segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Coisa feia...

Entrar no ano novo com uma tragédia como essa que aconteceu em Angra é realmente desagradável. Numa chuva, algo natural para a época do ano, a possibilidade de haver desmoronamentos é imensa, e eles acontecem. Sempre. Todo janeiro e fevereiro aparecem notícias de deslizamentos, a expressão “área de risco” volta a ser lembrada e normalmente quem perde casa e tudo que tem são pessoas de classe baixa, que vivem em encostas e em morros e que as chuvas levam. Aí acontece essa tragédia em Angra dos Reis, morre um punhado de gente e a defesa civil corre atrás de corpos que assustam cada vez que chega a notícia de mais vítimas. A comoção e a continuidade de notícia dessa vez é diferente, porque pela primeira vez a natureza deu, além da cabeça dos favelados, na cara da classe média. Muitos dos que perderam a vida tinham uma condição melhor. Uma menina, inclusive, tinha vídeo no You Tube e tal. Acabo de descobri, ela se chamava Yumi Faraci. Foi um acontecimento muito triste. Pipocaram histórias dramáticas, gente que perdeu a família toda e terá uma vida dilacerada. Mas é chato que a mídia faça esse auê em cima do fato por envolver a fatia mais interessante de seu público. Mas é assim mesmo. Quando as enchentes assolam Santa Catarina, as campanhas pra ajudar os desabrigados pipocam. Quando acontece no Maranhão resta apenas a pena e as orações.

Pergunta que eu te respondo

Eu não conhecia o Formspring.me, uma espécie de Twitter em que você segue pessoas, mas tem uma interação maior com elas fazendo perguntas. O nível de inteligência das perguntas vai do quociente de quem a faz. E eu só me inscrevi nisso pelo mesmo motivo pelo qual me inscrevi no Twitter. Pra dar risada. Por enquanto sigo só duas pessoas, a mais “célebre” delas é a atriz de filmes adultos Mônica Mattos, tão linda quanto sarcástica em suas respostas aos onanistas e curiosos acerca de suas intimidades e preferências. Creio que vou me divertir igualmente – ou até mais. Basta seguir as pessoas certas. E quem quiser fazer perguntas para este blogueiro, não se faça de rogado e poste-as aqui. Não precisa nem estar inscrito no site.



sábado, 2 de janeiro de 2010

Primeiros chutes

Hoje começa a Copa São Paulo de futebol júnior, torneio que já revelou vários craques, mas que hoje virou um verdadeiro balaio de gatos e mais uma vitrine pra empresários e de time artificiais. Não se condena o fato de haver times de todos os estados. Se por um lado, o elevado número de times (92 esse ano) compromete um pouco a técnica, a culpa não é exclusiva dos pequenos times que vem do Acre, de Roraima ou do interior do Ceará. Há muito, os grandes times também não apresentam nada que se destaque. Apenas bons jogadores que servem para ser vendidos para clubes do mundo todo e render uma grana. O lado bom desse grande número de times são os jogos alternativos que se proporciona. Ou em que outro torneio seria possível ver um jogo entre Taboão da Serra e São José, do Rio Grande do Sul? Ou CSA de Alagoas e Operário-MS? Ou, ainda, Remo, do Pará contra o Al Hilal, da Arábia Saudita? Sim, este ano teremos um time estrangeiro na disputa. Lógico que surpresas ocorrerão, times grandes ficarão pelo caminho, mas para um tira-gosto pra temporada principal do futebol, este torneio com clubes tradicionais de todo o Brasil, equipes mambembes bancadas por empresários ávidos por dinheiro e muitos garotos loucos pra mostrar o que sabem cai muito bem. É claro que a velha tradição da Copinha já era, mas os grandes craques que ela revelava há muito não aparecem.

Som na Caixa



Eu comecei a curtir U2 por acidente em 1997. Ouvi o disco e a música Zooropa na casa de uns primos e achei o falsete que o Bono dava igual ao de outra música que me agradava, mas eu não sabia o nome e mais tarde descobri ser Lay Lady Lay, do Duran Duran. À parte dessa burrice, comecei a curtir os irlandeses e dissecar sua obra. Coincidentemente, a segunda música do grupo que me “pegou” foi New Year’s Day que ouvi, coincidentemente, num réveillon de 97 pra 98. Naquele ano, eu fui ver o PopMart em São Paulo e aí selei o gosto pelos caras. Como se fecharam treze anos que eu conheço o U2, deixo com você o vídeo da música que reforçou meu gosto no show da melhor turnê dos caras, a Zoo TV.


Rali o quê?



Começou ontem o Paris-Dakar, rali interessantíssimo começado no fim dos anos 70 em que os competidores saíam da eterna e classuda Paris, atravessavam o imenso deserto do Sahara chegando a Dakar, capital do Senegal e uma das mais belas cidades africanas. O rali é tão sedutor quanto perigoso e arriscado. Muita gente perdeu a vida nesse enduro que, por conta da segurança, teve seu trajeto remodelado ao sabor dos anos, inclusive deixando de ser realizado em 2008. Por passar em regiões isoladas, várias ameaças de grupos ligados ao terrorismo foram feitas, o que fez com que a organização tomasse difíceis (e caros) remanejamentos. A solução final tomada em 2009 foi o ápice da globalização mandraque. O nome Paris-Dakar permanece, mas agora a prova é realizada na América do Sul saindo do Chile e terminando em Buenos Aires. Pelo segundo ano consecutivo, o Paris-Dakar seguirá o mesmo trajeto atraindo olhares dos fãs do esporte. Da minha parte, confessor que admiro esses caras que se metem num carro ou numa moto e saem a cruzar esse mundão de meu Deus em busca de aventura e, claro, glória e dinheiro. E vitória. Lógico que onde a prova é disputada hoje são ambientes tão inóspitos quanto os originais e tão perigoso quanto. Com características todas próprias. Mas ainda acho que andar pela cordilheira dos Andes e solo pedregoso e baixas temperaturas não tem o mesmo charme que andar pelos confins da Mauritânia com o sol fervendo a 50 graus e tendo por público tuaregues e beduínos. Acho que deveriam mudar de nome.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Isso, sim, é uma vergonha



Eu queria deixar esse vídeo pra segunda-feira, pro Mico da Semana, mas não dá. É nojento demais. Isso se deu ontem, no Jornal da Band, quando ao fim de uma matéria, em off, mas com o áudio em on, o provecto e antipátco Boris Casoy, numa bancada com Joelmir Betting e Milena Machado, trava o seguinte diálogo com seus parceiros:


Casoy: "Que merda, dois lixeiros desejando felicidades do alto da sua vassoura."

Millena: apenas ri (condescendente)

Casoy: "O mais baixo da escala do trabalho..."

Operador: "Deu pau, deu pau,..."


Esse é o nosso jornalismo. Eis o que eles falam por trás das câmeras. A Band anunciou que Boris pedirá desculpas. Desculpas? Desculpa ele deve pedir por ser uma pessoa nojenta, desincompatibilizada com a realidade e sem qualquer senso de ridículo em suas opiniões igualmente preconceituosas, desmesuradas e reacionárias. Perfeita foi a colocação do Cloaca News sobre o fato:


"INFAME, TORPE, DESPREZÍVEL, ABJETO, CANALHA, VIL, PATIFE, CHULO. MAS PODE CHAMAR DE BORIS CASOY


Dedicado servidor da ditadura militar e prócer do CCC - Comando de Caça aos Comunistas - nos anos 60 e 70, o jornalista Boris Casoy acaba de confirmar, via satélite, sua verdadeira e odiosa índole.


Na última noite de 2009, ao apresentar as manchetes do Jornal da Band, o velhaco escarneceu dos garis que haviam acabado de desejar um Feliz 2010 aos brasileiros.


O vídeo abaixo dispensa explicações. Serve apenas para mostrar que o afetado âncora da Rede Bandalha, do alto da sua irrefreável estupidez, envergonha a espécie humana. Boris Casoy é um lixo em forma de gente, escória excrementícia do há de mais baixo na escala da dignidade. Esta é a opinião deste Cloaca News."


Nunca antes na história desse país

Hoje, dia 1º de janeiro, estréia nos cinemas o polêmico filme Lula, o Filho do Brasil. Desde seu anúncio e sua avant-premiére a nossa inteligentíssima oposição tem acusado o filme de ser politqueiro, de ser objeto de campanha. Bobagem. Para os que dizem isso, fica a pergunta, antes de qualquer discussão: O Lula é candidato a quê? Ao que me consta – e apesar dessa mesma oposição ficar dizendo que o presidente queria um terceiro mandato, o que foi negado pelo próprio Luís Inácio – a candidata a presidente é a Dilma e ela não tem nada a ver com o filme. E pra eles é meio complicado imaginar que o sujeito não vai sair da sala de cinema direto pra votar. Em outubro é capaz do filme até ter saído de cartaz.


Uma coisa é preciso reconhecer desde que não se seja burro ou ignorante historicamente (nem vou falar político porque a coisa transcende o tema): O presidente Lula entrou pra história do País. Não por ser o presidente, mas pela sua história de vida. A presidência foi apenas a coroação de sua perseverança política. E ela é apenas o grand finale da sua vida. Tanto que o “presidente” sequer entrou no filme. A parte mais importante, sua liderança num tempo em que sindicatos eram malvistos. O resultado foram as prisões, (na qual segundo um idiota a quem só a Folha deu ouvidos e só insensatos deram crédito o presidente cometeu um estupro), o preconceito e uma forja política meio na porrada. Seria difícil que um cara que via o operariado tomando na cabeça por contas do patronato e das multinacionais tomasse partido deles. Seria uma grande canalhice. Infelizmente, só os canalhas o criticam.


O diretor Fábio Barreto, perguntado sobre seu ponto de vista, disse que não era lulista nem simpático à Dilma. Apenas exerceu seu trabalho de diretor, o que faz com maestria. Pragmático em excesso? Talvez, pelo menos abriu uma concessão a um tema interessante sem cair pro ridículo como fazem diretores de esquerda ou direita quando querem heroificar ou demonizar mitos. O filme do Lula, pelo pouco que vi e ouvi falar, parece ter a medida certa. Sem excessos ou babação de ovo. A verdade é Lula, fosse presidente ou não, merecia um documento que registrasse sua história de luta. Quem enfrentou a ditadura, criou um partido de origem popular (ainda que hoje esteja bem afastado do seu escopo inicial, mas é a “maturidade”...) e batalhou pela presidência merece ser retratado. Se depois disso, ele colocou o Brasil no centro do cenário mundial e angariou 80% de simpatia popular, foi só conseqüência.