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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Aleluia!

E não é que o Ficha Limpa foi aprovado pelo Senado? O projeto de lei agora só precisa da aprovação do Lula. Uma ótima vitória para a política brasileira, mas que, certamente, será burlada de todas as formas. Espera-se que o presidente não seja conivente com essa marginalia que infesta o congresso e dê o cumpra-se. A grande preocupação é, na hipótese dessa lei “pegar” (porque isso ainda manda no Brasil, lei que “pega” e lei que não “pega”), haver quórum para eleições. Pois tem tanta gente já ingressa na política e tanta gente querendo entrar nessa barca mais suja que pau de galinheiro que corre-se o risco sério de não se ter em quem votar. Espera-se, sinceramente, que nenhuma exceção seja admitida nessa lei. Pelo sim e pelo não, questiona-se se a lei valerá pras eleições desse ano. Esperemos, sinceramente, que sim. Mas se não, que fique o aviso que essa é a última oportunidade de larápios entrarem na política ou continuar nela. Doravante, lisura pessoal é pré-requisito impreterível para fazer parte dos destinos políticos do país.


Agora, por que coisas como essas não me surpreendem?


O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, já entrou com um questionamento no tribunal sobre a validade da lei, mas o TSE ainda não se pronunciou.


PSDB...Sempre o PSDB. Qual o medo, senador? Tem alguma coisa errada nos seus armários para que a Lei seja emperrada por vossa excelência? Resolva suas questões e se candidate na próxima.


Esses tucanos...


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Áurea, pero no mucho

Há 122 anos, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que sepultava definitivamente o escravismo no Brasil. Na verdade, ele já estava com os dias contados já que leis anteriores já salvavam do hediondo costume idosos e recém nascidos bem como o tráfico negreiro. Claro que isso não foi espontâneo nem nascido aqui. É sabido que no século XIX, a Inglaterra, com produtos industrializados precisando ser escoados e vendidos, já não simpatizava com escravos. Escravo não recebe salário nem consome então, como manda-chuva da política internacional da época, a ilha mandou acabar com essa pinga de escravos, de tráfego negreiro de gente apanhando nos troncos. O Brasil, eternamente subserviente aos desmandos de fora, acatou e no dia 13 de maio, a Princesa Isabel assinou a dita lei. Esqueceu-se, no entanto, Sua Alteza, de dar aos escravos algo mais que a liberdade: Dignidade. De repente, os escravos estavam livres e desempregados, despossuídos e desamparados. Trabalho nas fazendas só para os vindouros imigrantes europeus, mais qualificados que os negros, que nunca tiveram chance de progredir, só tiveram chicote. Em momento algum, nem a moribunda realeza nem a nascente República se preocuparam em encaixar os negros libertos numa sociedade predominantemente branca. O que sobrou a eles foi ficar nas cidades em habitações afastadas dos centros vivendo sempre à margem de uma sociedade que, por sua vez, foi ensinada para isso, sempre viu os negros como seres inferiores.


Nesses 122 anos, os negros lutaram e conseguiram muitos direitos e vêm conquistando muitas vitórias, sobretudo contra o preconceito. Ainda há muito para ser feito. Nesse aspecto, exigências como cotas raciais e outras tantas vem sendo discutidas. É sabido que há uma certa dívida moral da sociedade com os negros, mas bem mais sabido é que, mesmo com toda a consciência que se incuta nessa mesma sociedade e em elementos mais retrógrados dela, essa dívida não poderá – muito menos será – paga de uma vez só nem a curto prazo. Cotas raciais são um paliativo, jamais uma solução. Igualdade se conquista em passos e é preciso vencer obstáculos com suor. Igualdade dada por decretos se torna tão inválida e inócua como a Liberdade assinada pela Princesa Isabel. Os negros serão legalmente iguais como se tornaram igualmente livres, mas a prática será completamente diferente e cruel.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Puta ideia legal

Saiu na UOL:


Prostitutas francesas defendem direito de serem profissionais liberais autônomas


Trabalhadores do sexo marcharam pelas ruas de Paris para protestar contra um projeto que pretende legalizar os bordéis na França. Eles argumentam que a lei poderia impedir a liberdade das prostitutas de trabalharem por conta própria.


Um político do partido governista francês propôs reabrir os bordéis após seis décadas em que eles foram banidos do país. Seria uma medida para tirar as prostitutas das ruas e permitir que as trabalhadoras (e trabalhadores) do sexo tivessem direito a proteção legal, médica e financeira.


Comentário – Pode parecer bobo, mas tai uma coisa que eu defendo seriamente e que, em muitos países, é algo legalizado. Prostituição, pela Constituição, não é crime. Estamos falando de Brasil. Cafetinagem, sim. Uma coisa é fato. Proibida, segregada, estigmatizada, marginalizada ou criticada, a prostituição jamais deixará de existir como existe desde sempre. Talvez a liberação de “casas de prostituição” como existe na Holanda “os cafés em que se permite o uso de drogas bem como a cessão de direitos para as moças (e moços) desse meio seria uma forma de proteger tanto os profissionais quanto os clientes. Repito, pode parecer um grande absurdo, mas uma espécie de OAB, de CRM dos trabalhadores do sexo seria um órgão que se pautaria segundo uma ética profissional e cuidaria dos interesses da “catiguria”. Insisto, a ideia não é de todo ruim por mais absurda e ofensiva que possa parecer. Além do mais, antes de serem “trabalhadores do sexo”, estamos lidando com cidadãos que lutam por seus direitos. Num país mais a frente, caso da França, e apesar dos imbecis e dos Le Pen da vida, isso é consideravelmente pesado a favor.



segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Um outro mundo é possível

Hoje, em Porto Alegre começa o Fórum Social Mundial, encontro que reúne diversos líderes de movimentos sociais, celebridades engajadas com eles e líderes políticos e chefes de Estado. É uma espécie de contraponto à reunião de Davos, na Suíça, que reúne as grandes potências políticas e financeiras. A finalidade do evento é elaborar alternativas que visem uma mudança social global.


O evento, que já correu o mundo sendo realizado na Índia e em diversas sedes concomitantes como Nairóbi, no Quênia e Bamako, no Mali, volta a Porto Alegre onde se realizou pela primeira vez em 2001. E como qualquer evento desse porte, com o passar do tempo, ele cresceu, tomou corpo e importâncias política e estratégica. Esse ano, o evento se realizará entre os dias 25 e 29 de janeiro. Ótima oportunidade pra ouvir gente graúda e com consciência para um mundo melhor não para os próprios bolsos, mas para todos os habitantes em debates construtivos e enriquecedores. Fica a dica

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Sobre a tal CPMI do MST

Texto genial pescado pela minha colega de Portal Luís Nassif, Leila Brito



A CPI DO MST – OS ESCRAVAGISTAS


Laerte Braga

13/12/2009


Quem quer que se dirija ao GOOGLE, pesquisa, digitar o nome do deputado Ronaldo Caiado do DEM (partido de José Roberto Arruda) vai encontrar, entre outras coisas, seu vínculo com o trabalho escravo. O deputado é contrário à emenda constitucional que pune com a perda das terras para fim de reforma agrária, o proprietário ou empresa que fizer uso de trabalho escravo. Ele próprio o faz.


Quem for procurar informações sobre a senadora Kátia Abreu (DEM, partido de José Roberto Arruda) vai encontrar que a senhora em questão encalhou no Senado Federal às custas de dinheiro da Confederação Nacional da Agricultura da qual era presidente e repassado àquela entidade para ser utilizado em financiamentos de projetos agrícolas.


Não são necessariamente corruptos por corrupção. São corruptos pelo que representam. Interesses do mais atrasado e boçal latifúndio brasileiro (se bem que não existe latifúndio não atrasado e não boçal).


Kátia Abreu responde a processo por desvio de recursos da Confederação Nacional da Agricultura, tanto quanto por ter lesado um lavrador em sua região, tomando-lhe a terra num típico conto do vigário.


Nem a senadora e nem o deputado descobriram ainda a existência de garfo e faca, por exemplo, para se possa comer. Conhecem chicote, pelourinho, senzala e toda a sorte de boçalidades possíveis em termos de se tratar escravos.


Ronaldo Caiado e Kátia Abreu associaram-se a empresas estrangeiras, a MONSANTO principalmente, entupindo a mesa do brasileiro e lá fora também, de produtos transgênicos, sabidamente nocivos à saúde e que para muito além disso transformam num curto prazo qualquer terra em imprestável ao plantio do quer que seja, mas aí, suas contas bancárias já estarão aptas a lhes garantir futuro tranqüilo e risonho.


A CPI do MST tem dois vieses que se casam. O primeiro deles assegurar a permanência do regime de escravidão mantido pelo latifúndio brasileiro e o segundo assegurar a posse da terra a empresas estrangeiras, logo, ferindo de morte a soberania nacional, tal a extensão de terras em poder desse tipo de gente.


Se a agricultura brasileira, sustentada na prática pelo pequeno e médio produtor rurais, vai se lascar e o “celeiro do mundo” virar um grande deserto dentro de alguns anos, gerando fome e doenças, isso não é problema deles, pois não são humanos, são figuras desprezíveis e abjetas em todos os sentidos.


O patriotismo deles é aquela forma canalha a que se refere o pensador inglês Samuel Johnson.


A CPI é simples. Estigmatizar o MST com apoio da mídia (a grande mídia GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, VEJA, BANDEIRANTES, etc) venal e serve aos mesmos patrões, assegurar os privilégios dos latifundiários entre eles o de não pagar suas dívidas com o Banco do Brasil e outras agências de fomento do governo (nunca pagaram e nem pensam em pagar, são caloteiros por natureza), garantindo que permanecerão senhores de escravos e a serviço de potência estrangeira.


São bandidos, bandoleiros lato senso.


Não têm escrúpulos e nem têm nada além da capacidade de urrar e rosnar asneiras.


Que tenham recebido apoio expresso e público do deputado Ônix Lorenzoni, também do DEM (partido do governador José Roberto Arruda) não é novidade. O Rio Grande do Sul embora seja um dos estados mais próspero do País, terra de Mário Quintana entre outros, tem o latifundiário mais brutal e estúpido do Brasil. Ainda desconhecem a existência da roda, mas conhecem a da pólvora com que seus pistoleiros assassinam trabalhadores rurais e pequenos produtores.


E todos eles são financiados tanto por recursos desviados da Agricultura, como por empresas estrangeiras.

A senadora Kátia Abreu, uma espécie de pré-ornitorrinco, tal e qual Ronaldo Caiado. Lorenzoni não. É só um sem vergonha querendo aumentar o por fora. Foi eleita “miss desmatamento.”


Por que não levantar os débitos dessa gente com as agências de fomento à agricultura do governo federal? Os assassinatos cometidos por seus pistoleiros? Será que o brasileiro comum faz idéia de quanto um pilantra como Agripino Maia deve aos cofres públicos de financiamentos para a agricultura e usado em especulação financeira, mas que a GLOBO não informa, pois chega ali boa parte da grana?


A turma de abóboras que gosta de bom dia e escolher a gravata do Bonner?


O que está por trás da CPI do MST? Num primeiro momento garantir privilégios de bandidos como Kátia Abreu, Ronaldo Caiado. Num segundo atender a interesses de grupos econômicos estrangeiros e num terceiro, finalmente, inscrever o Brasil no rol de colônias da corte de Washington, à qual servem com devoção e altos salários.


Isolar um movimento popular que luta por algo que até um general fascista como Douglas MacArthur fez ao final da guerra, no Japão, a reforma agrária.


Quando a fome bater em “grandes plantações”, como afirma Vandré em sua canção “pra não dizer que não falei de flores”, não adianta mandar o xerife atrás desses bandidos. Já estarão longe e o Brasil já será BRAZIL.

A propósito, mesmo o ministro do Meio-ambiente, Carlos Minc, sendo um bobalhão, atrapalha interesses dessa gente e Kátia Abreu usou o recurso mais comum entre os seus. Ameaçou-o de morte por não aceitar assentar-se de quatro no colo do latifúndio.


A CPI do MST é isso. Uma traulitada no interesse nacional. O tal “terrorismo” do MST é uma luta legítima em favor do BRASIL, ao contrário dos que lutam pelo BRAZIL.


Há uma diferença fundamental entre um e outro.


Comentário - Acho que alguém que seja a favor de trabalho escravo e gente que represente tamanho retrocesso, defenda-o e se beneficie dele devia pensar, pelo menos, cem vezes antes de querer falar em combater crimesPerto do que essa turma faz, até a banda podre do MST, que existe, sim, mas é uma minoria perto do grande número de trabalhadores honestos e gente que só quer seu pedaço de chão pra poder viver, merecia ser absolvida. Já dizia Padre Vieira "O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres".

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Dizem que ela existe pra ajudar...

Assis é uma cidade que fica perto de Prudente e sempre teve uns costumes meio absurdos, umas inovações um tanto polêmicas só pra aparecer no mapa. Uma delas foi uma lei que visa prender “pessoas em condições aptas a trabalhar e que não o estejam fazendo”. Para ver de perto uma lei tão estúpida, o CQC mandou para Assis o Danilo Gentilli e deu o que deu nesse vídeo abaixo.




Acho que não tem nada mais representativo da nossa classe mérdia média que isso. Sujeito que se veste de forma mais despojada, é cabeludo (quase sempre usa dreads) e tem uma filosofia de vida alternativa é tachado na lata de vagabundo, presa preferida de uma polícia truculenta e de psicopatas como os “otoridades” que prenderam, bateram e desrespeitaram o Danilo. Não que ele seja um santo. Ele é tão reaça quanto nossa classe média. Mas mesmo que fosse um mendingo, um indigente, seja lá quem fosse, é assim que deve se tratar uma pessoa? Na base da porrada? O mundo comporta todo tipo de gente. Desde os endinheirados até os miseráveis; desde os workaholics até os ociosos por opção. Alguém explicou para os legisladores de Assis que essa lei é, antes de tudo, inconstitucional por ferir frontalmente o ir-e-vir garantido pelo artigo 5º? E alguém mais culto pode explicar para essa turma de brucutus fardados que a lei, além de tantos, prenderia, se vivo fosse, o homem que empresta o nome à cidade? É, meu xará, gente como você, que prefere viver na simplicidade, para os edis e para a polícia de Assis, é tudo bandido, é tudo vagabundo. Enfim, essa é a polícia, o poodle da elite e da classe média que vira pitbull contra as classes mais baixas.


sábado, 2 de maio de 2009

Quem pergunta quer saber...

Hoje, na comu Leu na Veja, Azar Seu no Orkut, da qual participo com freqüência uma pergunta surgiu em forma de tópico:

Pq teve mutirões e pedido de ajuda pelas TVs para Santa Catarina e agora com mais de 100 mil desabrigados, Maranhão parece sozinho nesse desastre????

A pergunta é pertinente. Será que é porque o Maranhão é mais longe que Santa Catarina? Ou será porque os barrigas-verdes atingidos eram em sua maioria loiros de olhos azuis e os 100 mil desabrigados no Maranhão são quase todos mestiços e miseráveis, gente que para a mídia tanto faz que exista e só merece ajuda em caso de seca?

Estranho...