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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Áurea, pero no mucho

Há 122 anos, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que sepultava definitivamente o escravismo no Brasil. Na verdade, ele já estava com os dias contados já que leis anteriores já salvavam do hediondo costume idosos e recém nascidos bem como o tráfico negreiro. Claro que isso não foi espontâneo nem nascido aqui. É sabido que no século XIX, a Inglaterra, com produtos industrializados precisando ser escoados e vendidos, já não simpatizava com escravos. Escravo não recebe salário nem consome então, como manda-chuva da política internacional da época, a ilha mandou acabar com essa pinga de escravos, de tráfego negreiro de gente apanhando nos troncos. O Brasil, eternamente subserviente aos desmandos de fora, acatou e no dia 13 de maio, a Princesa Isabel assinou a dita lei. Esqueceu-se, no entanto, Sua Alteza, de dar aos escravos algo mais que a liberdade: Dignidade. De repente, os escravos estavam livres e desempregados, despossuídos e desamparados. Trabalho nas fazendas só para os vindouros imigrantes europeus, mais qualificados que os negros, que nunca tiveram chance de progredir, só tiveram chicote. Em momento algum, nem a moribunda realeza nem a nascente República se preocuparam em encaixar os negros libertos numa sociedade predominantemente branca. O que sobrou a eles foi ficar nas cidades em habitações afastadas dos centros vivendo sempre à margem de uma sociedade que, por sua vez, foi ensinada para isso, sempre viu os negros como seres inferiores.


Nesses 122 anos, os negros lutaram e conseguiram muitos direitos e vêm conquistando muitas vitórias, sobretudo contra o preconceito. Ainda há muito para ser feito. Nesse aspecto, exigências como cotas raciais e outras tantas vem sendo discutidas. É sabido que há uma certa dívida moral da sociedade com os negros, mas bem mais sabido é que, mesmo com toda a consciência que se incuta nessa mesma sociedade e em elementos mais retrógrados dela, essa dívida não poderá – muito menos será – paga de uma vez só nem a curto prazo. Cotas raciais são um paliativo, jamais uma solução. Igualdade se conquista em passos e é preciso vencer obstáculos com suor. Igualdade dada por decretos se torna tão inválida e inócua como a Liberdade assinada pela Princesa Isabel. Os negros serão legalmente iguais como se tornaram igualmente livres, mas a prática será completamente diferente e cruel.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Que seja eterno enquanto dure

Em reviravolta judicial, Maluf é condenado por compra superfaturada de frangos


O deputado Paulo Maluf (PP) foi condenado ontem (26) pela 7ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo por improbidade administrativa em uma ação impetrada pelo Ministério Público Estadual. No documento, Maluf era acusado de superfaturar a compra de frangos enquanto era prefeito de São Paulo.


A ação pede devolução do dinheiro aos cofres públicos ao acusar superfaturamento na compra de 1,4 tonelada de frango, em julho de 1996, por R$ 1,39 milhão, da empresa de sua mulher. O caso tornou-se um dos mais polêmicos envolvendo a gestão de Maluf.


Comentário – Sei que a chance disso restar bem sucedido e do cara ser condenado definitivamente e sem direito a qualquer apelação ‘mínima. Maluf tem ótimos advogados, verdadeiros heróis e amigos nos tribunais. Mas que é gostoso ler que o Maluf andou tomando tinta na Justiça, ainda que seja coisa passageira e logo ele se safa, é deveras divertido.



domingo, 25 de abril de 2010

Acontece... Que bom!

Touro chifra toureiro espanhol no México; estado de saúde é grave


Um dos toureiros mais famosos da Espanha Jose Tomas ficou gravemente ferido no México, quando o touro Navegante, de 500 quilos, o acertou com os chifres e o lançou no ar.


Segundo seu empresário, Salvador Boix, o chifre do touro penetrou dez centímetros na virilha de Tomas, atingindo uma veia e uma artéria. O toureiro perdeu muito sangue e foi levado ao hospital da cidade de Aguascalientes.


Tomas tem um tipo raro de sangue, A negativo, e sangrou tanto que os organizadores do evento pediram pelos alto-falantes por doadores.


Os médicos da arena operaram Tomas, 34, imediatamente para estabilizar seu estado de saúde. O toureiro passou por outra cirurgia no hospital, que durou mais de três horas.


Comentário – De boa? Bem feito! Toureiro e peão de rodeio tem mais é que se estrepar. Tourada é uma das maiores barbáries que existem. É maravilhoso ver quando o principal ator dessa carnificina sente na pele o mal que faz aos animais.



sexta-feira, 23 de abril de 2010

Já vai tarde

Cezar Peluso toma posse como novo presidente do STF


O ministro Cezar Peluso toma posse no final da tarde desta sexta-feira (23) como novo presidente Supremo Tribunal Federal (STF). Carlos Ayres Britto, que deixou ontem a Presidência do Tribunal Superior Eleitoral, será o vice-presidente. Peluso substitui o ministro Gilmar Mendes nos próximos dois anos.


Comentário - Só uma coisa pode ser dita sobre isso: GRAÇAS A DEUS acabou o período de ditadura no STF. Não houve ministro melhor representativo do atraso que o Gilmar Mendes. Trapalhão, claramente parcial a favor das elites e prepotente, o pistoleiro do Mato Grosso e adorado pelos tucanos conseguiu jogar o pouco de credibilidade que a instituição-mor da Justiça tinha na lama. Por sorte, ele encontrou no próprio STF gente que lhe peitasse a arrogância, o ministro Joaquim Barbosa. Não que Peluso seja uma revolução para a Justiça brasileira. Não acredito em mudanças radicais vindas do alto escalão numa seara conhecidamente conservadora, mas qualquer um dos ministros tem mais credibilidade para encabeçar o STF. Gilmar Mendes, uma das tantas “obras” do governo FHC mostrou para o Brasil como é a justiça que sonha a elite. Mas, repito, GRAÇAS A DEUS, acabou!



Certo, mano!

Mano Brown é um cara poltizado e esclarecido, mas meio avesso a dar entrevistas e a ficar divagando sobre assuntos fora de sua alçada. Ou seja, é uma espécie de anti-Caetano. Mas numa de suas poucas aparições diante das câmeras, o rapper resolveu dar uma breve opinião sobre o José Serra. E saiu isso:




Seria uma catástrofe!


quinta-feira, 15 de abril de 2010

Aqui, não!

Saiu na UOL


Prefeitura do Rio proíbe "pulseiras do sexo" e bonés em escolas públicas


A Secretaria Municipal de Educação do Rio baniu o uso das "pulseiras do sexo" e boné ou similar entre alunos das escolas da rede pública. O veto dos adereços foi publicado nesta quinta-feira no Diário Oficial do município. (...)


Com a decisão da Prefeitura do Rio, agora somam ao menos seis cidades em que é proibido o uso das "pulseiras do sexo". As outras cidades que também baniram o adereço são: Manaus, Campo Grande e Londrina, onde está proibido a venda e o uso. Além de Maringá (PR) e Navegantes (SC), onde o uso das pulseiras está proibido nas escolas.


As pulseiras surgiram na Inglaterra e, recentemente, viraram mania no Brasil. O enfeite também é usado em um "jogo". Quem arrebenta o acessório recebe uma retribuição sexual da dona da pulseira. Se ela for roxa, vale beijo de língua; a preta, sexo.


Comentário – A ideia, lógico, é válida. Eu já vi várias meninas de, pelo menos, uns treze anos até uns dezoito ou dezenove usando esse adorno que não é dos feios, é apenas uma pulseirinha fininha e fácil de arrebentar. O problema todo está na semiótica da coisa, com cada cor tendo seu respectivo significado. Interpretado por esse viés, a “brincadeira” deve, sim ser coibida e afastada, pelo menos, das escolas, locais que deveriam ser utilizados estritamente para a educação e instrução dos alunos bem como um meio de socialização. O problema, nessa proibição é o poder de sedução da clandestinidade, que tem no adolescente um grande alvo, e sua criatividade. É difícil acreditar que, banida esta moda das escolas, mentes hábeis e criativas não lancem mão de outra moda com qualquer outro tipo de significação. Estes elementos somados à facilidade de comunicação entre os jovens se espalhariam rapidamente por entre as escolas. Inevitável. Não se condena aqui o uso das pulseirinhas como mera decoração (e já vi crianças as usando sem, supostamente, saber o que elas queriam dizer), mas sim o uso delas bem como o seu significado em lugares mais formais como a escola. De resto, cabe aos pais, primeiro, e aos professores, como apoio, prestar esclarecimentos aos adolescentes sobre todos os prazeres e perigos que o sexo proporciona bem como a forma de lidar com eles. Mas a prefeitura do Rio, como a de outras cidades que baniram o uso da pulseirinha nas escolas, acertou em cheio nessa proibição.



segunda-feira, 12 de abril de 2010

Ninguém merece

Para comemorar os cinqüenta anos de Renato Russo, que foi lembrado aqui com um clipe, foi lançado um disco de duetos em que o líder do Legião Urbana “divide” o microfone com quinze artistas. As aspas caem bem uma vez que das quinze faixas, sete são duetos mandraques, interpolações musicais que juntou gente de qualidade como Cassia Eller e Zélia Duncan com gravações anteriores do Trovador Solitário. Picaretagem das grossas. Para ficar num exemplo, Renato e Cassia “cantam” Vento no Litoral.mesclando uma fita gravada por ele em 1991 com a voz dela direto de um tributo gravado em 1999. Oito anos de diferença são casados com um arranjo instrumental novo e bem trabalhado. Algo que cheira comercial demais.


Há qualidade em alguns duetos frankenstein. Adriana Calcanhotto “canta” com Renato a sua Esquadros e Leila Pinheiro divide Solitudine. Bonitas apesar de nunca terem acontecido de fato. Há momentos esquecíveis também. Renato e Caetano com Change Partners, ainda que arrasem no inglês, não convence e o duo com Laura Pausini em Strani Amori consegue ser mais piegas que as versões dos dois separadas.


Mas há ainda duetos reais, esses gravados em fitas base ou em registros ao vivo. Renato e Herbert Vianna cantando Nada por Mim, de um especial de 1988 do Legião e dos Paralamas é bem legal. Destaque ao dueto surreal entre Renato e o velho Dorival Caymmi, de 1994 cantando Só Louco. Um encontro impensável entre o rock esclarecido e musicalmente maleável de Renato com um dos grandes ícones da MPB. Outro destaque é a gravação entre Marisa Monte e Renato de Celeste ou Soul Parsifal, composição da dupla que entrou no último disco de estúdio da Legião. Mas o resultado final, apesar da curiosidade e de boas pérolas, o disco atende sua idéia primeira, a de vender copias com novidades e com pretensas inovações. Um insulto contra os fãs de Renato.



Agora?

Deu na UOL:

Marta relembra eleições de 2008 e pede desculpas a Kassab

A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) se desculpou pela propaganda eleitoral de 2008 na qual questionou se o prefeito da capital, Gilberto Kassab (DEM), era casado ou tinha filhos, em entrevista ao programa "É Notícia" (RedeTV!), exibido na madrugada desta segunda.


Comentário – É grandioso e sábio da ex-prefeita pedir desculpas pelo erro. Mas, como todo pedido de desculpa, esse também não muda a história e é tão inútil quanto o pedido de desculpas pela Igreja a Galileu ou aos mortos na Inquisição. Em política, mais ainda, isso não serve de nada. Marta foi uma boa prefeita para São Paulo e fez muito pelos necessitados, para quem os políticos, enquanto detentores do Poder Público e da Máquina que regula o Estado, deveriam trabalhar. Mas foi de uma arrogância e de uma prepotência sem iguais na campanha de 2008. O fato dela ter usado contra o Kassab um tom negativo envolvendo os homoafetivos, por quem ela lutou outrora, transformou-a numa vilã. Tenho dúvidas sobre seu futuro político. Competente, a sexóloga é, mas sua atitude pequena e desprezível lhe marcou definitvamente.



sexta-feira, 26 de março de 2010

Puta ideia legal

Saiu na UOL:


Prostitutas francesas defendem direito de serem profissionais liberais autônomas


Trabalhadores do sexo marcharam pelas ruas de Paris para protestar contra um projeto que pretende legalizar os bordéis na França. Eles argumentam que a lei poderia impedir a liberdade das prostitutas de trabalharem por conta própria.


Um político do partido governista francês propôs reabrir os bordéis após seis décadas em que eles foram banidos do país. Seria uma medida para tirar as prostitutas das ruas e permitir que as trabalhadoras (e trabalhadores) do sexo tivessem direito a proteção legal, médica e financeira.


Comentário – Pode parecer bobo, mas tai uma coisa que eu defendo seriamente e que, em muitos países, é algo legalizado. Prostituição, pela Constituição, não é crime. Estamos falando de Brasil. Cafetinagem, sim. Uma coisa é fato. Proibida, segregada, estigmatizada, marginalizada ou criticada, a prostituição jamais deixará de existir como existe desde sempre. Talvez a liberação de “casas de prostituição” como existe na Holanda “os cafés em que se permite o uso de drogas bem como a cessão de direitos para as moças (e moços) desse meio seria uma forma de proteger tanto os profissionais quanto os clientes. Repito, pode parecer um grande absurdo, mas uma espécie de OAB, de CRM dos trabalhadores do sexo seria um órgão que se pautaria segundo uma ética profissional e cuidaria dos interesses da “catiguria”. Insisto, a ideia não é de todo ruim por mais absurda e ofensiva que possa parecer. Além do mais, antes de serem “trabalhadores do sexo”, estamos lidando com cidadãos que lutam por seus direitos. Num país mais a frente, caso da França, e apesar dos imbecis e dos Le Pen da vida, isso é consideravelmente pesado a favor.



segunda-feira, 22 de março de 2010

Finalmente

Começa hoje o julgamento do casal Nardoni, pai e madrasta, acusado de matar a menina Isabela, de cinco anos, crime bárbaro acontecido em 2008. É muito complicado emitir opiniões mais incisivas numa situação dessas, embora todas as evidências apontem para a culpa dos acusados. Dois anos após o crime, tanto acusação quanto defesa tiveram tempo mais que necessário para a apresentação embasada e convincente das suas teses. Do meu parco conhecimento jurídico, fica a torcida pela condenação do casal. Nada mais selvagem do que um pai assassinar uma filha com a ajuda de sua esposa, a segunda. Só se exige que a Justiça seja célere, sem embargos inúteis e que o Júri, entidade composta por leigos, não se deixe levar por passionalidades ou pressões externas. Esse caso não pode ser fechado de forma displicente ou tratado com pouco caso. Claro que outras isabelas existem longe dos condomínios e sofrem iguais violências esquecidas pela mídia. Mas que o caso emblemático se resolva de forma justa.



domingo, 21 de março de 2010

Grande Ayrton


Se estivesse vivo, Ayrton Senna comemoraria hoje 50 anos. O piloto mais querido do automobilismo brasileiro mitificou-se graças a sua morte trágica na curva Tamburello naquele domingo de primeiro de maio em 94 e também a necessidade que esse país tem de heróis. Ciente dessa mania, a Globo transformou seu garoto propaganda num ídolo quase inquestionável e fez do Tema da Vitória um segundo hino nacional.

Não sou fã de Ayrton. Remando contra a maré, sou um dos poucos que começou a acompanhar a Formula Um mais interessado após a morte de Ayrton, que fez muitos desgostarem da categoria. Como piloto, reputo-o como um dos melhores, sem dúvida, mas depois de alguns outros, inclusive Nelson Piquet, que também foi tricampeão, mas vencendo competição interna dentro da própria equipe, coisa que Senna nunca teve já que ele exigia ser o primeiro sempre e ter o melhor carro sempre.

Mas minha admiração por Ayrton transcende o piloto por episódios marcantes que extrapola o óbvio das corridas. E pra mim, esse momento em que Senna salva a vida do seu colega de volante Eric Comas, o faz Ayrton um cara acima da média. Muito melhor que ser campeão é ser ser humano. E, nesse ponto, Ayrton era acima da média. A Fórmula Um criou outros pilotos muito melhores que Senna, mas viu poucos com sua entrega ao próximo.


quinta-feira, 18 de março de 2010

Oa males do excesso de liberdade

Esse vídeo saiu na UOL e fala sobre o ex deputado Afanásio Jazadji defendendo a pena de morte num dado crime .Alguém ainda dá crédito para esse homem? Nem os eleitores querem mais essa imundície. Tanto que não foi eleito, não é deputado e, para ser lembrado, é preciso que fale suas bobagens num programa do SBT que, diga-se de passagem, como emissora definha cada dia mais. Que o Ministério Público corra atrás desse caso, puna exemplarmente esse filhote da ditadura e também à emissora, que veicula de forma irresponsável esse tipo de manifestação irracional. Mordaça aos animais que defendem a selvageria em forma de lei, já!




terça-feira, 16 de março de 2010

Ditadurinha de araque

Sabe quem são essas mulheres? São as Damas de Branco, que protestaram em Cuba a favor dos presos políticos da ilha dos Castro. Elas são esposas e familiares de 75 presos há sete anos e resolveram protestar contra essas prisões. E foram devidamente criticadas por favoráveis ao regime castrista.


Por que essa foto? Pra calar a boca dos imbecis que falam que Cuba é uma ditadura que reprime manifestações contra o regime. Essas mulheres não sofreram repressão nenhuma e ainda foram criticadas publicamente. Quer mais demonstração de democracia que isso? Vai pros EUA e critica contra a Guerra no Afeganistão. A polícia te mostrará a golpes de porrete como é ser democrático.


Esses Castros não sabem ser ditadores. Hunf!



sábado, 13 de março de 2010

Um sorriso a menos

Angeli, de preto, e Laerte, lá atrás, de branco, para o último encontro presencial dos Três Amigos. Normalmente eram encontros divertidos que deixava alguma coisa de bom, uma piada que fosse. Ainda é meio foda pensar no crime, como aconteceu... Tudo. Quatro tiros no Glauco e no filho? E o cara parecia ser conhecido da família? Só não falo que esse é um mundo cão porque os cachorros não seriam capazes, nem se lhes fosse dado o dom da inteligência, do raciocínio, de pensar em algo tão nojento. Logo teve quem associasse ao crime ao chá do Santo Daime, fé que o cartunista professava. Balela... Gente sem qualidade não precisa de aditivos, de nada. Faz porque quer. Fica, pelo menos, uma recordação dos Três Amigos sorridentes, que é a lembrança que devemos guardar dos caras.



quarta-feira, 10 de março de 2010

Pelo fim da Sessão das Dez

Muito legal esse projeto de lei que tramita na Câmara Municipal de São Paulo propondo que os jogos de futebol acabem antes das onze e quinze da noite, pomposamente 23:15. A lei de autoria de Antonio Goulart e Agnaldo Timóteo (sim, ele mesmo) passou na primeira votação e irá para a segunda. É um projeto de lei válido. Os jogos da noite começam às dez horas da noite e acabam à meia noite. Problema grave para quem precisa trabalhar no dia seguinte e mora longe dos estádios. Pense um jogo no Morumbi e o sujeito que mora em Santana ou na Penha voltando pra casa de carro, ou pior, de ônibus. Esse horário absurdo é imposto pela dona Rede Globo que, para não ter que cortar um pedaço da novela ou do Jornal Nacional, obriga a FPF a marcar os jogos de sua competição no horário que melhor lhe convém. A FPF ameaça com retaliações. Caso a lei passe, os jogos sairão de São Paulo.


Está na hora dos clubes, promotores do espetáculo futebol, se organizarem de forma séria e profissional em âmbito estadual e nacional e baterem na mesa. A Federação Paulista nada mais é que uma intermediária que agencia mal e porcamente sua competição usando pesos e medidas diferentes a torto e a direito e a vende por migalhas Na Inglaterra, a Premier League é vendida por quantias bilionárias. Para fazer valer o preço que estipula, a entidade, dirigida diretamente por clubes, agrada tanto os telespectadores com transmissões próprias e muito bem cuidadas quanto os torcedores de estádio. Resultado, os jogos na Inglaterra têm lotação esgotada. O dinheiro, rateado, permite que clubes ingleses contratem o fino do futebol mundial, o que faz valer ainda mais seu já caríssimo produto.


Os clubes deveriam mostrar força diante da FPF e impor sua importância no papel que exerce. Não são eles que jogam? Que mandem a Rede Globo cortar a última parte da novela (o que seria uma bênção já que não dá pra extirpá-la de vez, o ideal) ou adequar a sua programação aos jogos. Um dia na semana não seria de mau tom. Mas enquanto o amadorismo reinar, o epíteto de país do futebol ficará cada dia mais vago e sem sentido. E não se pode deixar que uma emissora de qualidade questionável e caráter duvidoso mande e desmande. Futebol é torcida no campo, vibração e empolgação in loco. O torcedor de casa se agrada mais vendo um estádio cheio.

terça-feira, 9 de março de 2010

Na falta de assunto melhor...

Penso que as eliminações dos reality shows, principalmente, o BBB, devam ser a hora mais aguardada para a maioria das revistas masculinas. Muito bem, a primeira a sair foi a tal da Tesália, que ficou famosa por fazer o famoso “bola-gato” num dos participantes. O começo de sua fama repentina, talvez o auge, se deu nesse mês com seu ensaio para a mais famosa das revistas masculinas. Essa história toda dessa moça foi um teste de hipocrisia que doeu nos nervos. Mas contou, também, com o lado da própria. Ou ela tinha esquecido que havia câmeras na casa toda, inclusive no quarto? Não sei nem quero saber. Algumas fotos da moça já foram disponibilizadas na Internet e eu já vi a revista. Sinceramente, eu me surpreendo. A mulher não tem sex appeal nenhum, mas esteve no Big Brother e tem uma carinha bonita, pra quem eu não sei. No meu sistema de aprovação de belezas femininas, aquele que simula a possibilidade de encontrar uma mulher supostamente bonita no Calçadão da Maffei ou em qualquer rua e me fazer virar o pescoço e segui-la com os olhos, a tal Tesália não passou nem na primeira fase.



domingo, 7 de março de 2010

And the Oscar goes to...

Hoje é dia do Oscar, a grande festa da sétima arte em Hollywood e tal. Pessoalmente, não gosto da cerimônia nem mesmo do prêmio. Tentam reviver algo, um brilho que não existe mais. Talvez porque não haja mais filmes clássicos ou épicos dignos de tantos oscares como havia antigamente.

A industria cinematográfica de hoje pouco se preocupa com atuações, com roteiros, com o lado humano do negócio. O principal filme da noite, com nove indicações ao Oscar, é Avatar, um filme de roteiro meloso, básico, mas recheado de efeitos gráficos. Ao seu lado, Guerra ao Terror também conta com nove indicações, mas mostra a incurável mania dos estadunidenses de se registrarem como os guardiões do mundo, os heróis civilizadores. Um como o outro são filmes medianos.


Pior que isso é a apresentação. Numa cerimônia tediosa, arrastada, falsamente glamurosa e cheias de premiações descabidas, o Oscar é transmitido para todo mundo, embora pareça que os roteiristas e os organizadores da festa se esqueçam disso. As piadas, aquele típico humor ianque cheio de gagues sem graça, mas que fazem rir os comedores de hambúrgueres bem como os macaqueadores do Tio Sam são locais demais, elitistas demais e dane-se que alguém nos cafundós da China ou do Brasil assista aquilo. Eles têm que assistir e bater palmas, mas não entender.


Mas há um filme interessante na premiação hoje. Recomendo Precious, que conta a história de uma adolescente negra, analfabeta e obesa que vive o diabo com sua família no Harlem. Pelos trailers que vi, é um que merece ganhar o Oscar. Apesar do Lenny Kravitz, o Carlinhos Brown dos EUA.



sexta-feira, 5 de março de 2010

Vai uma ilha grega aí?

A ideia dada por alguns políticos alemães da Grécia vender suas ilhas para saldar dívidas é de um mau gosto tremendo. Até o próprio premiê grego admitiu isso. E é verdade. A Grécia é, historicamente, um dos países mais pobres dentro da União Europeia junto com Portugal e Espanha. Formada por cerca de seis mil ilhas, algumas muito famosas como Creta e Santorini além de outras menores. As ilhas gregas são citadas em grandes obras como a Odisséia em que Homero viaja por algumas até voltar a Ítaca. Mas pondo fora a literatura e a riquíssima cultura grega, maior patrimônio do arquipélago helênico, e voltando aos dias de hoje, não há como não rir de proposta tão absurda.


A sugestão foi feita por Josef Schlarmann e Frank Schaeffler, políticos aliados da primeira ministra Ângela Merkel, neoliberal até o último fio de cabelo. O Bild, jornal alemão de grande circulação estampa a manchete grosseira “Vendam suas ilhas, seus gregos falidos – e a Acrópole também” que teria sido dito pelos amiguinhos da senhora Merkel. A proposta envolve as ilhas desabitadas do imenso arquipélago. O governo socialista grego refutou o absurdo.


É sabido que a Grécia atravessa um momento de crise em sua economia. O país tem índices sociais piores que seus sócios de União Europeia, mas nada que beire o absurdo de vender ilhas para saldar dívidas. É bom não perder de vista que, num passado não tão distante, a Alemanha enfrentou crises muito piores que a grega. Numa delas, com inflação absurda que foi resolvida por um certo maluco que depois resolveu invadir a Polônia, matar os judeus e pregava uma raça superior. Após apear o tal pirado, a Alemanha enfrentou outra grave crise econômica. E nem por isso precisou vender Munique, Hamburgo, Colônia ou outras cidades nem parte de seu território, agora dividido.


Crises econômicas acontecem mesmo em países mais abastados. Recentemente, diversas montadoras, sobretudo a gigantíssima GM, ficaram a um passo da bancarrota mostrando que o capitalismo é eivado de erros e quando suas bolhas explodem de tanto crescer, ao invés de jorrar moedas, jorram desemprego. E nessa hora, é o Estado, o nefando estado, aquele que cobra impostos e trava o crescimento que salva. Mesmo assim, em crise, os EUA não tiveram que vender o Alasca à China nem revendê-lo à Rússia nem o Havaí ao Japão.


Ainda que absurda, a ideia dos dois ultradireitistas alemães é perigosa. Dificilmente será levada a sério por políticos sérios ou governantes conscientes, mas é um precedente para que alguns desregulados tanto de quem sugere quanto de quem é sugerido acatar. No Brasil, isso seria deveras arriscado uma vez que políticos de direita adorariam fazer uma bela pechincha com territórios pouco povoados, sobretudo Amazônia.


Ponham as barbas de molho.



quinta-feira, 4 de março de 2010

Vai entender

Soninha Francine é uma mulher por quem eu tenho, ao mesmo tempo, admiração e decepção. Admiração porque eu não vi melhor VJ na MTV dos meus tempos, mais consciente e apresentadora tão boa quanto ela. Também é, de longe, a mulher da imprensa que mais entende de futebol. Muito mais que muitos homens. Palmeirense convicta, Soninha escreve textos muito legais sobre o esporte na Folha sem clubismo e saindo do óbvio em que muitos cronistas homens, ditos entendidos do riscado, se debatem sem rumo.


A decepção foi ver que a mulher tão versada em imprensa cultural e futebol resolveu se enveredar pelos lados da política. A porta da frente para Soninha foi o PT e ela apareceu com ideias interessantes, defendendo sempre a reciclagem e propostas ambientais bem como a defesa dos direitos aos gays e lésbicas. Essa visão trouxe diversos simpatizantes e fez com que ela tivesse um início político sendo eleita vereadora em 2004. Aí, ela saiu do PT e foi para o PPS, o partido socialista mais burguês de todos os tempos. Aliada da direita brasileira, Soninha apoiou o prefeito eleito Gilberto Kassab, que a nomeou sub-prefeita na Lapa, e mudou de lado. Da centro esquerda que a recebeu, tornou-se uma moça de direita. Seu apoio ao governador José Serra, palmeirense como ela, mas homem forte do PSDB é garantido.


Em março, Soninha posou para a Playboy e irritou o pré-candidato do tucanato. Por que não se sabe. Soninha tem fortes chances de sair candidata para o governo de São Paulo pelo seu PPS. Soninha não é uma mulher feia. Claro que ela está produzida e a foto está trabalhada. Mas é uma pena ver uma mulher como ela, com potencial, com boas ideias se bandeando para o outro lado. Não que isso seja um erro, afinal em política cada um escolhe o lado que melhor lhe apetece, mas porque mudar radicalmente? Soninha se despiu da fantasia muito antes de se despir para a revista. Engraçado como uma nudez agrada e a outra irrita os neoliberais de bico.



terça-feira, 2 de março de 2010

Estás perdoado

Cara, eu achei essa tirinha do Um Sábado Qualquer perfeita. Interessante isso da Igreja, anos e anos e anos depois vir e falar que “perdoa” alguém. Perdão post-mortem serve de alguma coisa? Espero que, ao final da sua vida, Galileu tenha perdoado a Igreja. Isso seria bem mais relevante.