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domingo, 16 de maio de 2010

Substituto de peso

Caraca, acabei de ler que o Ronnie James Dio morreu! Câncer no estômago. Sabe quem é ele? O cara foi vocalista do Black Sabbath entre 1979 e 1983 e voltou brevemente em 1992. É certo que o Sabbath foi um grupo de diversas formações e inúmeros membros, principalmente vocalistas, mas tudo gente de calibre como Ian Gillan, do Deep Purple ou Rob Halford, do Judas Priest. Ou seja, ainda que com várias formações, a voz do Sabbath sempre esteve em boas mãos.


O lance é que a maioria dos vocalistas do Sabbath foram mais tapa-buracos ou oportunistas que fizeram do grupo um verdadeiro frankenstein. Dio, pelo contrário, foi o cara que deu uma nova cara para a banda. Tanto que depois dele e até a reunião do grupo original, o Sabbath ficou no limbo do rock.


E Dio segurou um belo rojão. Entrou no lugar do lendário Ozzy Osbourne quando o Sabbath já era um grupo clássico do metal com dez anos de carreira muito bem construídos a base de clássicos como Paranoid, War Pigs, Iron Man entre outras. Uma situação, realmente, desafiadora que não é pra qualquer um. Mas Dio veio do Rainbow e trouxe ao Black Sabbath uma técnica que Ozzy não tinha além de uma voz mais operística, mais clássica que não deixou a bola cair. Mesmo com pouco tempo, Ronnie James Dio conseguiu cravar alguns clássicos como Neon Knights e Children of the Sea, que não foram revividos na volta do Sabbath original, mas que não podem ser esquecidos. Dio conseguiu manter acesa, mesmo que com outro combustível a chama de um dos maiores grupos do metal. Vai fazer falta.



segunda-feira, 10 de maio de 2010

50 anos de ativismo

Hoje é aniversário de um dos últimos ícones da cultura pop além de ser um cara que eu admiro muito seja como artista seja como ser humano. Estou falando de Paul David Hewson, mas pode chamar de Bono Vox. Sim, o irlandês completa hoje meio século de vida e ainda capitaneia o U2, banda que marcou o final da minha adolescência e que está com a turnê 360º rodando por estados Unidos e Europa.


Mas o assunto hoje, especificamente, é Bono. O homem é, sem sombra de dúvida a figura mais consciente e ativa do showbizz. Se é verdade que noutros tempos, John Lennon mobilizou o mundo com movimentos paz e amor, Bono resolveu ser utópico também tentando salvar o mundo. Mas sua utopia tem um pé-no-chão maior e seu cartaz ajuda em lutas contra as desigualdades sociais e os problemas ambientais ao redor do planeta. Se por um lado, a coisa tem ares de marketing pessoal e cheiro de egocentrismo, por outro, os constantes encontros de Bono com autoridades influentes mostram que, ainda que pouca, há vida inteligente no universo pop. Pergunte para os moleques dos Jonas Brothers, por exemplo, onde fica a África ou qual é a capital do Haiti e o que aconteceu por lá recentemente. Claro que o melhor é nunca pecar, mas é menos pior pecar por excesso do que por falta. Nesse campo, Bono, mesmo com seus exageros, consegue chamar a atenção para questões que flagelam a alma, mas passa ao largo da vida nababesca das celebridades internacionais.


Como cantor, não há muito o que dizer de um cara que lidera um grupo que se reinventou várias vezes. Da banda inocente e despretensiosa dos começo dos anos 80, o U2 virou uma verdadeira máquina de fazer dinheiro e amealhar fãs. Mesmo longe da sua melhor forma (No Line on the Horizon está longe de clássicos como The Joshua Tree, por exemplo), o grupo, mesmo depois de tantas transmutações, se mantém fiel a sua gênese. Belas letras, influências religiosas (40, por exemplo, é um salmo musicado maravilhosamente) e a sempre presente marca que Bono marca em sua obra há quase trinta anos. São antológicas as apresentações do grupo no festival Live AID, em 1985, bem como a grandiosa turnê Zoo TV nos anos 90, um verdadeiro show de música e imagem, turnê em que Bono deu vazão aos personagens The Fly e Mr. MacPhisto. Pois é esse inventor de modas e de estilos dentro do mesmo estilo além de um sujeito ímpar no seu meio que hoje se torna oficialmente, um homem de meia idade. Com uma lucidez adulta e disposição de garoto. Parabéns!



quinta-feira, 8 de abril de 2010

O pai da Anarquia


Morreu Malcolm McLaren, famosa figura e, praticamente, o criador da cultura punk nos anos 70. O cara empresariou os Sex Pistols, grupo inglês que revolucionou o estilo que, a bem da verdade, já existia antes deles com o Velvet Underground e seu expoente principal, Lou Reed. Mas McLaren tinha experiência no riscado. Empresariou antes dos ingleses os estadunidenses do New York Dolls, grupo andrógino admirado pelas platéias cult de boas músicas, mas que não alcançou o mesmo sucesso do outro “produto” criado por Malcolm. É certo que os Pistols mesmo não duraram perenemente todo o tempo que existiu. Várias voltas aconteceram com John Lydon e Steve Jones segurando as pontas, este com muito mais gás que aquele, e a eterna lacuna deixada por Sid Vicious, morto em 1979. Enfim, foram modismos que vão e vem, como todo produto, toda onda. Mas, sobretudo, os Pistols deixaram sementes que brotaram em grupos bons que beberam de sua fonte. E Malcolm McLaren é responsável por isso. Merece a lembrança.


segunda-feira, 29 de março de 2010

Perdemos o Barão

Morreu Armando Nogueira, um dos últimos (se não for o último) grande jornalista que esse país já conheceu. O excelentíssimo Barão de Xapuri foi o criado do Jornal Nacional que, apesar de ser desde sempre o órgão oficial da ditadura militar e, hoje, defensor do reacionarismo político e do anacronismo moral, marcou uma nova forma de se fazer jornal alcançando um país continente em sua totalidade. Apesar dos vícios que o tomam, repito.


Mas Armando foi muito mais que isso. Diria que foi o maior jornalista e cronista esportivo do país. Jornalista esportivo por completo, não um noticiador de futebol como é a maioria num país de monocultura esportiva. De uma sobriedade única, Armando era um poeta em suas crônicas. Um grande usuário das letras. Com um detalhe que apavorará aqueles que defendem a obrigatoriedade do diploma para o meio. Nogueira não era formado jornalista, mas advogado. Mesmo assim, foi melhor jornalista que muitos diplomados por aí. Aliás, melhor que todos.


Uma perda grandiosa, sem dúvida. Seu legado fica nos programas que criou e nas mentes que inspirou.



sábado, 27 de março de 2010

É tão estranho...

Se vivo fosse, Renato Russo, assim como Ayrton Senna, completaria cinqüenta anos nesse. Só que Ayrton é do dia 21 e Renato, 27. O mês é o mesmo. Mas a admiração, por parte desse blogueiro, é muito maior por Renato do que por Ayrton. Renato foi um dos caras que me fez curtir rock além de traçar em letras um perfil bem rascunhado da minha adolescência. Como já disse, eu não sou muito simpático a esse negócio de “se fulano fosse vivo faria x anos”. Se fosse vivo, Renato estaria na ativa? O Legião ainda existiria? Que música faria numa realidade em que grupinhos emos juram por Deus que são românticos? Mais que isso, assumem influência da Legião. Se vivo fosse, Renato seria cultuado por uma gente que conseguiu pasteurizar sua música. Sim, é fato que a música de Renato é, em muitos momentos pesada, densa, um tanto quanto triste e não é mais indicada pra animar festas. Mas o que esses grupelhos de meninos com franjas fazem consegue triplicar o Renato na sua fase derradeira e depressiva extirpando a boa poesia que Renato fazia (letras inesquecíveis, apesar dos detratores) e deixando apenas a pieguice e o sentimentalismo carregado tornando a coisa um tremendo embuste. Esquecem-se esses mesmos fãs do Renato Russo, que por serem fãs mostram um bom gosto, mas uma péssima intenção, que Renato traz uma história toda por trás disso tudo, leituras inúmeras, uma cultura musical extensa, que vai de Erasmo Carlos até Bruce Springsteen passando pelos expoentes do pop moderno italiano, Leonard Cohen e, claro, Beatles, além de ter pego o fim da ditadura militar e lutado contra ela, ainda que em frangalhos. É esse Renato Russo que faria cinqüenta anos hoje, empunhando bandeiras e comovendo corações e gerações, da Coca Cola a BBB, de roqueiros a emos... Hoje, temos apenas o legado e seguidores sem rumo. Uma pena, realmente, que, como disse o próprio Renato, os bons morram jovens.



terça-feira, 23 de março de 2010

Grande Nelson

O jornalista e blogueiro Flavio Gomes abriu uma série de matérias (as primeiras são esta e esta) que promete ser ótima sobre Nelson Piquet. Depois de pesquisar e nos apresentar momentos grandiosos de Ayrton Senna, o Gomes resolveu falar sobre nosso outro tricampeão. E isso rendeu acalorada discussão nos comentários entre sennistas e piquetistas. Quem foi o melhor? Ambos têm três títulos, mas Senna ganhou mais corridas e o resto é puro subjetivismo.


Na opinião deste blogueiro, sem desmerecer os louros conquistados por Senna, Piquet é melhor. Um grande piloto e uma figura lendária fora das pistas. Se em sua carreira, Senna fez questão de ostentar o brasileiro vencedor, aquele que vibrava e erguia no pódio a bandeira do Brasil, Nelsão não fazia por menos. Venceu tantas provas, subiu no lugar mais alto do pódio e mereceu o Tema da Vitória tão identificado com Ayrton, mas que – e poucos sabem disso – foi criado para Nelson Piquet.


Fora das pistas, a coisa entre ambos sempre foi distinta e quase opositiva. Se Ayrton representava o bom moço, Nelsão foi sempre o anti-herói. Isso lhe rendeu a pecha de arrogante, de grosseiro. O que não se fala, por ignorância ou conveniência, é que Piquet surgiu na Fórmula Um sem qualquer olhar mais atencioso da imprensa brasileira que, nos primórdios, jamais deu o cartaz merecido ao então jovem piloto. Sua ascensão na categoria, no entanto, terminou chamando a atenção da mesma imprensa que o ignorava. Como retribuição, Piquet fazia questão de não conceder entrevistas para ela. Daí sua “arrogância” e a simpatia dessa imprensa ao novato Ayrton que dirigia a Lotus enquanto Piquet era campeão pela Willians.


Nas entrevistas que dava, Piquet era – e ainda é – de uma sinceridade rascante e de um sarcasmo quase perverso. O surgimento e estabelecimento de um Senna talentoso contra um Piquet já veterano, mas ainda competitivo e as tantas histórias, muitas fundamentadas e outras tantas lendárias, ocorridas nos padoques alimentou uma rivalidade entre ambos pilotos e foi fomentada por uma paixão futebolística entre suas torcidas. Piquet se aposentou da F1 em 91, ano em que Senna se sagrava tricampeão, mas mesmo fora das pistas, Nelson ainda era aclamado. Os debates apaixonados nas postagens do ótimo blogue do Flavio Gomes só atestam que, quase vinte anos sem os dois correndo juntos, essa paixão permanece viva. E até este que vos escreve toma partido com um trecho de uma entrevista sensacional do velho Nelsão.




quarta-feira, 17 de março de 2010

Dia santo

Hoje é dia de São patrício na Irlanda. Gosto da história desse santo. Um dos poucos católicos realmente sincréticos. Conseguiu bem conciliar a religião druida dos irlandeses com o catolicismo. Festa na terra de Bono. E as crianças se divertem.


sábado, 13 de março de 2010

Um sorriso a menos

Angeli, de preto, e Laerte, lá atrás, de branco, para o último encontro presencial dos Três Amigos. Normalmente eram encontros divertidos que deixava alguma coisa de bom, uma piada que fosse. Ainda é meio foda pensar no crime, como aconteceu... Tudo. Quatro tiros no Glauco e no filho? E o cara parecia ser conhecido da família? Só não falo que esse é um mundo cão porque os cachorros não seriam capazes, nem se lhes fosse dado o dom da inteligência, do raciocínio, de pensar em algo tão nojento. Logo teve quem associasse ao crime ao chá do Santo Daime, fé que o cartunista professava. Balela... Gente sem qualidade não precisa de aditivos, de nada. Faz porque quer. Fica, pelo menos, uma recordação dos Três Amigos sorridentes, que é a lembrança que devemos guardar dos caras.



sexta-feira, 12 de março de 2010

Um gênio a menos


Que morte idiota essa do Glauco! E bárbara também. Um assaltante filho da mãe entra na casa do cara, assalta, rende o cartunista, tenta seqüestrar e ainda mata ele e o filho? Que mundo é esse? Uma pena que isso tenha acontecido. Ficam agora dos três, dois amigos, Angeli e Laerte, mestres do cartum. Prefiro guardar, nessa tragédia toda, o rosto sorridente do Geraldão, personagem com quem sempre me identifiquei. Sujeito criado pela mãe, boa vida e boa praça, é um cara no qual eu me vejo, mas contra o qual eu luto. Admito que, entre os três, o Glauco era o que eu menos gostava, mas sempre respeitei seu trabalho, que vinha meio repetitivo. Sem dúvida, vai fazer falta.



segunda-feira, 8 de março de 2010

Ah, mulher...


Ok, pelo dia de hoje, Dia Internacional da Mulher, que disse ser apenas uma efeméride, pois delas são todos os dias não só esse, creio que cabe uma das músicas mais bonitas do velho Erasmo Carlos, o lado hard rock da Jovem Guarda, mas numa balada maravilhosa e verdadeiríssima. Batido, nada criativo, mas uma homenagem que todas elas merecem... Pra começar.


Dizem que a mulher

É o sexo frágil

Mas que mentira

Absurda!

Eu que faço parte

Da rotina de uma delas

Sei que a força

Está com elas...


Vejam como é forte

A que eu conheço

Sua sapiência

Não tem preço

Satisfaz meu ego

Se fingindo submissa

Mas no fundo

Me enfeitiça...


Quando eu chego em casa

À noitinha

Quero uma mulher só minha

Mas prá quem deu luz

Não tem mais jeito

Porque um filho

Quer seu peito...


O outro já reclama

A sua mão

E o outro quer o amor

Que ela tiver

Quatro homens

Dependentes e carentes

Da força da mulher...


Mulher! Mulher!

Do barro

De que você foi gerada

Me veio inspiração

Prá decantar você

Nessa canção...


Mulher! Mulher!

Na escola

Em que você foi

Ensinada

Jamais tirei um 10

Sou forte

Mas não chego

Aos seus pés...



Falei besteira?

Sabe aquela mardita mania de falar um pouco além do necessário? Ela pode ser perigosa. Principalmente se exercida em público, ainda mais num público direcionado.


Já leu o Dr. Pepper hoje?

quinta-feira, 4 de março de 2010

Menos bossa

Johnny Alf, um dos precursores da bossa nova morreu. Uma perda musical valiosa. O estilo, que nasceu nos fins dos anos 50 vai, pouco a pouco, perdendo seus grandes nomes. Desde Nara Leão, que se foi em 89 até Tom Jobim, os nomes que começaram esse delicado estilo musical genuinamente brasileiro estão nos deixando e legando apenas sua obra. Resiste ainda, vivo, recluso e com shows raros e disputados, o velho João Gilberto. Ao rebentar de sua última fibra, irá com ele o estilo mais original que o Brasil já inventou. Antiquado, batido, sonolento? Talvez... Mas inigualavelmente belo.



domingo, 28 de fevereiro de 2010

Livro fechado

Morreu hoje de manhã, aos 95 anos, um sujeito que eu invejava, o bibliófilo José Mindlim. O homem tinha uma biblioteca particular de 40 mil volumes começada quando ele tinha treze anos. Essa biblioteca tinha raridades buscadas incessantemente como a primeira edição d’O Guarany, de José de Alencar. Além disso, Mindlim era amigo de grandes escritores da nossa literatura como Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade. Tais amizades davam-lhe a primazia de ter diretamente edições valiosas das obras de seus amigos. Esse tesouro valioso foi doado para a USP em 2006. Para mim, fã de livros e apaixonado pela leitura, por correr mão pelo papel e os olhos pelas letras impressas, uma coleção dessas é algo valiosíssimo, coisa que nenhum I-pad, nenhuma tecnologia conseguirá suprir. Que a paixão pelos livros não morra com Mindlim. Seu exemplo fica para malucos como eu, que sei não ser o único.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Fecha-se um sorriso

Caraca, véio. O Arnaud Rodrigues morreu num naufrágio de barco no Tocantins onde ele morava. Uma grande perda.


Não conhece o Arnaud Rodrigues? Ele foi um humorista de muito sucesso que trabalhou na Globo nos anos 70 e na recauchutadíssima A Praça é Nossa do SBT com personagens mais populares daquele combalido programa.


Mas foi na Globo que Arnaud mostrou sua melhor fase e sua outra grande faceta: A de compositor. Junto com Chico Anysio, ele criou o grupo Baiano e os Novos Caetanos, uma paródia divertidíssima à Tropicália, já estabelecida, e aos Novos Baianos, grupo bicho-grilo que começava a despontar nas paradas de sucesso. Com letras divertidas como inteligentes, Arnaud e Chico gravaram dois discos de bastante sucesso. Como homenagem fica uma das músicas mais famosas da dupla.



E chegam as Cinzas... Com música

Hoje é Quarta-Feira de Cinzas, o dia que sepulta o carnaval, inicia a Quaresma e, na prática, dá por começado o ano neste país. Uma coisa deve ser dita do carnaval: Apesar da tremenda alienação que ele traz, com desfiles mais profissionalizados e competitivos e menos autênticos e populares, à margem disso, fica a diversão, um restinho de fantasia de quem pode e quer se divertir, tirar os quatro dias para um descanso, uma fuga. E agora, que o carnaval se fina, não há melhor hino para o dia de hoje que a Marcha da Quarta Feira de Cinzas, obra prima de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra. Composta antes de 1964, o fatídico ano do odioso regime militar, o Poetinha “pesca” que a alegria vai se acabar e é preciso ter fé e esperança em sua volta. Infelizmente, Vinicius não viveu pra ver e brincar outros carnavais. O Poetinha morreu em 1980, quando as luzes começavam a se acender para a volta do carnaval por mais que a macacada fardada tentasse apagá-las. Fica aí a bela letra e a bela música.




Acabou nosso carnaval

Ninguém ouve cantar canções

Ninguém passa mais brincando feliz

E nos corações

Saudades e cinzas foi o que restou


Pelas ruas o que se vê

É uma gente que nem se vê

Que nem se sorri

Se beija e se abraça

E sai caminhando

Dançando e cantando cantigas de amor


E no entanto é preciso cantar

Mais que nunca é preciso cantar

É preciso cantar e alegrar a cidade


A tristeza que a gente tem

Qualquer dia vai se acabar

Todos vão sorrir

Voltou a esperança

É o povo que dança

Contente da vida, feliz a cantar

Porque são tantas coisas azuis

E há tão grandes promessas de luz

Tanto amor para amar de que a gente nem sabe


Quem me dera viver pra ver

E brincar outros carnavais

Com a beleza dos velhos carnavais

Que marchas tão lindas

E o povo cantando seu canto de paz

Seu canto de paz


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Tá zoando, meu...


Saiu no Vírgula:


No ano do centenário, Adoniran Barbosa é ignorado pelo samba paulista no Carnaval 2010


No início deste ano, o mundo da música teve uma surpresa daquelas ao perceber que o centenário do maior poeta da história do samba paulista, Adoniran Barbosa, a ser completado no próximo mês de agosto, não será tema do enredo de nenhuma das escolas que disputam o Grupo Especial de São Paulo no Carnaval 2010.


Comentário – Com todo respeito, mas é uma grande sacanagem as escolas de samba de São Paulo, cidade que o velho João Rubinato amou como poucos e ilustrou musicalmente como ninguém não merecer um samba enredo que seja. É claro que o que Adoniran fazia dista demais do carnaval dos nossos dias. Dista até do próprio carnaval uma vez que seus sambas são únicos. Mas uma homenagem ao seu filho adotivo (Adoniran é natural de Valinhos) mais querido e que proporciona um delicioso tour por esta Paulicéia dos bons e velhos tempos seria, no mínimo, um ato de gratidão.