Eu sei que é o sobrenome do nobre senador, mas que é estranho, depois de todo o imbróglio que apeou o salafrário do Cássio Cunha Lima da cadeira de governador, ler uma manchete assim, é:
Maranhão deve deixar Senado hoje para assumir governo da PB
Para um leigo (ou um gozador), um Estado renuncia aos seus três senadores na Câmara para tomar o governo de outro. Praticamente uma Guerra Civil entre cabras machos.
A Internet é, comprovadamente, o espaço mais democrático culturalmente falando. Encontra-se nela, de forma legal como ilegal, desde música inédita, contemporânea, popular e clássica (pra todos os gostos, dissociando o clássico do erudito, afinal Beatles, por exemplo, é um clássico do rock) até textos literários de grandes autores e quadros famosos.
Restringindo o foco às formas legais de encontrar boa arte na Internet, um site que disponibiliza ótimo acervo literário, pictórico e musical é o Domínio Público. Mantido pelo Governo Federal, acha-se nele pérolas como toda a obra de Machado de Assis e Fernando Pessoa e quadros de grandes pintores. E melhor. Tudo sem pagar nada. A idéia do site, como o nome diz, é disponibilizar obras que já sejam de domínio público, aquelas que a posse e os direitos não mais pertencem ao autor. E este site é uma ótima pedida pra quem gosta de boa literatura e obras científicas clássicas.
Ainda falando sobre violência no futebol, lembram-se do Eduardo da Silva, o jogador bras-croata que sofreu essa entrada, não homicida, mas genocida, imperdoável, covarde e tudo o mais que merecer, ano passado jogando contra o Birminghan?
Pois é. Depois de um ano de severa recuperação em que até seu retorno ao futebol foi posto em dúvida, o jovem atleta voltou aos campos hoje jogando pelo Arsenal contra o Cardiff City, da segunda divisão, pela Copa da Inglaterra. E mais que jogar o moço ainda fez dois gols na acachapante goleada por 4-0. Se por um lado, o adversário não era nenhum desafio para as condições do jogador, voltar fazendo gol e classificando sua equipe pra fase seguinte de um torneio tão valioso enche de moral qualquer um.
Todo o sucesso do mundo para esse garoto e que ele supere as adversidades e os zagueiros botinudos.
O mico da semana poderia ir para a Gaviões da Fiel uma vez que o espetáculo de barbárie dado ontem pela organizada do Corinthians mostra o óbvio. Torcida organizada, independente de clube, nada mais é que uma confraria de marginais que usa do futebol e de uma suposta paixão clubística pra extravasar os instintos criminosos. Encontro de organizada não difere em nada das guerras de facções criminosas nos morros do Rio, por exemplo. Quem perde com isso são os bons torcedores, como eu e você, que em nome do bom senso são privados de acompanhar in loco um jogo muito bom como o de ontem já que queremos preservar nosso corpo e, sem exagero, nossa vida.
O problema é quando a violência da torcida chega ao campo. É terrível ver uma falta feia, uma entrada criminosa contra aquele atacante que você gosta ou quando o cara que pode fazer a diferença pro seu time sofre uma tentativa de homicídio via a arma branca da chuteira de um volante caneludo. Muito pior é quando essa violência ocorre intra-time, dentro dos vestiários entre companheiros de clube, pessoas que deveriam lutar pelo mesmo escopo, o bom sucesso da equipe. Assim fica difícil entender passagens como a dessa notícia após o jogo do Santos contra o Marília em que o técnico do alvinegro praiano recebeu o bilhete azul:
“A crise tomou conta do Santos. O clube anunciou na manhã desta sábado a suspensão de Fábio Costa e Fabiano Eller, que brigaram no vestiário, no intervalo da partida contra o Marília, na última quinta-feira. Os dois estão fora da partida contra o Guarani, domingo, na Vila Belmiro.” (...) A confusão foi enorme. Fábio Costa e Fabiano Eller chegaram a trocar socos e pontapés. A situação só não piorou, pois alguns companheiros se comprometeram para apartar a briga.”
A imprensa especializada falou, até, que o goleiro tentou agredir o zagueiro com uma tesoura. Pergunta: Que várzea é essa? A que ponto chegou o glorioso time do Santos, bicampeão mundial, continental e brasileiro com esse pugilato todo de vestiário? Fábio Costa é um dos poucos heróis da nova era santista. Participante em um dos títulos brasileiros e nos dois últimos paulistas, o goleiro é ídolo, mas também é conhecido por seus acessos de insanidade que se convertem em violência gratuita e eventuais expulsões. Mas chegar a esse ponto? Bem fez a diretoria que suspendeu agressor e agredido. Na Jovem Pan aventou-se uma demissão do goleiro por justa causa. E não seria nada absurda tal atitude. O Santos é uma das forças do futebol brasileiro. É maior, até, que o maior jogador de todos os tempos, que vestiu a camisa do clube elevando-o ao posto que ocupa. É maior que Serginho, Rodolfo Rodriguez, Giovanni e Robinho, ídolos inesquecíveis. Logo é maior que Fábio Costa, um grande goleiro, mas outros virão. E que não nos exponham a tamanha vergonha.
E o tal do Hugo Chavez teve aprovação de pouco mais de meia Venezuela pra ser reeleito quantas vezes lhe der na telha. Por um lado é bom, por outro não. O lado bom é que Chávez, definitivamente, cala a boca dos opositores e da imbecilidade geral que insiste em chamá-lo de ditador. Oras, ditadores não põem em votação uma emenda. Simplesmente a outorga e borracha em quem achar ruim. Há, ainda, a possibilidade de eleições mandraques como eram as do Iraque, por exemplo, em que torno de 98% da população referendava o líder mandatário. Chávez, por sua vez, ouviu um sonoro NÃO de cerca de 46% dos venezuelanos. Ou seja, Chávez é presidente, mas não é nada absoluto como num vizinho meridional em que o presidente tem aprovação de 84% do povo. O lado ruim é a falta de novos ares naquilo que se convencionou chamar democracia. Chávez governa a Venezuela desde 1999. Ou seja, há dez anos ele manda no país. Aprovado pelo povo, odiado pelas elites, claro. Mas Chávez é maioria e esta eleição mostrou isso. Porém, a falta de gente nova pode tornar o país um tanto monótono politicamente. De Kennedy a Bush Jr., Fidel Castro, por exemplo, embicou o governo dos EUA. Foram mais de 40 anos no comando da Ilha. Uma geração de cubanos vê tardiamente a sucessão em família. É necessária, às vezes, uma lufada de ar nas cadeiras máximas de cada país. Por outro lado, se é pra ser, como é, por exemplo, em São Paulo em que desde 1994 tivemos três governadores e todos eles governando da mesma forma desastrosa, é melhor um Hugo Chávez, que governe pro povo por anos e anos. A população agradece e o país só tem a crescer.
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