um semifinalista do campeonato regional mais forte do País contra um time invicto há longa data. Que a disputa não exceda as quatro linhas.

Acabou!

Finalmente acabou esse lixo que é o BBB e que sobrevive neste País graças à imposição viciante que a Globo nos empurra essa droga. Mais uma vez, durante três meses, doze completos desocupados ficaram confinados numa casa onde se tem tudo do bom e do melhor armando a melhor forma pra passar a perna um no outro para se conseguir uma dinheirama, um milhão de reais.

Não consigo acreditar que haja quem ainda procure o BBB, não como uma forma diversão, o que nem isso chega a ser, mas como algo de estudo, um tema pra sociologia. Peraí, pessoal, o que esse programa pode ter de sociológico? O interesse e a avidez pelo dinheiro oferecido? Talvez. A que nível chega o homem pra conseguir um quantum que pode lhe fazer mudar de vida, pagar seus maiores, inconfessáveis e inalcançáveis sonhos. Mostra o quanto uma pessoa pode ter duas caras, jurar amizade, amor e chamar de jogo o que pode ser um relacionamento? Sinceramente, não pode haver jogo entre pessoas. O BBB nada mais é do que uma grande farsa.

Como disse, o BBB não serve pra objeto de estudo sociológico uma vez que aquele amontoado está longe de representar uma célula social. São pessoas todas bem nascidas, bem moldadas. Não há ali uma pessoa que passe necessidade, uma história realmente marcante de vida. Só modelos artificiais, artistas fracassados e pessoas sem qualquer empatia que seqüentes edições a bel-prazer da “nave-mãe” são feitas pra favorecer os escolhidos da cúpula. Por dois anos seguidos, venceram pessoas “normais”. Qual a solução encontrada? Não deixar que elas participassem mais. Povo enfeia a TV, não tem silicone, não tem charme, não é bonito. Corre-se o risco de, mesmo de forma prosaica e simplória, haver pensamentos articulados. Perigo diante da proposta alienante que tem o programa. Nenhuma das vencedoras “populares” (duas mulheres) posou pra Playboy. É um investimento perdido. Povo só serve pra nos dar dinheiro e torcer. Não pra participar.

Não sei quem ganhou o BBB ontem. Pouco importa. Minha vida não mudará por isso. Torcer por alguém ali? Tenho uma vida pra cuidar e não posso me preocupar com um bando de desmiolados armando tramóias. Mas, pelo menos, acabou. Teremos mais oito meses pra pensar em outra coisa. Outras imbecilidades virão. Novelas aparecerão, modas despontarão e culturas milenares serão estereotipadas por autoras medíocres. Pelo menos, não teremos mais que agüentar o Pedro Bial, intelectual das Unifupis da vida, poeta de boteco e uma pessoa desprovida de qualquer talento, com sua cara redonda chamando pra dar uma espiadinha.



Vai dar espiadinha na puta que te pariu!


You wanted the best...


E ainda ontem teve show do Kiss em São Paulo. A banda mascarada arrastou 38 mil fãs para o Anhembi para mais uma apresentação da turnê que celebra 35 anos de uma das carreiras mais celebradas e mais rentáveis do rock.

Pessoalmente, com todo o respeito e admiração que tenho pelo Kiss, banda com quem aprendi a dar vazão ao meu gosto por rock, era um show que não me apeteceria ir, a princípio. Pensando melhor, eu até poderia ir para ver ao vivo um grupo que me agrada. E que certamente não cobra barato pelos seus shows.

Tem seus motivos. Além da música alto estilo, o Kiss consegue aliar tecnologia com performances que beiram o circense. E tome luzes, fogos, integrantes voando e o já lendário sangue vomitado pelo baixista, vocalista e linguarudo Gene Simmons. Nesse aspecto, não há mesmo banda pro Kiss, que consegue unir música e diversão despretensiosa.

O que me desagrada no atual Kiss é a formação. Ok, todo mundo sabe que a coluna cervical da banda sempre foram Gene Simmons e Paul Stanley enquanto uma guitarra e a bateria sofreram rodízio. Mesmo assim, sabendo que Eric Singer é muito melhor baterista que o original Peter Criss, que deve estar jogando damas com Charlie Watts no Asilo do Rock, e Eric Carr era tão bom guitarrista quanto Ace Frehley e que Tommy Thayer cumpre direitinho o papel, nada é tão bom quanto ouvir sua banda predileta na formação original. O nome Kiss está lá, a alma do grupo permanece a mesma e é forte o bastante pra carregar apaixonados pra vê-los, mas não me agradaria ver os Stones, por exemplo, sem o Charlie Watts nem o Ron Wood. Para a maioria dos fãs do Kiss, isso não importa. Ainda bem.