Sempre gostei muito das historinhas do Horácio. Reza a lenda que elas são as únicas que, ainda, são da criação exclusiva do Maurício de Sousa. Segundo dizem, também, é seu personagem favorito. Se é verdade ou não, não sei, mas algumas tem um humor doce e leve. E todas são de uma reflexão suave. Queria poder encontrar outras pra montar uma sessão. Essa eu recebi por email. Clique para ler melhor.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Tira de sábado
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
BomBlog
A sessão BomBlog é daquelas que, por mais que eu tente, não consigo encaixá-la num dia certo. Fica bailando aqui e ali e nunca sei quando publicá-la. Enquanto isso não se resolve, ela não podia ser deixada de lado em havendo um blogue de tiras, algo que eu adoro, tão interessante quanto este Humorarte, do cartunista chileno Karlo. As tiras, que lembram muito o argentino Quino em sua fase pós-Mafalda, prescindem de palavras e são visualmente divertidíssimas como esta que segue, e está no blogue.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Mortes, mortes...
FINAL TRIPP
Hum, que chato... acabei de ficar sabendo, e com um certo atraso. Quem passou desta pra melhor no dia 27 de novembro foi o Irving Tripp, que morreu de câncer aos 88 anos, rodeado pela família.
Tá perguntam vocês mas raios quem foi Irving Tripp? Quase ninguém associa o nome à pessoa, ainda mais que as histórias não eram assinadas. Mas Tripp era aquele desenhista da Luluzinha das antigas. Todo mundo já viu e amou as histórias dele. Tripp era só o desenhista, os roteiros eram do John Stanley, que começou também desenhando mas dividiu as tarefas quando a demanda aumentou (Stanley já morreu faz um tempo). Mas quem estabeleceu o visual da Luluzinha como a conhecemos foi o Tripp, que deu uma estilizada nos também ótimos desenhos do Stanley, que por sua vez bebia na fonte da criadora original, a Marge. A série de desenhos do Cartoon Network teve o design todo baseado no visual do Tripp e duvido que ele tenha recebido algum tostão por isso.

Bom, Luluzinha é coisa do passado, essa luluzinha-teen-mangá que está nas contas não honra as calcinhas que veste. Achjo que o Tripp nem ficou sabendo dela, senão sua morte teria sido antes (de desgosto).
Comentário – Nunca fui muito fã dos quadrinhos da Luluzinha, mas gostava. Quando eu era criança e a Abril publicava os gibis, eventualmente lia um ou outro. O que eu achava interessante neles é que a turma sempre se portava como crianças que eram, como era com a Turma da Mônica, que hoje, mesmo em sua versão infantil, parece adolescentes de sete anos. Hoje os gibis da Luluzinha saíram do mercado tendo apenas esse arremedo teen. É uma pena.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Ótimo exemplo
Na revista Tina desse mês, Mauricio de Sousa apresenta Caio, seu primeiro personagem homoafetivo. Na história, Caio é um novo amigo da protagonista e desperta ciúmes tanto em sua melhor amiga, que se sente preterida, quanto em Miguel, seu namorado, que se sente traído pelo outro rapaz. A homoafetividade de Caio não está explícita, mas a história dá tal idéia quando ele revela ser comprometido. Maurício não levanta bandeiras com seu personagem nem ousa com algum engajamento. A proposta é dirimir preconceitos. Louvável intenção. Num mundo em que brucutus debilóides agridem uma moça por conta de sua saia, nada como mostrar para pessoas mais novas (não crianças, uma vez que a Tina vai se tornando cada vez menos uma personagem infantil e é mais voltada ao público adolescente) que, sim, homoafetividade existe e merece ser, se não admirada ou exaltada, aceita e respeitada. Pode chocar pessoas mais conservadoras, mas essas são as que menos devem ser ouvidas hoje em dia. 
terça-feira, 10 de novembro de 2009
O irredutível charme gaulês

Um texto muito interessante que pipocou sábado n´O Estado de São Paulo falando sobre o Asterix. Fica a dica dos ótimos quadrinhos da eterna dupla Gosciny e Uderzo.
Charme de Asterix é antídoto contra Era Brucewillix
Para um de seus criadores, o espírito anárquico do personagem de HQ Asterix tornou-se universal
SÃO PAULO - É um operário ordinário, esse Asterix. Não é particularmente esperto (Obelix é bem obtuso, por sinal) e não aspira a nada além de tranquilidade e de um bom jantar. Não tem ambições de acumulação de capital, nem de conquistar territórios, nem de grandes butins e nem sequer de sequestrar uma Helena sinuosa.
Criado por René Goscinny e Albert Uderzo em 1959, o personagem Asterix dispensa apresentações: contra sua própria personalidade, é definido como um inquebrável guerreiro gaulês que, num mundo totalmente dominado pelos romanos, no ano
Em 2005, quando foi publicada, após grande hiato, uma "nova" história do personagem, a França mostrou como era fanática por ele: imprimiu uma edição de colecionador, 3.178.000 álbuns numerados, únicos. No resto do mundo, foram colocados à venda 8 milhões de gibis em 27 países. Para se ter uma ideia da popularidade desse baixinho, já são cerca de 400 milhões de exemplares vendidos em 50 anos.
Asterix, segundo a descrição padrão dos gibis de Uderzo e Goscinny, é o "pequeno guerreiro de espírito sagaz e inteligência viva" que aceita sem vacilar as missões perigosas que lhe são confiadas. Obelix é o amigo inseparável de Asterix, um entregador de menires que adora javalis e boas brigas. Anda acompanhado do cachorro Ideiafix.
Há dois anos, por ocasião do aniversário de um dos criadores dos personagens, Albert Uderzo, 34 autores de quadrinhos de culturas diferentes receberam a proposta de desenharem histórias curtas que simbolizassem sua visão daqueles heróis - François Boucq, Loustal, Zep e Milo Manara, entre outros. O resultado foi publicado pelas edições Albert René com o título Asterix e Ses Amis (Asterix e Seus Amigos).
François Boucq criou um interessante conto
Qual é a razão da popularidade desse anão raquítico e mal-humorado que combate os romanos com a ajuda de um carregador desinteligente e desajeitado? "É como tentar explicar o segredo da poção mágica", brinca Albert Uderzo. Muitas tentativas de explicação vêm aparecendo desde a criação da dupla num modesto apartamento na periferia de Paris pelos então estudantes Uderzo e Goscinny. A primeira, mais política, é que Asterix reafirma o orgulho nacionalista dos franceses mundo afora, como poucos ícones o fazem. Encarna o espírito da resistência cultural. Mas a explicação mais simples é que Asterix tem um senso de humor debochado, ranzinza e calcado em ideias até obsoletas de tão românticas.
Há alguns dias, o Jornal des Plages propôs a Albert Uderzo a seguinte questão: "Finalmente, 50 anos depois, quem é Asterix ?" A resposta: "É você, sou eu e é o mundo todo. Nós acreditamos em um instante que ele era o pequeno francês, mas ultrapassou largamente os limites da França. Porque, se você observa os alemães, verá que Asterix é alemão. Esse é o fenômeno, que Asterix tenha se tornado universal mesmo que isso não tenha sido previsto para ele", ponderou o autor.
Autêntico herói desajustado e anarquista, Asterix desarma espíritos seja em bancos de espera de ferroviárias ou nos grandes gabinetes decisórios. Uderzo confirmou recentemente uma lenda que corria sobre o herói, que o ligava ao famoso general Charles de Gaulle. "Fomos convidados, eu e René, para uma estreia no Olympia de Paris. François Missoffe, um ministro do general De Gaulle, descia as escadas para se juntar no foyer aos colegas. Ele viu René, o abordou e disse a ele: ‘Escute, aconteceu algo extraordinário no último encontro do Conselho de Ministros. De Gaulle começou a nos chamar um por um pelo nome dos personagens da sua vila gaulesa. E todo mundo se reconhecia! Abraracourcix ? Presente ! Assurancetourix ? Presente...’"
Asterix e Obelix celebram uma era de opulência do trivial e de despreocupação com a autoridade constituída. São guerreiros da desobediência civil. Afinal, gauleses bárbaros que são, vivem num paraíso original, numa revolucionária (porque "primitiva") existência comunitária. Brigam muito, mas tudo sempre termina em banquete, javalis e vinho em quantidade dinossáurica - o banquete de aldeões é centrado num prato ritual, o javali assado.
Comer é o objetivo final de toda a pequena odisseia particular desses heróis, embora sua saga consista em resistir ao inimigo expansionista - daí Asterix ser uma metáfora da resistência da produção artesanal europeia contra a invasão massiva americana. É no seu charme de desajustados que consiste sua força. Para combater a pancadaria da era "brucewillix" e "osamabinladix", só mesmo uma dose cavalar daquela velha poção na qual Obelix caiu, mesmo que forjada em laboratórios da Light & Magic.
Novidadix
O 34.º álbum de Asterix chega às livrarias brasileiras nesta quarta-feira, lançamento da Editora Record. É O Aniversário de Asterix e Obelix - O Livro de Ouro, primeira aventura dos heróis em quatro anos. A obra parte de um texto inédito de René Goscinny, coautor de Asterix, morto em 1977, e resgata cenas de volumes antigos, como O Escudo de Averno e Uma Volta pela Gália com Asterix, além de fazer citações de obras de Delacroix, Munch e Rodin, inserindo a dupla gaulesa no contexto dos trabalhos. O Aniversário de Asterix e Obelix foi lançado originalmente em 15 países. Até hoje, os álbuns de aventuras da dupla de gauleses já venderam no Brasil cerca de 3 milhões de exemplares. No dia 15, Albert Uderzo recebeu um doutorado de honra da Universidade Paris-8 à Bobigny (Seine-Saint-Denis). No dia 22, estreou no Théâtre des Champs-Elysées um musical, Le Tour de Gaule Musical d’Astérix, dirigido por Frédéric Chaslin.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Monica's Gang and la Pandilla de Mónica

Esse mês, a editora Panini lançou duas revistinhas da Mônica especiais. Edições em inglês e espanhol com algumas das melhores historinhas da turma. Algo interessante, mas um tanto preocupante. É claro que, como preocupado com a educação como sou, valorizo a necessidade quase obrigatória nos dias de hoje de se falar outro idioma. Mas a quem essas revistas se destinam?
Da mesma forma que acho imprescindível que se fale um segundo ou até um terceiro idioma, acho mais imprescindível, aliás, primordial, que se aprenda o idioma pátrio. Então, acho que essas historinhas deveriam ser, sim aconselhadas, mas pra crianças mais velhas. Porque hoje em dia, vejo crianças, sobretudo as criadas em escolinhas particulares, de oito anos muito afiadas em inglês, mas pouco afeitas ao português. Graças à geração Net, escrevem errado, trocam letras, mas dominam bem uma terminologia técnica ou mesmo cotidiana em inglês.
Louco esses gibis em inglês e espanhol porque, mais do que ajudar as crianças, enriquece o vocabulário de interessados em aprender o idioma e de fãs desta sadia diversão, mas sempre tomando o cuidado de entender que, sim, os gibis trazem uma forma lúdica de aprender, mas desde que o nosso idioma já esteja bem aprendido. Do contrário, que seja apenas uma forma de apresentar o ótimo trabalho de Maurício de Sousa para outros países, o que não seria de todo mal, afinal – salvo a fase atual exagerada no politicamente correto – as histórias da turma da Mônica não deixam nada a dever para quadrinhos internacionais.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Isn't bad
Muito interessante a homenagem que o pessoal dos Estúdios Maurício de Sousa fez pela morte do Michael Jackson, ou Maico Jeca segundo o característico estilo mauriciano de fazer paródias. A edição especial reúne algumas histórias da Turma da Mônica nas quais o Rei do Pop foi citado ainda que em diferentes épocas. Sejam nos tempos de Thriller ou sua fase Black or White, Michael passeou diversas vezes pelas revistas que marcaram várias infâncias e várias gerações.
Mas depois de uma breve antologia de historinhas que vieram desde os anos 80 até os dias mais recentes, a melhor foi mesmo a última. Nela, a turma do Penadinho (que já havia “participado” de um clipe junto com o astro, o que foi devidamente recordado na história) se prepara para receber e rever o grande ídolo, mas infelizmente, contratempos (se é que pode haver contratempo maior que estar entre a turma do Penadinho) aconteceram e o final da história terminou uma justa homenagem a Michael. Fato curioso foi Maurício ter disponibilizado na Internet os rascunhos dessa história antes dela ser publicada. Foi a primeira vez que isso aconteceu, o que mostra, além da reverência justa a um ícone dessa coisa efêmera que é a cultura pop, uma interação dinâmica entre os redatores e seu público alvo. Um golaço de placa da MSP, sempre antenada.