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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Pense nisso

Eu achei essa foto sensacional. Consta que esse cartaz circulou pela Espanha e seu texto está, obviamente, traduzido. Mas é de uma verdade inconteste diante desse mal que começa a ferver em vários lugares, não só na pátria de Cervantes.



Áurea, pero no mucho

Há 122 anos, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que sepultava definitivamente o escravismo no Brasil. Na verdade, ele já estava com os dias contados já que leis anteriores já salvavam do hediondo costume idosos e recém nascidos bem como o tráfico negreiro. Claro que isso não foi espontâneo nem nascido aqui. É sabido que no século XIX, a Inglaterra, com produtos industrializados precisando ser escoados e vendidos, já não simpatizava com escravos. Escravo não recebe salário nem consome então, como manda-chuva da política internacional da época, a ilha mandou acabar com essa pinga de escravos, de tráfego negreiro de gente apanhando nos troncos. O Brasil, eternamente subserviente aos desmandos de fora, acatou e no dia 13 de maio, a Princesa Isabel assinou a dita lei. Esqueceu-se, no entanto, Sua Alteza, de dar aos escravos algo mais que a liberdade: Dignidade. De repente, os escravos estavam livres e desempregados, despossuídos e desamparados. Trabalho nas fazendas só para os vindouros imigrantes europeus, mais qualificados que os negros, que nunca tiveram chance de progredir, só tiveram chicote. Em momento algum, nem a moribunda realeza nem a nascente República se preocuparam em encaixar os negros libertos numa sociedade predominantemente branca. O que sobrou a eles foi ficar nas cidades em habitações afastadas dos centros vivendo sempre à margem de uma sociedade que, por sua vez, foi ensinada para isso, sempre viu os negros como seres inferiores.


Nesses 122 anos, os negros lutaram e conseguiram muitos direitos e vêm conquistando muitas vitórias, sobretudo contra o preconceito. Ainda há muito para ser feito. Nesse aspecto, exigências como cotas raciais e outras tantas vem sendo discutidas. É sabido que há uma certa dívida moral da sociedade com os negros, mas bem mais sabido é que, mesmo com toda a consciência que se incuta nessa mesma sociedade e em elementos mais retrógrados dela, essa dívida não poderá – muito menos será – paga de uma vez só nem a curto prazo. Cotas raciais são um paliativo, jamais uma solução. Igualdade se conquista em passos e é preciso vencer obstáculos com suor. Igualdade dada por decretos se torna tão inválida e inócua como a Liberdade assinada pela Princesa Isabel. Os negros serão legalmente iguais como se tornaram igualmente livres, mas a prática será completamente diferente e cruel.

sábado, 13 de março de 2010

Um sorriso a menos

Angeli, de preto, e Laerte, lá atrás, de branco, para o último encontro presencial dos Três Amigos. Normalmente eram encontros divertidos que deixava alguma coisa de bom, uma piada que fosse. Ainda é meio foda pensar no crime, como aconteceu... Tudo. Quatro tiros no Glauco e no filho? E o cara parecia ser conhecido da família? Só não falo que esse é um mundo cão porque os cachorros não seriam capazes, nem se lhes fosse dado o dom da inteligência, do raciocínio, de pensar em algo tão nojento. Logo teve quem associasse ao crime ao chá do Santo Daime, fé que o cartunista professava. Balela... Gente sem qualidade não precisa de aditivos, de nada. Faz porque quer. Fica, pelo menos, uma recordação dos Três Amigos sorridentes, que é a lembrança que devemos guardar dos caras.



sábado, 27 de fevereiro de 2010

Tragédia acompanhada

Coisa feia esse terremoto no Chile. Não foi tão grave quanto o que aconteceu no Haiti, em que o país foi quase o epicentro do Haiti. Não creio que vá ter muitos mais mortos além dos já computados. Arrisco prever que não a cifra não chega aos quatro dígitos.


O mais impressionante foi o tsunami que veio depois e está sendo acompanhado em tempo real. Ele atingiu uma ilha do Havaí quinze horas depois do terremoto. O surpreendente é o acompanhamento em tempo real das ondas. Algumas já atingiram a Ilha Juan Fernandez, possessão chilena. Logo algumas mais altas baterão na ilha estadunidense. Que não causem tanta destruição.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Por homens e livros


Pesquisa diz que o brasileiro lê menos do que há dois anos. Uma pena, mas apenas reflexo de um tempo em que vivemos.Pode-se acusar o que for, a Internet, a televisão, o sistema. Na verdade, tudo junto e equacionado tem culpa nesse desinteresse, mas onde entram os professores nisso? É uma obrigação quase a que nossos docentes têm em incentivar nos alunos o hábito da leitura. E não a leitura cotidiana de jornais, revistas, blogues, úteis também, mas a leitura de livros mesmo. De papel. E não os abjetos romancinhos Júlia e Sabrina ou as sumidas (faz tempo que não vejo) histórias de faroeste que vinham naqueles livretos de bolso baratinhos. É livro mesmo. Digno do nome.


Minha geração, de trinta anos atrás, foi a última que saiu nos anos de ditadura militar. Na verdade, nem sabíamos disso. Quando éramos crianças, a ditadura já caducava e cairia cedo ou tarde, mas os reflexos da castração intelectual produzida pelos seus dias de vigor nos acompanharam e nos acompanharão pelo resto de nossas vidas. É algo pessoal, claro. Há os que amem ler como os que amam jogar bola, ir pra balada, encher a cara e por aí vai. Mas é um hábito que deve ser praticado, se não cotidianamente, com uma freqüência muito maior que é a de hoje. Infelizmente, tudo joga contra.


Hoje a ler um bom livro de Machado de Assis, só pra ficar num exemplo pessoal, que foi por onde comecei a tomar o gosto pela leitura, o moleque de dezesseis anos prefere ou ver os clipes da MTV ou assistir as trocentas bobagens que a TV oferece. E tome BBB, tome novela, tome filmes que pintam o hábito da leitura como algo vazio, algo sem sentido, quase um anti-exemplo. Me contaram de uma novela, um filme, um programa, sei lá, em que havia uma escola onde, para o aluno que transgredia regras, ele deveria ficar lendo um livro. Ou seja, de um prazer saudável e engrandecedor, a leitura virou um castigo, uma pena. Ou você se comporta ou vai ler.


E não há verdade mais absoluta que quem lê mais fala melhor, se comunica melhor, escreve melhor e, sobretudo, pensa melhor. Pode ter certeza que grandes escritores de qualquer nacionalidade eram leitores ávidos. De novo falando do meu professor Machado de Assis, tinha uma leitura tão vasta que seus livros eram verdadeiros diálogos entre seus personagens e as obras lidas por ele. Chico Buarque, um de nossos maiores compositores musicais e grande escritor, usava demais da literatura em suas letras (“Devolva o Neruda que você me tomou/E nunca leu”) mesmo na sua literatura. Sua adaptação d’Os Saltimbancos vem de Victor Hugo e seu livro Fazenda Modelo é baseado em A Revolução dos Bichos. Todo esse cabedal transformou o velho Francisco Buarque de Hollanda no Chico Buarque que conhecemos e admiramos.


Mas conhecemos e admiramos porque entendemos suas letras, que nem sempre são rebuscadas ou pedantes, apenas usam um vocabulário, digamos, mais intermediário e que não é compreendido pela massa, justamente pela falta de leitura. E quando falo massa, não me refiro a classes baixas, marginalizados. Acredite ou não, mas gente da nossa arrogante classe média é tão iletrada e tão funcional ou culturalmente analfabeta quando a “gentalha” que eles adoram esculachar. As pessoas de classes mais baixas têm como atenuante todas as dificuldades que a vida e sociedade lhe impõem. Os mais endinheirados um pouquinho o são por pura preguiça e descaso. E se orgulham disso. Já vi gente de mais grana dizer que ler é perda de tempo.


A pesquisa fala que o brasileiro também perdeu o interesse por programa culturais em geral como teatro e exposições. Dizer que são programas caros seria uma explicação plausível se não houvesse as ótimas iniciativas de entidades como o SESI ou o SESC, que trazem exposições e peças teatrais gratuitas ou a preços mais acessíveis. Pode não ser uma ida ao Guggenheim ou uma peça grandiosa, mas são tão boas quanto. Em Sampa, cansei de ir em ótimas exposições e em cenas teatrais que nada deixam a dever a uma congênere de duzentos paus a entrada. Infelizmente, a verdade é que, diferente das gerações anteriores, as atuais se acomodam demais diante da televisão e são catequizados numa forma de cultura mais pasteurizada, mais rasteiras. Daí saem as duplas sertanejas universitárias (que luxo, hein?) que adoram beber até cair, os grupinhos de rock que baseiam toda sua composição num refrão fácil que pegue e faça sucesso vendendo discos. Falar de rappers e de funqueiros poderia ser um ataque fácil, mas eles são apenas produtos do seu meio. E dentro da rap, vide Racionais MCs e outros, há quem faça verdadeira poesia dentro do estilo. Os funks são aquilo que acontecem nos bailes. Mas há quem consiga fugir do batidão cansativo e das letras descartáveis. Esses, infelizmente, não vendem, não passam na televisão nem chamam a atenção. Do que se conclui, definitivamente, que mesmo nas partes mais baixas de nossa sociedade há uma vontade de fugir da pior pobreza que existe, a de espírito, e indo atrás, mas essas têm menos chance de lutar contra as imposições culturais rasteiras dadas pelas grandes mídias, essas, sim, sinônimo de cultura para a maioria. Infelizmente.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Um aninho

Até coisa de um ano atrás, eu tinha um blogue com esse mesmo nome hospedado na UOL. A atualização dele era bastante esporádica, uma porque o espaço na UOL era muito complicado de lidar e as postagens sempre tinham um tamanho máximo. Pra mim, prolixo, ficava difícil cortar material para poder publicar.


Paralelo a isso, eu começava a engatar com mais regularidade o meu outro blogue de poesias, o Poesias em Dia, que já tinha pouco mais de um ano e passou 2008 largado ao sabor da minha inspiração e aos mandos da minha preguiça. Mas a experiência do Blogger era bem sucedida. Claro que o Poesias não exigia muita coisa. Bastava um texto previamente digitado e uma figura. Mas mesmo a postagem de arquivos era muito mais fácil no Blogger do que na UOL. Foi quando resolvi trazer o parado Comentários, Palpites e Divagações para o mesmo espaço. Trazer as postagens antigas da UOL pra este espaço, devido à minha ignorância com migração de blogue, foi impossível. A solução foi começar do zero. Com o passar do tempo achei no Blogger certos recursos que eu não tinha na UOL. E pela facilidade de manuseio, o novo CPD foi mais fácil de cuidar.


Nesse tempo, a Telefônica andou dando alguns paus, o blogueiro andou se desinteressando do ofício, mas eram raros os dias que, por vontade, o blogue ficou sem postagem. Às vezes, a culpa era a falta de assunto, mas com o costume do blogueiro de passear por outros tantos blogues, certas sessões enche-lingüiça foram criadas. Assim, o blogue raramente passava em branco.


“Esse tempo” fechou um ano ontem, dia 16 de fevereiro. Nesse dia ganhei simpáticos seguidores, a turma aí do lado, e aos poucos, comentários sobre as postagens foram aparecendo. Nada que lembrasse um Flavio Gomes, um Quartarollo ou um Lis Nassif, mas, graças a Deus, sem os chatos que só servem pra contra-argumentar idéias com bobagens. Os poucos que surgiram foram devidamente respondidos ou, quando abusaram do direito de falar besteira, foram censurados.


Que o Comentários sobreviva por mais vários anos. Que outros seguidores conheçam esse trabalho, que riam com as gracinhas que posto aqui como reflitam sobre a visão dos assuntos que posto. Um tanto heterodoxa, bastante radical, mas extremamente sincera e coerente com aquilo que acredita.


É isso aí.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Pausa na diversão

Fim de uma era com o fechamento do Parque da Mônica no Shopping Eldorado, em Pinheiros. Após dezessete anos, a pequena disneilândia brasileira com a turma de Maurício de Sousa encerra as atividades hoje, é uma pena.


Conheci o Parque da Mônica por fora quando morei em Sampa. Era grande dentro do imenso e portentoso Shopping na Avenida Rebouças. Ele foi um daqueles programas que eu sempre deixava pra lá, afinal, se eu morava em Sampa mesmo e, razoavelmente perto, no Butantã, o Parque podia ficar pro próximo fim de semana, que acabou não vindo.


As poucas coisas que sei do parque do Mônica eu soube por intermédio de pessoas que foram lá seja coordenando excursões, levando os filhos ou mesmo visitando e por depoimentos de pessoas fãs da turma da Mônica na comunidade do Orkut. Impensável para um marmanjo que, á época beirava os trinta anos, brincar nos brinquedos, mas que o lugar despertava uma certa nostalgia, isso é inegável.


Mauricio de Sousa é um cara que eu admiro e, de verdade, gostaria de lhe dar um abraço. Certa vez, numa entrevista no finado e interessante programa de entrevistas do João Gordo na MTV, a reverência que o roqueiro fez ao desenhista foi emocionante. Talvez eu fizesse o mesmo. Maurício é um cara que construiu a infância de várias gerações, a minha inclusive, trazendo fantasia e evoluindo com o tempo. Hoje não me agradam as histórias dos gibis da Mônica por serem certinhas demais e eu vir de uma época orgulhosamente politicamente incorreta. Conflito de gerações cristalino, mas entendo a necessidade só questiono o exagero.


Como todo grande desenhista e vivendo numa época em que tudo se transforma em produto e todo produto converte (ou deve se converter) em receita, Maurício soube capitalizar desde sempre a marca Turma da Mônica. Quem for mais velho vai se lembrar da propaganda do extrato de tomate Elefante, cujo garoto propaganda, Jotalhão, é estrela desde os anos 60 pela extinta Cica. Daí para brinquedos e outros produtos com a marca foi um pulo, desembocando no Parque da Mônica inaugurado em 1993 e acabando hoje. Há negociações para que o parque abra em um novo local. Que sejam frutíferas, e que este fechamento seja só uma pausa, pois é uma opção de lazer imprescindível para crianças mais e mais apegadas a computadores e de vida on-line cada vez mais incrustada.



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Mais uma baixa

Vixe, acabei de ler que o Charles Gavin, por motivos pessoais, se afastou dos Titãs. No seu lugar, Mario Fabre assume as baquetas. Não conheço o moço.


Charles entrou nos Titãs ainda no começo da banda substituindo André Jung, que foi para o Ira! e seguiu com a banda por quase toda sua carreira. Seus projetos paralelos envolviam a fantástica cruzada de produzir e remasterizar e relançar digitalmente discos antigos. Um dos seus “produtos” foram os dois discos do Secos e Molhados, grupo que lançou Ney Matogrosso nos anos 70. Um projeto maravilhoso que só um cara realmente apaixonado por música poderia encampar.


Pessoalmente, reputo que os Titãs virou uma banda zumbi, daquelas que perdeu coração, cérebro e alma. A alma se chama Arnaldo Antunes e foi o primeiro a deixar a banda virando um artista do solo de qualidade comprovada, mas um tanto inacessível para as massas. O cérebro se chamava Marcelo Frommer, que morreu num acidente. O coração se chama Nando Reis, melhor compositor do grupo e o de projetos solo mais bem sucedido. Tanto que entre seguir com a banda e seguir sozinho, optou pela coluna dois. Não tem o mesmo brilho dos tempos com o grupo, mas se segura. Quem sobrou, Branco Mello, Paulo Miklos e Sergio Brito nas vozes; Toni Belloto na guitarra e Charles Gavin na bateria, fazia um trabalho honesto, mas inegável aos velhos fãs do grupo que a coisa estava esvaziada. Ano passado, eles lançaram o bom disco Sacos Plásticos, mas que está longe de qualquer obra razoável dos anos 80 e há anos-luz de clássicos como Cabeça Dinossauro.


Com a saída de Charles, penso que seria mais digno seus colegas colocarem um ponto final na instituição Titãs. O grupo é um dos únicos sobreviventes da primeira geração de bandas de rock surgidas no começo dos anos 80 ao lado dos Paralamas do Sucesso. Seus contemporâneos ou se desfizeram por conta de mortes, caso da Legião Urbana, ou pro brigas internas, caso do Ira! e do RPM. Estar na estrada há quase trinta anos, ainda que com perdas naturais e forçadas é uma vitória para os paulistas. O grupo não precisa provar nada a ninguém. É grande pelo que fez e não precisa se auto-pulverizar dessa forma. Os fãs entenderiam um fim assumido.



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Em 1889

Pode apostar, se essa merda de revista existisse naquela época, essa seria a capa.



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Playing God




Deu n’o Estadão


Cientistas querem recriar raça extinta de boi gigante


De Milão para a BBC Brasil - Cientistas italianos querem criar um animal semelhante ao Auroque, um boi primitivo que media dois metros de altura, pesava quase uma tonelada e tinha chifres de 1,40 metro de comprimento.


Essa espécie de boi gigante, o Bos primigenius, também conhecido como Uro, surgiu no norte da Índia há dois milhões de anos. Ela foi declarada extinta em 1627, quando a última fêmea morreu nas florestas da Polônia.


Os italianos crêem que, por ser muito resistente a condições adversas como frio, calor e pouca oferta de alimento, o Auroque pode ser muito útil para a humanidade em tempos de aquecimento global.


Para "ressuscitar" o animal, os cientistas do Consórcio para a Experimentação, Divulgação e Aplicação de Biotecnologia Inovadora de Benevento, no Sul da Itália, pretendem cruzar três raças de bois similares ao Auroque até chegar a um exemplar com DNA quase igual ao dele.


A reconstrução de um DNA


As pesquisas com os fósseis do Auroque começaram em 1996. Depois de mapearem seu DNA a partir dos ossos, os cientistas identificaram quais raças atuais de bois mais se assemelham ao ancestral primitivo.


Os resultados dessa análise levaram a pesquisadora holandesa Henri Kerkdijk, do instituto Stiching Tauros, que também participa do projeto, a propor o cruzamento entre três raças: a italiana Maremmano Primitivo, a escocesa Scottish Highland e a espanhola Pajuna.


Os cientistas italianos estão agora contando os dias para o nascimento do primeiro exemplar gerado a partir do cruzamento das três raças. O bezerro deve nascer em fevereiro, na Holanda.


"Vamos reconstituir, passo a passo, a combinação genética do boi primitivo. Esse é um primeiro cruzamento de uma série. Esse animal recém-nascido vai nos dar material para usar em futuros cruzamentos", explicou Donato Matassino, diretor do Consórcio que encabeça o projeto.


(...)


Comentário – Por educação própria, eu me fio muito mais na ciência do que em crenças infundadas. A tal história do Credo quia absurdum (Creio porque é absurdo) não cola comigo. Mas a verdade é que de uns tempos pra cá (e verdade seja dita, o tal Jurassic Park ajudou com isso), a ciência anda tendo idéias sem contextualizá-las. Não sei se um boi de dois metros de altura na fauna européia teria um predador, alguém que o controlasse na natureza. É muito complicado os cientistas quererem “relançar” um novo animal que viveu em épocas muito passadas. É o tal perigo do homem se meter a querer reinventar. A idéia não é nada boa. Apenas uma criacionice que tem o intento de render dinheiro sem pensar em tantos outros fatores.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Despeito contra as sem-peito


Essa saiu no Blog do Ota:


E essa agora... a Austrália baniu os peitos pequenos. A medida para saber se um peito é pequeno ou não é se o peito cabe numa taça de vinho. Se tem um tamanho igual menor que uma laranja lima não pode mais. É mole? Isso deve ser um complô dessas clínicas de silicone pra forçar a mulherada a aumentar os seus peitos.


Bom, vamos à explicação. Isso vale para as revistas de mulépelada ou filmes pornô. As autoridades barram esses produtos, alegando que eles são um "estímulo à pedofilia". Mesmo que a modelo esteja beirando os 30, se tiver peitinho não pode aparecer pelada, porque com essa bitola fica simulando uma garota de menor. Só falta proibirem as xotas depiladas também, se é que já não proibiram.


Mais uma notícia que vai pra categoria "se você acha que já viu tudo quanto é absurdo, é porque ainda não leu esta". Que mal há em peitos pequenos? Acho que o problema tá mais na cabeça dos censores, e não dos pedófilos. Enfim, há um número considerável de mulheres adultas por aí que não se encaixariam na bitola permitida por lei na Austrália. São as remanescentes de uma época em que ter peito pequeno não era considerado out. Antigamente ninguém ligava muito pra isso, mas quando desde que se popularizou a cultura do silicone, a mulherada tem corrido em peso para as clínicas pra dar uma calibrada, e a maioria sem necessidade.


(...)


Comentário – Lógico que a coisa é factóide. O tipo de notícia que não faria subir o preço do dólar nem colocaria de sobreaviso as potências mundiais para que se evite a terceira guerra mundial, mas concordo com o Ota. Mesmo sendo o tipo “peitólatra”, o detalhe físico nunca me fez eliminar mulher numa hipotética escolha. Vivemos num mundo em que o físico prevalece demais. Num tempo em que mulher gorda é esculachada, é feia, é baranga, que seios pequenos são out, isso sem falar, claro, no padrão de beleza nórdico que nos é imposto cada vez mais. Não sei se isso é um lobby comandado por cirurgiões plásticos que querem aumentar mais ainda seus cofrinhos aumentado a peitaria da mulherada na ilha dos cangurus. A verdade é que o tal padrão estadunidense do large breasted woman se impôs de tal forma e correu o mundo todo com tal velocidade que ter peito pequeno parece ser algo feio. O que é interessante notar é a mudança dos tempos. Restringindo-se ao mercado de entretenimento adulto nos EUA, que movimenta e rende uma grana violenta na casa do bilhão de dólares, hoje uma das mais disputadas atrizes do metier é a bela morena Sasha Grey que foge dos padrões de pornstar: Primeiro pelos seios diminutos, depois por ser morena.


A explicação dada pelas autoridades de “estímulo à pedofilia” é algo que beira o absurdo. Uma forçação de barra astronômica e delirante. O culto ao silicone (que, como costumo brincar, deveria dar razão a nós, “peitólatras”, acionarmos o PROCON contra as recauchutadas via silicone ou via enchimento) implantou um padrão de beleza que, muitas vezes, incide frontalmente com a saúde feminina. Ou seja, as mulheres ficam peitudas artificialmente, mas sua formação física e óssea nem sempre suporta esse reforço na comissão de frente.


Enfim, acho que para um factóide, três parágrafos já vão demais. Que as australianas menos favorecidas pela natureza se unam contra isso e façam valer os seus direitos pela admiração ao natural, seja grande, pequeno, caído erguido. O mundo tem problemas demais, mas aceitar passivamente uma imposição absurda dessas é se curvar à modas que vem, vão e, como as ondas, movem areias e não criam nada de sólido.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

De novo, no mesmo lugar

Caraca, mais um tremor, dessa vez de 6.1 na escala Richter, abalou o Haiti. Pouco mais de uma semana e a história se repete. Decididamente, um país desse não pode sofrer tanto assim. Mais tristeza. Não se sabe ainda se houve vítimas nesse novo terremoto. Complicado saber, pois ainda se procura vítimas do anterior. Pra contrabalançar a triste notícia, foi animador ver que encontraram um bebê e que uma mulher idosa saiu viva dos escombros sete dias depois do terremoto. Estava cantando a velha senhora. Algo animador, sem dúvida, frente a mais essa triste notícia.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Divagações sobre o PHND

Há uma grande discussão sobre o tal Plano nacional de Direitos Humanos, o PNDH, que os tucaninhos e globistas chamam de revanchismo do PT, ataque à democracia e outras bobagens. Pessoalmente sou a favor.


Primeiro porque é preciso escancarar de vez a história. É preciso conhecer a voz dos torturados e dos que perderam familiares durante o regime militar. Recentemente, a Argentina, numa atitude corajosa fez o mesmo. Infelizmente, os principais responsáveis pela barbárie que foram os anos da ditadura militar não podem ser punidos pois morreram. Mas os responsáveis pela tortura, muitos estão aí e vivem como cidadãos honestos de ficha limpa. Devem ser punidos, sim. Fosse o Brasil, um país sério, a primeira coisa a ser feita quando houve a tal “volta à democracia” era colocar nos ferros todos os militares, que àquela época estavam vivos, caducos, presos às suas cadeiras de balanço, mas estavam vivos e nada arrependidos do que fizeram, pelo contrário, os torturadores, os subalternos e tratá-los como criminosos de guerra. Perdeu-se uma grande chance. A solução foi redigir uma Constituição traumatizada mais preocupada com a não repetição dos erros do que com a punição aos que erraram. Compreende-se, afinal a Carta Magna foi fruto de sua época. Mas agora não é preciso mais temer, é preciso enfrentar o monstro de frente. Ainda há cicatrizes e feridas abertas e ninguém se preocupa em resolver. Ainda teme-se os militares. Mais, ainda se respeita a instituição, o que é um erro.


Segundo. Há quem diga que o PNHD seja um AI-5 do PT. Mentira deslavada. Absurdo descabido. Nada é igual ao que foi o AI-5. O simples fato de se afastar o Poder Judiciário de socorrer os perseguidos políticos já mostra o quão despótico foi o ato. Em lugar nenhum no Plano há tal despautério. O que se propõe é um controle sobre os meios de comunicação. Necessário e urgente. Infelizmente, a imprensa acredita que democracia é falar o que se quer sem pagar por isso. Para ter sucesso de sua impunidade intelectual, essa mesma imprensa, cheia de cafajestes mau caracteres que a incham (Boris Casoy e Alexandre Garcia só pra ficar em exemplos ilustrativos de profissionais ligados ao regime militar e que ainda atuam de forma “isenta”), joga com a morosidade da Justiça, toda sua tramitação lenda e seus recursos jamais julgados. Isso permite que uma Globo manipule uma eleição presidencial. Que uma Editora Abril cuspa acusações infundadas em forma de notícia via seu panfleto ordinário Veja chamando sem-terras de ladrões, petistas de corruptos sem tem que provar isso, afinal, eles são donos da verdade absoluta e quem as contesta é tachado anacronicamente de comunista.


Em qualquer país sério existe um controle (e não uma censura) do que acontece na Imprensa. Mesmo assim, raposas matreiras e politicamente perigosas como a Fox nos EUA são ardilosas em mentir descaradamente. Dependendo de quem está por trás, esse controle vira censura. Foi o que George Bush fez em seu governo querendo calar vários opositores. Mas quando temos governos sérios e menos poluídos como o do presidente Lula, isso dificilmente aconteceria. É preciso saber controlar sem censurar, coisa que a direita nunca soube e a esquerda, em dados momentos, também exagerou.


Que se controle já a imprensa golpista que temos. Que se casse e se proíba gente preconceituosa e sem escrúpulos de dar vazão a suas demências. O PNHD é uma solução paliativa pra isso, mas para um começo, o melhor remédio.


Sobre o PHND, quem quiser conhece-lo, pode lê-lo na integra aqui

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Rei é rei

Se estivesse vivo, Elvis Presley faria 75 anos. Sem enveredar pela opinião tacanha e declaradamente republicana do Rei do Rock, atendo apenas à música não é preciso dizer que o homem era foda, com o perdão do meu francês. Pessoalmente, adoro o cara. É uma daquelas coisas que não se explica. Quando eu nasci, já fazia dois anos da morte dele e o cara continuava (como continua, ainda) cultuado. Em Memphis, seu museu Graceland é alvo de verdadeiras romarias.


E é quando aparecem lembranças dessas datas de nascimentos ou mortes dos artistas que eu me quedo pensando o que seria deles hoje se eles não tivessem morrido. Sei que o exercício do “se” é algo inglório. Mas pense como seria um Elvis, aos 75 anos, fazendo shows e turnês. Frank Sinatra, próximo a essa idade, fazia shows e arrastava multidões. Os Stones, quase septuagenários, estão na ativa. Pelos exemplos, é difícil não imaginar que Elvis estivesse. Melhor deixar todas essas viagens pra lá e curtir o velho Elvis no seu auge botando a casa abaixo com seu rock ainda cheio de blues como este Heartbreak Hotel.






terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Craque de volta

O Santos está para contratar o Giovanni, grande herói da Vila nos anos 90. Espera-se que ele seja o Petkovic do time. É uma aposta arriscada. Nem sempre um jogador mais veterano tem capacidade pra ser o leme do time como foi o sérvio no Flamengo ano passado. O que ajudou foi a boa fase do Adriano e um time guerreiro em campo. Não se descura do fato que Petkovic é craque mesmo. E Giovanni também. As semelhanças são maiores. Ambos têm uma grande identificação com os times. Pet, mesmo tendo jogado pelo Vasco e pelo Fluminense, é adorado pela torcida rubro-negra. Giovanni quase deu um título para o Santos em 95 e em 2005 liderou o time após a venda de Robinho sendo o principal craque para, depois, ser sacaneado pela diretoria. Gio está quatro anos mais velho, não tem mais as pernas de outrora, mas é craque e de uma inteligência tática de poucos. Se o Santos armar uma equipe razoavelmente qualificada, o homem poderá encerrar a carreira com chave de ouro.



segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Coisa feia...

Entrar no ano novo com uma tragédia como essa que aconteceu em Angra é realmente desagradável. Numa chuva, algo natural para a época do ano, a possibilidade de haver desmoronamentos é imensa, e eles acontecem. Sempre. Todo janeiro e fevereiro aparecem notícias de deslizamentos, a expressão “área de risco” volta a ser lembrada e normalmente quem perde casa e tudo que tem são pessoas de classe baixa, que vivem em encostas e em morros e que as chuvas levam. Aí acontece essa tragédia em Angra dos Reis, morre um punhado de gente e a defesa civil corre atrás de corpos que assustam cada vez que chega a notícia de mais vítimas. A comoção e a continuidade de notícia dessa vez é diferente, porque pela primeira vez a natureza deu, além da cabeça dos favelados, na cara da classe média. Muitos dos que perderam a vida tinham uma condição melhor. Uma menina, inclusive, tinha vídeo no You Tube e tal. Acabo de descobri, ela se chamava Yumi Faraci. Foi um acontecimento muito triste. Pipocaram histórias dramáticas, gente que perdeu a família toda e terá uma vida dilacerada. Mas é chato que a mídia faça esse auê em cima do fato por envolver a fatia mais interessante de seu público. Mas é assim mesmo. Quando as enchentes assolam Santa Catarina, as campanhas pra ajudar os desabrigados pipocam. Quando acontece no Maranhão resta apenas a pena e as orações.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Aloha 2010

Galera, vamos encerrar mais um ano. Esse lance de ficar desejando feliz ano novo e todos os clichês enfileirados segundo a ordem que melhor convir enche o saco. Desejo a todo mundo apenas muitas alegrias e que leve para 2010 apenas os acertos de 2009 e que os erros sejam convertidos em lições, experiência e, sobretudo, sabedoria. Como diria aquele meu amigo cobra de laboratório, o mundo dá muitas vodcas. Bebê-las e aproveitar delas o sabor e o prazer sem se deixar vencer pelo outro lado da moeda cabe a cada um que sabe que uma bela bebida tem seu lado bom, mas um contrapeso por demais negativo. Sendo assim, pessoal, que 2010 seja um ano com o melhor que o mundo possa oferecer. 2010 é ano de Copa do Mundo e de eleição. Assim, não coloquemos no congresso (com c minúsculo mesmo. Letra maiúscula significa deferência e respeito, o que essas casas não andam merecendo) nenhum peladeiro, nenhum mercenário daqueles que jura amor pelo time, beija a camisa mas faz corpo mole dentro de campo aparecendo só pra ganhar salário e bichos e sobretudo nenhum cartola. Futebol e política, não se discute. E, aprendam de uma vez por todas, não se misturam.


Foi uma breve mensagem, feia pra cacete, sem sentido e rasteira. Mas nos dias de hoje em que efeitos especiais escondem a pobreza da substância, uma volta ao simples se faz necessária. É preciso falar aos simples de forma simples. E jamais confundir simplicidade com burrice. Se Jesus, o maior orador de todos os tempos, falava em parábolas simples aos humildes e nosso presidente, homem simples como seu povo, usa e abusa de metáforas para chegar a eles e tem mais de 80% de aprovação, por que eu teria de ser pomposo?


Um 2010 com tudo de bom que sua vida possa querer.



quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Que belo exemplo de pai...

Acompanhando meio de longe essa história toda do menino Sean e seu pai estadunidense, chego a conclusão que o homem é um grande larápio. A família brasileira, que eu acho que devia ter lutado mais pelo menino, entregou o menino sem crises. Quer viver com seu pai que estava lá na puta que pariu (que, no fim das contas, é o que os Estados Unidos são) e resolveu brigar pelo filho só recentemente? Vai. O pai levou o menino pra lá (num vôo patrocinado pela NBC, vale lembrar). Pronto acabou. Apesar de relapso, ausente e estadunidense, é inalienável o direito do pai viver com o seu filho. Mesmo que seja nos EUA, no Brasil, na Somália ou no inferno. Ótimo, o filho foi viver com o pai, a família do pai num país supostamente desenvolvido (que é como vê a nossa classe mérdia). A coisa deveria ter acabado por aí. Sem mais notícia, sem entrevista chorosa no Fantástico ou no David Letterman. Acabou.


Mas, não satisfeito em vender toda essa história, que deveria ser de foro estritamente íntimo entre as famílias e as justiças dos dois países, para a NBC fazer dela um episódio desses dignos das márcias da vida. Depois de um Natal ao lado do filho que viveu o sonho de toda criança precocemente cooptada pelo capitalismo: um Natal com neve, meinha na parede e sapatinho na janela, o pai ressurge querendo cobrar 500 mil dólares da família brasileira. Ou seja, amor paternal passou longe. Não satisfeito em ganhar uma bolada da emissora que cobriu essa patuscada armada por ela mesma e da qual o pai quis participar como pobre coitado, o sujeito ainda quer deixar a família da ex-esposa devedora dele. Pergunta-se: Onde estava o pai exemplar que não lutou pela guarda da criança antes? O menino, como nascido em solo ianque, é reconhecido tanto pela constituição de lá como a de cá como cidadão dos EUA. Onde estava o instinto de pai desse camarada antes? Agora, a coisa é mais fácil. A família passa o filho de mão beijada a ele (que, mais uma vez, apesar de ser pilantra, dinheirista e estadunidense é o pai do menino e tem o direito legal da guarda do filho) e ainda tem que pagar? Cuida do menino, oferece educação, dignidade e condições de vida de uma família classe média do Rio de Janeiro, que se esforça ao máximo para macaquear o american way of life e ainda deve sair dessa palhaçada toda desembolsando uma pequena fortuna? Eu não tinha falado nada sobre esse caso antes porque é assunto de família, deveria ser tratado sob o mais rigoroso segredo de justiça e não é da alçada de ninguém ficar dando palpite. Mas desde a hora que esse sujeito chutou pra longe a intimidade da família desfeita comercializando seu papel muito mal interpretado de pai (que logo será bem interpretado, isso tem tudo pra virar um filme, podem escrever) tornando pública a questão entre ambos os lados da família, abriu-se o direito da opinião pública. E tudo termina sendo uma grande palhaçada. Algo tipicamente de pessoa de muito mau caráter independente da nacionalidade.