terça-feira, 2 de março de 2010

Eduardo e Mônica

Eu cresci ouvindo Legião Urbana, acho o Renato Russo o último grande compositor desse país. Hoje não ouço como ouvia antes, mas inegável que as letras do grupo marcaram uma fase decisiva da minha vida. Seja pela intensidade dos sentimentos seja pelo inigualável dom do Renato de musicar histórias com começo, meio e fim, coisa que eu só vi o Chico Buarque fazer com competência. E claro que se alguém conta uma história, sempre tem alguém que resolva ilustrar o que houve. Muito bem, um maluco resolveu criar uma animação de Eduardo e Mônica, a primeira história “cantada” pelo Legião. E ficou legal. Muito legal.

Esperando ansiosamente outro maluco desenhar, no mesmo estilo, Faroeste Caboclo. Alguém se habilita?


Só eu demorei pra associar o Ken na parte do “Quem um dia irádizer que não existe razão...”?

Xinga, mas não ofende


Se isso emputece qualquer cristão, imagina como não se sentiria um cachorro? Fala que a mãe é uma cadela, mas não fala isso!


Estás perdoado

Cara, eu achei essa tirinha do Um Sábado Qualquer perfeita. Interessante isso da Igreja, anos e anos e anos depois vir e falar que “perdoa” alguém. Perdão post-mortem serve de alguma coisa? Espero que, ao final da sua vida, Galileu tenha perdoado a Igreja. Isso seria bem mais relevante.



segunda-feira, 1 de março de 2010

Foto do dia

Semana dos viciados em Net. E a moça aí deu uma deixa ótima pra quem quiser segui-la.



Sensibilidade nota dez

Muito legal e tocante essa tirinha do Karlo, cartunista chileno, sobre os terremotos e o tsunami que aconteceram em seu país. Disse noutro tópico que os mortos não chegariam a mil. Já chegaram a 700. O pior no Chile não tem sido os terremotos, mas os crimes. Gente que saqueia áreas destruídas devia ser capada ou morta. É filhadaputice demais.



Novo escudo velho


Recomendei ontem que se esquecesse o escudo do Barueri uma vez que o Barueri, enquanto Grêmio, não existe mais desde sexta feira quando diretores do “time” e a prefeitura acertaram, por vias legais, a sua transferência. No entanto, o escudo permaneceu quase inalterado. O novo escudo do, agora, Grêmio Prudente é quase idêntico ao seu antecessor. Apenas a mudança da palavra central. Onde se lia Barueri está Grêmio. Pessoalmente, não gostei. É a prova cabal que o “time” é uma marca pouco preocupada em buscar identificação com sua nova “sede”. O escudo original, nas cores amarelo, vermelho e azul seguem as cores da bandeira da cidade de Barueri, o que é algo louvável para quem que leva emprestado o nome da cidade. Já que Barueri é passado e agora, a empresa dona da marca poderia mudar seu logo com algo mais próximo da sua nova sede, talvez usando as cores da bandeira de Prudente. Mas não, o nosso novo time tem cores que em nada lembram Prudente. Se por um lado nem o Oeste Paulista, time do Adriano, que foi o melhor representante do Rincão no incipiente futebol profissional local, usava das cores da cidade e nem o Tricolor da Vila Industrial também as usa, isso não quer dizer que deva ser regra

Crônica da Semana

Se tem um cara cujas crônicas eu gosto e reputo – não só eu – como o melhor cronista da literatura brasileira, esse cara se chama Rubem Braga. Ele é de um lirismo latente que deixa qualquer coisa, a mais cotidiana que seja, a mais prosaica de uma forma poética e entrega uma leitura deliciosa. Fiquem com uma das lindas obras dele.


Como comecei a escrever

Rubem Braga


Já contei em uma crônica a primeira vez que vi meu nome em letra de forma: foi no jornalzinho "O ltapemirim", órgão oficial do Grêmio Domingos Martins, dos alunos do colégio Pedro Palácios, de Cachoeiro de Itapemirim. O professor de Português passara uma composição "A Lágrima" — e meu trabalho foi julgado tão bom que mereceu a honra de ser publicado.


Eu ainda estava no curso secundário quando um de meus irmãos mais velhos — Armando — fundou em Cachoeiro um jornal que existe até hoje — o "Correio do Sul". Fui convidado a escrever alguma coisa, o que também aconteceu com meu irmão Newton, que fazia principalmente poemas.


Eu escrevia artigos e crônicas sobre assuntos os mais variados; no verão mandava da praia de Marataizes uma crônica regular, chamada "Correio Maratimba". Quando fui para o Rio (na verdade para Niterói) por volta dos 15 anos, mandava correspondência para o Correio. Continuei a fazer o mesmo em 1931, quando mudei para Belo Horizonte.


A essa altura meu irmão Newton trabalhava na redação do "Diário da Tarde" de Minas. Em começo de 1932 ele deixou o emprego e voltou para Cachoeiro; herdei seu lugar no jornal.


Passei então a escrever diária e efetivamente, e fui aprendendo a redigir com os profissionais como Octavio Xavier Ferreira e Newton Prates. Quando terminei meu curso de Direito, resolvi continuar trabalhando em jornal.


Fazia crônicas, reportagens e serviços de redação. Ainda em 1932 tive uma experiência bastante séria: fuI fazer reportagem na frente de guerra da Mantiqueira missão aventurosa porque a direção de meu jornal'era favorável à Revolução Constitucionalista dos paulistas, e eu estava na frente getulista. Acabei preso e mandado de volta.


A essa altura eu já era um profissional de imprensa, e nunca mais deixei de ser.