sexta-feira, 5 de março de 2010

Vai uma ilha grega aí?

A ideia dada por alguns políticos alemães da Grécia vender suas ilhas para saldar dívidas é de um mau gosto tremendo. Até o próprio premiê grego admitiu isso. E é verdade. A Grécia é, historicamente, um dos países mais pobres dentro da União Europeia junto com Portugal e Espanha. Formada por cerca de seis mil ilhas, algumas muito famosas como Creta e Santorini além de outras menores. As ilhas gregas são citadas em grandes obras como a Odisséia em que Homero viaja por algumas até voltar a Ítaca. Mas pondo fora a literatura e a riquíssima cultura grega, maior patrimônio do arquipélago helênico, e voltando aos dias de hoje, não há como não rir de proposta tão absurda.


A sugestão foi feita por Josef Schlarmann e Frank Schaeffler, políticos aliados da primeira ministra Ângela Merkel, neoliberal até o último fio de cabelo. O Bild, jornal alemão de grande circulação estampa a manchete grosseira “Vendam suas ilhas, seus gregos falidos – e a Acrópole também” que teria sido dito pelos amiguinhos da senhora Merkel. A proposta envolve as ilhas desabitadas do imenso arquipélago. O governo socialista grego refutou o absurdo.


É sabido que a Grécia atravessa um momento de crise em sua economia. O país tem índices sociais piores que seus sócios de União Europeia, mas nada que beire o absurdo de vender ilhas para saldar dívidas. É bom não perder de vista que, num passado não tão distante, a Alemanha enfrentou crises muito piores que a grega. Numa delas, com inflação absurda que foi resolvida por um certo maluco que depois resolveu invadir a Polônia, matar os judeus e pregava uma raça superior. Após apear o tal pirado, a Alemanha enfrentou outra grave crise econômica. E nem por isso precisou vender Munique, Hamburgo, Colônia ou outras cidades nem parte de seu território, agora dividido.


Crises econômicas acontecem mesmo em países mais abastados. Recentemente, diversas montadoras, sobretudo a gigantíssima GM, ficaram a um passo da bancarrota mostrando que o capitalismo é eivado de erros e quando suas bolhas explodem de tanto crescer, ao invés de jorrar moedas, jorram desemprego. E nessa hora, é o Estado, o nefando estado, aquele que cobra impostos e trava o crescimento que salva. Mesmo assim, em crise, os EUA não tiveram que vender o Alasca à China nem revendê-lo à Rússia nem o Havaí ao Japão.


Ainda que absurda, a ideia dos dois ultradireitistas alemães é perigosa. Dificilmente será levada a sério por políticos sérios ou governantes conscientes, mas é um precedente para que alguns desregulados tanto de quem sugere quanto de quem é sugerido acatar. No Brasil, isso seria deveras arriscado uma vez que políticos de direita adorariam fazer uma bela pechincha com territórios pouco povoados, sobretudo Amazônia.


Ponham as barbas de molho.



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