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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Besteira israelense

Coisa feia isso que aconteceu em Israel. O exército do país atacou uma frota turca que levava ajuda a região de Gaza. Fala-se em 19 mortos. O assalto se deu por mar e por ar.e provocou uma grande celeuma diplomática entre os dois países. A Turquia, como seus vizinhos, é um país de maioria muçulmana. A grande diferença é que é um país laico, ou seja, não há interferência religiosa como na maioria dos países islâmicos. Prova disso é que a Turquia reconhece a soberania do Estado de Israel recebendo embaixada da nação judia.


O fato causou indignação na comunidade internacional. A Europa exigiu providências, os países árabes classificaram o ataque como brutal e covarde e os EUA lamentam o fato. A verdade é que o governo israelense anda cada vez menos tolerante com a população palestina em suas fronteiras ou nas adjacências. Grande erro. Os recentes governantes de Israel andam avesso a diplomacia. Mas agora o erro foi com um dos poucos aliados com alguma influência entre seus inimigos. Vamos ver quais são os desdobramentos do fato.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Questão resolvida

Essa foto com o presidente Lula, o presidente Ahmadinejad e o premier da Turquia mostra que, mais uma vez, nosso estadista barbudo conseguiu uma grande vitória no jogo político internacional. Graças a ele, o Irã tnão vai mais enriquecer combustível radioativo em seu território. E usará o material enriquecido na Turquia para a medicina. Vai vingar? Não se sabe, mas certamente, depois dessa história toda, o presidente Lula saiu, mais uma vez, fortalecido. Especialistas dos EUA já avisaram que duvidam da idoneidade do Irã. Claro, tinha que ter os urubus pra por questão. O que vale é que Lula conseguiu na base da negociação o que o mundo queria na base da ameaça. Saiu-se muito bem o presidente iraniano que, agora, conseguiu um aliado de peso que deixou a platéia rica e poderosa calada e agourando.

domingo, 16 de maio de 2010

O cara!

A visita do presidente Lula ao Irã desperta muito interesse da bancada internacional. Há quem diga que seja a última chance de convencer o Irã a cessar seus testes nucleares e evitar possíveis sanções contra a terra dos aiatolás.


Desde que subiu à presidência, sempre confiei no Lula como um grande negociante, um sujeito que sabe transigir como endurecer na dose certa dos dois lados. Resultado disso é que desde então o Brasil vem ocupando destacado papel no cenário internacional exercendo o papel de liderança regional, que sempre foi exigido por todos os presidentes brasileiros, mas jamais exercido de fato. Sempre houve mais subserviência que atitude.


Pessoalmente, creio que o programa nuclear iraniano, se realmente voltado para fins pacíficos, não tenha nada contra o qual se objetar. Claro que poderio nuclear nas mãos de um cara meio tantã como Ahmadinejad assusta a comunidade internacional. Mas essa mesma comunidade internacional nunca se pôs em tamanho alerta durante os oito anos em que outro tantã – esse sim, com muito mais poderio e menos bom senso – chamado George W Bush presidiu os EUA. Ahmadinejad prega contra Israel? Bush achava que todo muçulmano era um terrorista em potencial. Ahmadinejad nega o Holocausto? Bush destruiu dois países. Tudo sem usar armas nucleares, mas mesmo assim mandou às cucuias soberanias de Estado. Então qual o medo do presidente iraniano que poderia fazer estrago menor. Se fizesse, porque o cara pode até ser maluco, mas burro ele não é. Ele sabe muito bem o quanto um mau uso de armas nucleares custaria ao Irã em todos os campos.


A visita de Lula ao Irã, antes de tudo, visa mais as relações bilaterais entre os países, o que, por si, seria um grande ganho. O Irã é uma economia de destaque dentro do cenário asiático e uma das mais fortes dentro do Oriente Médio, uma indústria razoavelmente sólida além de um mercado a ser explorado. Não é obrigação do Lula dizer a outro presidente o que fazer. Mas nosso barbudo sabe o papel que exerce na política e na diplomacia internacional. Valer-se dessa importância pode ser um trunfo a mais para o presidente brasileiro. O sucesso obtido por vias diplomáticas será mais uma vitória do Brasil que, diferente dos macacos do Norte, não precisam usar da força bélica ou econômica. Ademais, o país sairá ganhando um parceiro forte na economia.



segunda-feira, 26 de abril de 2010

Lá no Sudão


Acabo de ler o blog do jornalista Fabio Zanini, especialista em África, que se prevê para o ano que vem um plebiscito visando a separação de parte do Sudão, um dos países onde ocorreram uma das maiores violências humanas. Trata-se de um genocídio ocorrido nas províncias de Darfur, sudoeste do país.


Explicando sucintamente o que acontece, temos no Sudão a clara divisão entre o Norte, de população árabe, branca e muçulmana, que está no governo há anos, e o Sul, de população negra e que professa diversas religiões, cristianismo entre elas. Darfur é de maioria negra e têm sido acossada por guerrilheiros árabes, muitos apoiados pelo governo. O resultado disso é um verdadeiro banho de sangue e muitos negros mortos, vilas inteiras destruídas e uma inútil pressão internacional, ainda que barulhenta.


O Sudão é governado por Omar Al-Bashir, árabe, que governa o país com mão de ferro. Negociações complicadas permitiram a possibilidade de uma secessão para o povo do Sul. Dificilmente isso se fará de forma pacífica, mas é uma tentativa. Nesse post, o blogueiro que percorreu a África de sul a norte há dois anos faz uma análise bem ao estilo reaça de escrever. Despido dos julgamentos que sempre vêem a África como um continente fracassado (como se não-africanos não tivessem culpa disso, e eles sempre se esquecem de falar isso), o ost é interessante e traz informações legais sobre a futura capital do provável Sudão do Sul.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Grande Encontro

Muito válida essa reunião entre os quatro países que compõem o BRIC e que se dará em Brasília visando o estreitamento das relações comerciais entre os quatro países. Após a despolarização que dividia os blocos pró EUA e pró URSS, o crescimento daqueles que chamo de economias intermediárias (países em desenvolvimento dá uma idéia de um caminho a seguir e, em diversos setores, eles já pareiam ou superam os ditos desenvolvidos) foi marcante e, num plano regional e econômico, é flagrante a liderança e a influência que exercem. Dessa forma, a reunião entre os presidentes Lula (Brasil), Hu Jintao (foto, China), Dmitri Medvedev (Rússia) e o primeiro ministro indiano Manmohan Singh merece destaque e precisa ter qualquer de suas decisões consideradas e respeitadas pelos membros do G7, uma vez que a Rússia, membro honorário do grupo dos mais poderosos, está nas duas barcas.


Como mercado, os países têm em suas fronteiras quase três bilhões de habitantes, praticamente metade da população mundial, dos quais uma grande fatia começa a adquirir maior poder de compra bem como é crescente a evolução de suas produções industriais. Saber coadunar esse potencial mercadológico com o que têm a oferecer os quatro e seus parceiros comerciais (O Mercosul, no caso do Brasil) é um desafio a ser vencido bem como diminuir a distância que separa as classes que tem acesso a bens supérfluos e aqueles que vivem à margem de qualquer salubridade humana. Essa realidade, marcante em China e Índia, mas não menos notável no Brasil e na Rússia pós-soviética, agride e é posta de lado por aqueles que querem mostrar ao outro o quão vale investir no parceiro.


São economias fortes que já não podem ser menosprezadas pelos grandes operadores da economia mundial. Ainda que recebam a alcunha de países em desenvolvimento, estão dia a dia se tornando concorrentes diretos destes no mercado internacional. O Brasil exporta aviões e tecnologia tão qualificada quanto os EUA, só para ter um exemplo. Muitos assuntos precisam ser debatidos e avaliados nesses encontros. Que nem o clima eleitoral no Brasil nem os conflitos internos que assolam os outros três países, que também merecem um olhar mais demorado, atrapalhem o desenvolvimento e o alinhamento entre os quatro pequenos gigantes da economia mundial.



segunda-feira, 15 de março de 2010

Palmeando com esperteza

Lula visita Israel e foi boicotado em seu discurso pelo chanceler Avigdor Lieberman. A boicote seria uma resposta do ministro ao presidente Lula, que se recusou a visitar o túmulo do fundador do sionismo Theodor Herzl.


Perguntado se manterá a postura, Lula respondeu que sim e, mais que isso: Quarta-feira, o presidente depositará flores no jazigo de Yasser Arafat, líder da OLP, entidade que foi inimiga do estado israelense, ainda que no fim de sua vida, Arafat tivesse renunciado à violência e se proposto ao diálogo.


No discurso ao parlamento israelense, Lula defendeu a existência de um Estado Palestino e de uma coexistência pacifica entre judeus e árabes. No discurso não citou o Irã, inimigo declarado de Israel.


Lula é o primeiro chefe de Estado brasileiro a visitar o Oriente Médio em 100 anos. Tem uma dura missão, a de manter-se neutro com Israel e com Irã, mercados potenciais para o Brasil. Sua posição de grande estadista amealhou respeito nos dois lados inimigos do front. Sua postura conciliadora é um trunfo a seu favor. É exagero dizer que Lula resolverá o longínquo problema árabe-israelense. Nem o histórico aperto de mãos em Camp David entre o já citado Arafat e o assassinado Rabin conseguiu por ponto final nisso. O fato é que Israel, hoje, é governado por políticos conservadores que não vêem os árabes senão como invasores de suas terras. Há intolerância em ambos os lados. A questão é por demais delicada e é preciso muito mais que um discurso de um líder sul-americano para que as coisas se resolvam. De qualquer forma, é excelente a iniciativa do Brasil de marcar terreno no cenário geopolítico internacional. O país é uma liderança local há tempos. A ascensão de Lula como líder carismático a frente dessa micropotência tem tudo para pôr o Brasil num lugar de maior destaque. E a sabedoria com que Lula faz isso é impressionante.



sábado, 6 de março de 2010

O que foi, então?

Segundo a secretária de Estado dos Estados Unidos, a sra Hillary Clinton, não houve o genocídio armênio praticado pelos turcos em 1915 e fará de tudo para que a Comissão de Assuntos Exteriores do Congresso não leve adiante o propósito de reconhecer o fato como tal.


Pouco se fala sobre o assunto. Mas o que houve foi que em 1915, o Império Otomano, governado pelos turcos cometeu uma matança de centena de milhares de armênios. Há quem fale, inclusive que um milhão deles foram mortos.


O assunto é pouco debatido. O governo turco não o reconhece, quase cem anos após o massacre e o assunto é pouquíssimo divulgado e historicamente pouco conhecido. Isso fez com que Hitler, em 1939, tivesse se referido ao fato com a seguinte frase: “Afinal, quem hoje fala sobre o extermínio de armênios?”. As relações entre os dois países vizinhos são estremecidas. Há um rancor muito grande dos armênios em relação aos turcos. O extermínio fez com que levas de armênios deixassem o país. Muitos vieram para o Brasil. Seus descendentes criaram o ótimo site Armênia Eterna. Para lembrar o triste episódio, foi declarada data nacional o dia 24 de abril.


Mas o posicionamento dos EUA em relação ao assunto é esperado. Justo eles que cometeram tantas atrocidades pelo mundo, coisas muito próximas de genocídios deixariam de reconhecer apenas mais um. Do outro lado, a Turquia é um forte aliado dos Estados Unidos no continente europeu e ponto estratégico para bases ianques próximas ao ocupado Iraque e ao inimigo declarado Irã. Uma pena que este triste episódio envolvendo um povo de rica cultura, que sobrevive bravamente com aqueles que tiveram avós e pais mortos por um exército dominador.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Mais um golpe na África


Acompanhei com algum interesse o lance que se deu essa semana no Níger, país da África Ocidental que sofreu um golpe militar contra o presidente Mamadou Tandja nesta quinta-feira, com direito a tiroteio entre exército e a segurança do presidente nas proximidades do palácio do governo.. Contínuo, a Constituição foi suspensa. É uma história tristemente igual na África.


É difícil dar qualquer parecer sobre qualquer lado. Antes de qualquer análise, eu sempre penso que todo golpe militar é anti-democrático e absurdo. Desde antes do golpe no Brasil, a história é mestra em provar que onde entra gente de farda só dá merda. Militar serve pra empunhar armas, só. Militar no governo é sinal de desastre seja de esquerda ou de direita. Se bem que militar apoiar a esquerda é tão ilógico quanto o Papa defender a pena de morte. Por outro lado, o presidente Tandja tentou modificar a Constituição para concorrer a um terceiro mandado. Algo parecido com o que aconteceu em Honduras. A diferença é que Zelaya contava com o apoio maciço da população. Sobre seu colega nigerino, não se sabe. Segundo a France Presse, houve uma manifestação popular apoiando o golpe e protestando contra o governo de Tandja. Mas a primeira manifestação relatada em Honduras foi de apoio aos golpistas. A elite, claro. Gente que não deve ser ouvida.


Mas esse golpe no Níger não foge muito do que acontece na história africana. É preciso ter em mente sempre que, como continente soberano, a África tem uma história recentíssima. O Níger, por exemplo, se tornou independente da França em agosto de 1960. Ou seja, são quase 50 anos de nação nigerina de fato. Nesse tempo, os militares dão golpes e mais golpes e se conflitam com presidentes civis que tentam impor uma situação política mais estável, mas aquilo que se chama de democracia no Níger é algo frágil.


Geograficamente falando, o Níger é um país dominado, ao norte pelo deserto do Sahara e tem uma larga faixa do que se chama de sahel, que é a área de transição entre o deserto e a savana e a floresta. Tanto que a capital Niamei, principal centro econômico do país, fica ao sudoeste do país, nas proximidades do rio Níger, região mais fértil do país. Como se vê no mapa, o país não tem saída para o mar.


Tantas inconstâncias e desmandos na política do país transformaram o Níger num dos países mais pobres do mundo. Talvez o mais pobre. Seu IDH, medido entre 177 países, é o pior. A população do Níger é composta por tuaregues que vivem no deserto e maioria de população negra. Essa população vive ainda de uma agricultura arcaica que se preocupa com sua subsistência. Os poucos produtos agrícolas exportados são o algodão e a cebola. A indústria no país é insipiente. Mas no norte do país há grandes reservas de urânio. Justamente nos territórios tuaregues, contra quem a população do sul volta suas rivalidades. É difícil pensar que a situação se resolva de pronto no Níger. Que a coisa se resolva de forma pacífica e os militares apenas façam uma transição entre civis, o que se entendendo sobre a turma das casernas, que muda de nacionalidade, mas não de vício, é algo difícil de acreditar.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Guerra do deserto



Egito e Argélia jogam hoje, de novo, a terceira vez em menos de três meses num clássico norte-africano que extrapolou de longe os limites das quatro linhas. O jogo levou a conflitos e perseguições de nativos no outro país, sobretudo na Argélia. Para o jogo de hoje, que vale uma vaga na final da Copa Africana de Nações, o clima está pra lá de efervescente. Egito e Argélia mandaram torcedores para Angola, que por sua vez, recusou a entrada deles no país. Jogadores falam em guerra. Ou seja, tudo leva a crer que a partida deverá ser meticulosamente coordenada. Dentro de campo e fora,


Culturalmente, os dois países se aproximam em certos pontos e distam em outros. Ambos são países de língua árabe e maioria muçulmana. Ambos são países relativamente liberais dentro do rígido mundo árabe. A diferença entre eles vem, primeiro, na colonização. O Egito foi um dos primeiros países africanos a se tornar independente do Reino Unido. A Argélia conseguiu a sua muito mais tarde, em 1962 de forma sangrenta contra a França. Ainda há um ressentimento e uma aversão dos argelinos contra sua ex-metrópole. O que não impede do francês ser o segundo idioma do País. Mas a história mostra que tanto um quanto outro são países fortemente belicosos e de fibra nacionalista.


Quanto ao futebol, é flagrante a superioridade egípcia. O time é o atual campeão continental de seleções e vem sendo a melhor equipe da competição este ano em Angola. No entanto (e por isso, principalmente), essa superioridade não foi o suficiente para que o time dos faraós batesse os argelinos na disputa por uma vaga na Copa do Mundo. Em jogos tensos nas Eliminatórias, a Argélia bateu o Egito em casa por 3-1 em junho do ano passado. Com o Egito se complicando noutras partidas, os faraós precisavam vencer em casa por uma diferença de dois gols e forçar o jogo desempate. Em novembro, isso aconteceu. E quatro dias depois, no tal jogo desempate, disputado no Sudão, a Argélia fechou a fatura ganhando por 1-0 numa partida quente que desatou em conflitos nos dois países.


Não é normal que o futebol seja pano de fundo para conflitos ou tremores diplomáticos. A história mais célebre envolvendo o esporte se deu em 1969 quando Honduras e El Salvador pegaram em armas após uma série de três partidas entre os dois países, que já não vinham em boas relações. Que a guerra que os jogadores aludem se restrinja ao campo e que o espírito esportivo reine após o jogo. De uma forma ou de outra, a partida promete muitas emoções. Que fique só nos noventa minutos.