domingo, 4 de outubro de 2009

Onde houver dúvida...

Hoje, dia quatro de outubro, é dia de São Francisco de Assis, de quem meus pais tomaram emprestado o nome a este blogueiro que não é um exemplo de religiosidade e não faz muita questão disso. Mesmo assim, admiro demais a história do santo de Assis, que renunciou a uma vida de regalos e riquezas para viver um voto de pobreza sincero e abnegado. Francisco foi um homem coerente desde sempre com aquilo que pregava, bondade, respeito aos animais (é considerado o patrono da ecologia). Este blogueiro recomenda que se assista o filme Irmão Sol Irmã Lua, de Franco Zefirelli. Para encerrar esse post que é uma breve homenagem a Francisco de Assis, um sujeito que merece toda admiração, segue a belíssima oração atribuída a ele, uma lindíssima súplica que vale tanto pela sua intenção como pelo seu lirismo.


Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor,

Onde houver ofensa , que eu leve o perdão,

Onde houver discórdia, que eu leve a união,

Onde houver dúvida, que eu leve a fé,

Onde houver erro, que eu leve a verdade,

Onde houver desespero, que eu leve a esperança,

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,

Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais

consolar que ser consolado;

compreender que ser compreendido,

amar, que ser amado.

Pois é dando que se recebe

é perdoando que se é perdoado

e é morrendo que se nasce para a vida eterna...



sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Foto do dia


´

Ainda no embalo da vitória do Rio para sediar as Olimpíadas de 2016, um clique da torcida na praia de Copacabana ao ser anunciado o resultado. Apesar de ser piegas, é preciso admitir que, no quesito euforia, os cariocas dão banho.

E deu Rio

Bem, contrariando as expectativas, inclusive as minhas bem como minha torcida – assumida por Madrid (não, não sou menos brasileiro por isso) –, o Rio de Janeiro foi escolhida a sede olímpica para o evento em 2016. Bateu a capital espanhola no final e deixou Tóquio e Chicago, que foi a primeira eliminada, de fora. Neste momento há um grande torpor pátrio-nacionalista por todo o país. Foi uma vitória?


Esportivamente, sem dúvida, porque as Olimpíadas vão fugir daquele eixo sobre o qual falei ontem que transita pelo Hemisfério Norte vindo para os trópicos. Socialmente e economicamente pairam dúvidas. Vamos por de lado a falácia de que país que sedia Olimpíadas se desenvolve. Se isso fosse fato, o México seria um país pujante desde há quarenta anos quando sua capital as sediou. Ou seja, Olimpíada não melhora lugar nenhum. No máximo, aquece a economia local no ano de sua realização. E deixa melhorias que, se bem aproveitadas, podem fazer desenvolver o esporte do lugar e ele pode ser usado como um instrumento de inclusão social. Só.


Politicamente foi uma vitória acachapante seja do governo Lula, que foi um agente crucial a todo instante, inclusive no discurso de apresentação hoje em Copenhague, seja do Comitê Olímpico brasileiro. A insistência dele, que tenta “encaixar” os jogos no Rio desde três oportunidades, finalmente foi recompensada. Mudou alguma coisa desde então? Não. As praças esportivas usadas no panamericano existem, mas até lá precisam ser recuperadas e dificilmente serão valorizadas ao apagar da pira olímpica. Culpa de uma cultura monoesportiva que este país desenvolve. Pode sair às ruas e perguntar pra qualquer um se sabe a diferença entre um ippon e um wasari. Ou o que é ginástica artística e ginástica rítmica. Ninguém sabe. Qualquer coisa que não seja futebol não tem público cativo e regular no Brasil.


As Olimpíadas não vão melhorar absolutamente nada no Rio, não vai salvar a cidade do caos sócio-econômico, não trará mudanças estruturais nem dissociará a imagem do lugar do binômio mulher-samba. Mas mostra que o Brasil está marcando território na política esportiva sediando, no intervalo de dois anos, os dois maiores eventos esportivos do mundo. Culpa do Lula, é claro.

Choro de populares;. O homem que é mais conhecido que a Coca Cola abraça o homem que tem 80% de aprovação e que, segundo Obama, é o cara.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Baixaria na Oi


Esse vídeo é hilário, mas não consigo crer que seja um atendente da Oi nessa ligação. A coisa baixou a níveis fossais e – se isso for verdadeiro – creio que o rapaz foi demitido. Tá mais com cara de pegadinha estilo aquela lendária com o Luiz Paretto na Telerj.


Direto do Te Dou Um Dado, você conhece?


Boa pedida

Hoje vai ter um bom programa na Globo. Será a estréia do humorístico Aline, inspirado na obra do cartunista gaúcho Adão Iturrusgarai. Aline é uma moça que vive com dois maridos e, ninfomaníaca, vive atrás de casos e aventuras, mas sempre termina em grandes confusões [sessão da tarde mode off]. Como as aventuras dos quadrinhos envolvem um lado meio de pornochanchada, a Globo vai extirpar os elementos mais picantes (sobretudo a devassidão cômica da personagem), o que faria com que a nossa Aline perca um tanto da graça. Em experimento, a emissora lançou o humorístico num pacote de especiais de fim de ano. Para não assustar sua claque habitual e habituada ao politicamente correto, a Aline virou uma moça alegre, só. Mas apesar disso, o programa foi divertido e promete mais do mesmo nível. Espera-se que os roteiristas consigam manter o nível do programa sem cair no ridículo nem desperdiçar um talento como o da “Aline” Maria Flor, que é muito linda.



Rio rumo à praia

Amanhã, em Copenhague será escolhida a sede das Olimpíadas de 2016. Estão na briga Chicago, Madrid, Tóquio e o Rio de Janeiro. Conhecedores e gente que está por dentro do COI garante que o Rio é uma das favoritas e ventila isso pra nossa imprensa que compra a idéia vendendo-a em seus jornais e em campanhas de apoio maciço.

Pessoalmente, sou contra a realização das Olimpíadas no Rio por dois motivos. O primeiro é óbvio. A falta de estrutura da cidade é flagrante e não serão em seis anos que isso vai mudar. O segundo é a constatação de que, ao contrário do que empapuça a mídia, os Jogos Panamericanos, há dois anos, foram um fracasso. Estádios que não ficaram prontos a tempo (os jogos de beisebol, por exemplo, tiveram que ser realizados durante o dia porque o estádio não tinha iluminação), difícil acesso a várias praças de eventos e, claro, a famosa violência da Cidade Maravilhosa tentaram ser escondidos do conhecimento geral, mas vazaram via Net e a coisa serviu como desenho do que foi tudo isso.


Numa análise um tanto lógica é difícil imaginar que o evento não vá para Chicago. A última Olimpíada nos EUA, se contarmos 2016, foram realizadas em Atlanta em 1996 (que estruturalmente também era fraquíssima, mas o lobby foi forte) e isso, mais o apoio declarado de gente do porte de Michael Jordan e Barack Obama, figuras relacionadas com a cidade, faz difícil se duvidar do óbvio. Madrid e Tóquio são bem cotadas, mas Madrid tem como ponto contra o fato de que as Olimpíadas de 2012 serão na Europa. Motivo parecido desfavorece Tóquio. As Olimpíadas de 2008 foram na Ásia, em Pequim. Sobram, assim, Chicago e o Rio. O COI vê com bons olhos a idéia de mudar a sede do Hemisfério Norte e isso faz com que o Rio ganhe força. Mesmo assim, ainda que conte com gente como Pelé, Janeth e o presidente Lula fazendo campanha forte, cravar no Rio como escolha certa é complicado. Amanhã saberemos.



Uma Revolução em quadro

Hoje se comemora os 60 anos da Revolução Comunista na China, quando Mao Tse-tung invadiu Pequim e apeou Chiang Kai-shek e seus simpatizantes para a Ilha de Taiwan. A partir daí houve a Revolução Cultural e o chamado Grande Salto pra Frente, com teses louváveis, mas que, na prática deram muito errado. A primeira foi um desastre educacional que limou grandes pensadores chineses que, eventualmente, se colocaram contra o Regime. O segundo, que visava transformar a China de um país agrícola em uma potencia industrial, sem um planejamento de transição, custou a vida de milhares de agricultores, uma vez que o modelo agrário era considerado ultrapassado pelo governo.


Porém, os esforços daquela época se vêem nos dias atuais. A China é um país altamente industrializado, com educação básica e superior de qualidade e, sem dúvida, uma potência que cresce a olhos vistos. Mas quanto do ideário de Mao há na China de hoje? Ideologicamente, muito pouco. A Revolução Comunista na China deu lugar a uma economia de mercado violenta. Primeiro com as Zonas Especiais e depois até as principais cidades do País, o que existe na China hoje é cada vez mais um pragmatismo capitalista que, sim, aufere riqueza e um certo desenvolvimento, mas obrigatoriamente fabrica bolsões de pobreza e muita exclusão social. Pra se ter uma idéia, avalia-se em 300 milhões o número de desempregados naquele País. Isso dá mais que a população brasileira ou estadunidense.


O que sobrou na China daquela Revolução, além dos ensinamentos do Livro Vermelho, transmitido nas escolas, seja a pouca tolerância quanto à discrepância de pensamento e um código de leis capital dos mais brutais que existe e que já foi objeto de debate, até, no próprio parlamento. Ranço comunista? De forma alguma. O que vemos em Honduras hoje é igual, embora menos proporcional, e não tem nada de vermelho, a não ser o sangue.


Ainda assim, com muitos erros e alguns acertos, a Revolução Comunista foi festejada no País com uma suntuosa parada militar, algo no qual os chineses também se destacam e que ficou dos tempos realmente comunistas. Porém, na atual realidade, Mao observa a China que construiu de um quadro num país que se afasta mais e mais do que ele imaginou.